Milton Dacosta

[Milton Rodrigues da Costa]
Niterói RJ 1915 - Rio de Janeiro RJ 1988

Dois Cavalos, 1942
óleo sobre madeira 38 x 46 cm

 

Inicia os estudos de desenho e pintura em 1929 com August Hantz e, no ano seguinte, matricula-se no curso livre de Marques Júnior na Escola Nacional de Belas-Artes, no Rio de Janeiro. Participa, em 1931, da fundação do Núcleo Bernardelli com outros artistas. Em 1941, começa a fazer figuras humanas geometrizadas, tendo como referência o Cubismo. Entre 1945 e 1947, estuda na Artist´s League of America, em Nova York, e na Académie de La Grande Chaumière, em Paris. Na década de 60, apresenta uma série de gravuras coloridas em metal com o tema Vênus, que se torna constante em sua obra. Entre as exposições de que participa destacam-se Salão Nacional de Belas-Artes, Rio de Janeiro, 1936/1944 (Prêmio Viagem ao Exterior,1944); Bienal de Veneza, 1950; Salão Paulista de Arte Moderna, São Paulo, 1951 (Prêmio Governo do Estado); Bienal de São Paulo, várias edições de 1951 a 1961 (Prêmio Melhor Pintor Brasileiro, 1955, e Sala Especial, 1961); Projeto Construtivo na Arte (1950-1962), na Pinacoteca do Estado de São Paulo e no Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, 1977.

"(...) O figurativismo nele verifica-se agora, olhando-se para trás - sempre foi, se assim se pode falar, uma prefiguração, isto é, um julgamento da vida reflexiva. Armado com os seus esquemas corpóreos livres, nos deu ele toda a rica série de figuras humanas, isoladas ou a dois, moças sobretudo, e o misterioso (e profético) menino Alexandre (cuja imagem encontrou um dia na rua, e lhe ficou fixada à mente como uma obsessão). Foi essa a fase que, pela segurança da composição por planos, pela beleza aristocrática da linha e pelo extremo lirismo e requinte do esquema de cores, lhe consagrou em definitivo a fama de pintor.
(...) Então vem a fase de pura abstração, que já não está condicionada a esquemas prévios, mas talvez a um solilóquio do artista consigo mesmo, ou melhor, um diálogo entre ele e o seu duplo, o outro (que pode ser um espectador imaginário), num estado de plenitude não sensorial. (...)

No fundo, o ponto de partida do pintor foi sempre abstrato. Nesse sentido é bem filho do Cubismo. Seu olhar não cai sobre uma percepção que o impele para o cavalete. Quando vai pintar é como se se fosse colocar em frente de um longínquo panorama, banhado numa mesma claridade. O seu olhar imóvel sobre um objeto também imóvel. Se o olhar então funciona, não é no sentido de perceber, mas talvez de evocar. Evocar, quem sabe, algo como um convite tímido, antes tácito, de extrema sutileza, a um fenômeno para lá ou para cá da visão, isto é, tátil."


Mário Pedrosa

PEDROSA, Mário. Milton Dacosta: vinte anos de pintura. In: ___. Dos murais de Portinari aos espaços de Brasília. Org. Aracy Amaral.
São Paulo: Perspectiva, 1981. p.146-148. (Debates, 170).