O Programa Experiência Escola é um projeto destinado a alunos do ensino médio e professores de escolas públicas da Grande São Paulo. Para esta edição, foram selecionadas 20 duplas – cada uma formada por um professor (diversas disciplinas) e um aluno. Essas duplas foram orientadas por quatro artistas-mediadores: Renato Gama (músico), Henrique Barros (músico), Carlos Gomes (ator) e Cassandra Mello (realizadora audiovisual).

A oficina de composição musical coletiva foi uma das atividades de maior envolvimento do grupo. A proposta de criação de uma canção em conjunto foi elaborada por Renato Gama e executada em parceria com Carlos Gomes, Henrique Barros e Cassandra Mello, além, é claro, dos próprios selecionados. Como preparação para o encontro, Renato pediu aos alunos e aos professores que tirassem fotos com o celular de lugares que tivessem importância afetiva na rua em que moravam e pediu a eles que enviassem as imagens à página do Programa Experiência Escola no Facebook. A ideia era que, desse modo, todos pudessem acessar e conhecer mais o cotidiano uns dos outros. Ao longo de duas semanas, o grupo acompanhou as fotos postadas diariamente. Entre elas estavam imagens de árvores, feiras livres, canteiros, construções, calçadas, portões, pontos de ônibus etc.

A oficina começou com o vídeo Todo Menino É um Rei, do Grupo de Dança do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia. Nele, um garoto fala sobre a presença da violência no seu cotidiano e desabafa sobre as dificuldades de viver na favela. Em seguida, Renato tocou uma canção do músico e compositor Tita Reis chamada “Sujeito Periférico” e abriu uma discussão com os participantes sobre o dia a dia na favela, levando em conta tanto os aspectos negativos quanto os positivos, buscando extrair do grupo as particularidades de cada trajetória.

Os participantes foram divididos, então, em duplas de professores e alunos e cada uma delas produziu um verso da música com base nesses estímulos. A construção do arranjo, conduzido por Renato e Henrique, se deu de maneira totalmente coletiva, em apenas dois encontros. Os alunos e os professores que tinham alguma prática com instrumentos musicais ficaram responsáveis por tocar esses instrumentos, e os que tinham alguma experiência (ou simplesmente se sentiram à vontade) em cantar cantaram. Os demais compuseram o coro e colaboraram com a percussão.

No segundo encontro, o grupo se preparou para gravar, ficando uma parte da turma responsável pela parte de filmagem, orientada por Cassandra Mello, e a outra pela parte cênica, dirigida por Carlos Gomes. O grupo gravou o trabalho no estúdio Loop (Vila Madalena) e contou com o apoio dos músicos e produtores Ronaldo Gama e Gustavo Barcelos, parceiros na produção musical.

O resultado final, um videoclipe, se tornou um verdadeiro hino da edição 2013 do Programa Experiência Escola. Tanto por se tratar de um trabalho totalmente autoral feito a 90 mãos e que contém fragmentos da história de cada um de seus participantes quanto por ser um reflexo fiel do programa em si: um grupo heterogêneo composto de adolescentes e professores de escolas públicas em sintonia para um objetivo comum, o de ativar ações de arte nas escolas.

Veja o vídeo e acompanhe abaixo a letra da música.

A beleza mora onde a gente menos acha que ela está
A beleza mora onde a gente menos acha que ela está
Esclarecimento no cimento da cidade o reconhecimento dos guerreiros de verdade
Dos poetas que vindos das favelas/
nas escolas públicas explodiram suas celas
Com o grafite e o spray na mão
material perfeito para entrar em ação
Olhares que constroem e destroem
Todos os dias da janela eu busco a solução
Contrastando com o caos social que existe lá.
E só a arte é capaz de transformar
Menino pobre
menino triste,
Quero te tratar com respeito e amor
Nesse-lugar-onde-a-alegria não existe
Que a cadeia (nãaaaoooo) // não se resuma a uma aldeia. (2x)
Que seja na criança a esperança e não o horror da dor
Foi empurrando até ficar sem espaço (ooow)
O concreto que matou a vida do mato (2x)
A beleza mora onde a gente menos acha que ela está
A beleza mora onde a gente menos acha que ela está
Minha rua, meu mundo
Um lugar absoluto e incrível de se ver
Atrás daquele horizonte fica um bairro encantado.
Há domingos de sol, de festa e feriados
A família que unia e alia.
Que gostava do osso. Que ria da tia.
Tinha o Tico que comia a vida.
Tinha o Tico que comia a vida.
A luz do amanhecer e do luar ilumina o nosso caminhar
Ao som dos pássaros na esperança de um pisar sem se sujar
O prédio onde moro já foi brejo um dia
Na simplicidade deste lugar vou levando a vida
Essa é a quadra da minha escola
Onde aprendemos a sonhar
Somos os herdeiros do futuro
A beleza mora onde a gente menos acha que ela está
A beleza mora onde a gente menos acha que ela está