Há 45 anos, no dia 10 de novembro de 1972, Torquato Neto, poeta piauiense ícone do tropicalismo, pôs fim à sua vida, aos 28 anos. Essas quatro décadas e meia sem o letrista, jornalista e poeta podem ser vistas, na verdade, como 45 anos com ele. Porque muita gente canta e sabe de cor coisas escritas por Torquato, mesmo sem reconhecer a autoria. Para uma geração mais recente, para citar apenas uma, vale lembrar “Go Back”, gravada pelos Titãs.

“Você me chama
Eu quero ir pro cinema
Você reclama
Meu coração não contenta
Você me ama
Mas de repente
A madrugada mudou
E certamente
Aquele trem já passou
Se passou, passou
Daqui pra melhor
Foi!”

Por causa da efeméride da sua morte, inclusive, Torquato Neto é o homenageado da 12ª edição da Balada Literária. O evento, que acontece desde 2006 em São Paulo, idealizado pelo escritor Marcelino Freire, neste ano começou em Teresina, cidade natal do poeta, em outubro, e segue na capital paulista até o dia 12 de novembro.

Torquato Neto morreu no dia 10 de novembro de 1972 - foto: acervo artístico Torquato NetoTorquato Neto é um dos ícones do movimento tropicalista - foto: acervo artístico Torquato NetoFrame do filme Nosferato no Brasil (1970), de Ivan Cardoso - foto: frame do filme Nosferato no BrasilÁlbum de família de Torquato Neto - foto: acervo artístico Torquato NetoTorquato Neto nasceu em Teresina (PI), em 1944 - foto: acervo artístico Torquato NetoEm 2017, Torquato Neto é o homenageado da 12ª edição da Balada Literária - foto: acervo artístico Torquato NetoTorquato Neto morou no Rio de Janeiro até a sua morte - foto: acervo artístico Torquato NetoO acervo de Torquato Neto fica na cidade natal do poeta, Teresina (PI) - foto: acervo artístico Torquato NetoDo Tropicalismo Torquato Neto escreveu o manifesto, além de ser autor de várias músicas - foto: acervo artístico Torquato NetoTorquato Neto e Gilberto Gil assinam juntos várias canções - foto: acervo artístico Torquato Neto

A capital do Piauí foi berço e morada de Torquato Pereira de Araújo Neto até 1961, quando, aos 16 anos, ele se mudou para Salvador. A próxima parada foi o Rio de Janeiro, onde morou até sua morte, com pausas para temporadas na Europa. Durante sua breve vida, atuou como jornalista cultural e compôs músicas com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Edu Lobo e Jards Macalé, para citar apenas alguns nomes.

Do tropicalismo, além de ser autor de várias músicas, como “Geleia Geral” e “Louvação” (com Gilberto Gil) e “Todo Dia É Dia D” (com Carlos Pinto), Torquato escreveu o manifesto do movimento. "Assumir completamente tudo o que a vida dos trópicos pode dar, sem preconceitos de ordem estética, sem cogitar de cafonice ou mau gosto, apenas vivendo a tropicalidade e o novo universo que ela encerra, ainda desconhecido", dizia um trecho.

Em 11 de janeiro de 1967, aos 22 anos, Torquato casou com Ana Maria Silva de Araújo Duarte, com quem três anos depois, em 1970, teve Thiago, seu único filho. Logo após ter se tornado pai, o poeta passou por duas internações em hospitais psiquiátricos no Rio de Janeiro.

Saiba mais sobre Torquato Neto na Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras.

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