Flexor |
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Bailarinas,
1950
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| Em 1922, viaja para a Bélgica,
onde estuda química e freqüenta aulas de pintura na Académie Royale des Beaux-Arts.
Muda-se para a França em 1924 e estuda na École Nationale de Beaux-Arts e nas academias
Ranson e da La Grande Chaumière. Liga-se ao grupo de Lhote, Léger e Matisse e participa
de salões como o Indépendants, 1928/1935, Tuilleries, 1936/1939, e Surindépendants,
1929. Judeu convertido ao catolicismo, em 1933 passa a executar pinturas murais de
temática religiosa. A Segunda Guerra Mundial modifica sua pintura, seus tons passam a ser
cinza e preto. Nesse período, inicia estudos expressionistas e cubistas sobre a Paixão
de Cristo. Muda-se para o Brasil em 1948. Motivado pelo crítico Leon Degand, adota o
Abstracionismo e cria em São Paulo o Atelier-Abstração. Em meados da década de 60,
retoma o estilo figurativo. Entre as exposições de que participa destacam-se Do
Figurativismo ao Abstracionismo, no Museu de Arte Moderna, São Paulo, 1949; Bienal de
Veneza, 1954; As Bienais e a Abstração: A Década de 50, no Museu Lasar Segall, São
Paulo, 1978; Samson Flexor: Do Figurativismo ao Abstracionismo, no Museu de Arte
Contemporânea/USP, São Paulo, 1990/1991. "Afirma Flexor que sua orientação decisiva no sentido da abstração decorre não somente de um processo intelectual mas também da contemplação cotidiana do espetáculo que oferece o desenvolvimento frenético de São Paulo, 'onde tudo tende para o futuro e clama seu desprezo pelo passado colonial'. Haveria assim, em seu sentir, uma ligação íntima entre as forças progressistas da civilização e as realizações dos pintores. Estes, libertados da imitação da natureza, emancipados das convenções e das tradições, seriam a expressão natural da civilização atômica. (...) No caso de Flexor, derive ou não a sua pintura da sua fixação em São Paulo, não a julgaremos por esse prisma, mesmo porque jamais teve ele a intenção de interpretar o que quer que seja. Temos de encará-la como pintura simplesmente, verificando o que nos traz de novo, que soluções apresenta, até que ponto foge das chapas, das convenções dos truques. Tem ela como ponto de partida e com solução mais imediata a composição geométrica, jogo de retângulos ou de círculos, de linhas diagonais, verticais e horizontais em equilíbrio harmônico e no entanto movimentado. E concomitantemente a expressão colorística pelo matiz, em acordes mais requintados do que exigiam os neoplasticistas. Mas Flexor não quer perder em sua disciplina as soluções mais líricas do hedonismo abstracionista, porque não deseja empobrecer a pintura, enrijecendo-a, e ei-lo a dar à matéria especial cuidado. Nem concretista nem hedonista, mas pessoal e lírico, embora disciplinado em seu abstracionismo, mostra Flexor quanto pode ser livre e complexa uma tendência que tantos já acusam de acadêmica, mal principiou a produzir alguns frutos saborosos. Uma qualidade tem em todo caso - e indiscutível - a autenticidade, pois o que caracteriza a autenticidade na arte, pintura, música ou arquitetura, é estar a obra intimamente ligada à sua época." Sérgio Milliet MILLIET, Sérgio. Diário crítico: 1955/1956. 2.ed. São Paulo: Martins: Edusp, 1982. v.10, p.53, p.55-56. |
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