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Jaguar (1932)
Críticas
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"No Brasil é raríssimo que o trabalho de um grande desenhista de humor seja alvo de análise de um crítico de artes plásticas, coisa que qualquer aspirante a artista, depois de riscar um emaranhado sem sentido de traços em um papel, consegue facilmente. Não importa, basta bom senso e boa educação visual para avaliar o que faz Jaguar. Sei que ele é avesso a observações deste tipo mas é minha obrigação fazê-las. Tomem nota: Jaguar é, entre os desenhistas de humor brasileiros, o que consegue pôr mais ironia no traço. De forma geral, não se detém muito no acabamento dos desenhos (vai direto ao que importa: expressões faciais, gestos, cenário), mas se estiver num dos seus momentos poéticos é capaz de finalizar o cartum com charme inteiramente pessoal. O mais surpreendente é constatar que as caras horrendas das figuras deformadas que riscou formaram uma composição que se quer pôr na parede, ou seja, bela no sentido moderno da beleza, que já vem do século passado e inclui a liberdade."
Norma Pereira Rego
REGO, Norma Pereira. Jaguar. In: _______. Pasquim: gargalhantes pelejas. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1996. p. 106.
"Muitos de seus personagens marcaram época: Sig, o rato-símbolo do Pasquim; Gastão, o vomitador; Boris, o homem-tronco; e a turma do Chopnics, em parceria com Ivan Lessa. Mesmo quando seu humor beirou a escatologia e o grandguignol, Jaguar nunca foi ofencivo - e por uma simples razão: sempre foi engraçado. Mas o melhor de Jaguar está fora dos personagens fixos. Seu olho para extrair o lugar-incomun dos lugares-comuns e sua capacidade de ridicularizar uma ou expressão com um desenho sempre foram extraordinários. Exemplo: o Cartum que mostra Cristo na cruz dizendo para Maria Madalena, 'Hoje não dá, Madalena, estou pregado'. É capaz de fazer rir até com ilha deserta, marido-que-chega-em-casa-de-repente e elefante e formiguinha, que são alguns dos temas mais explorados do século."
Ruy Castro
CASTRO, Ruy. Ela é carioca: uma enciclopédia de Ipanema. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. pp. 182-183.
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