Anna Bella Geiger

Rio de Janeiro RJ 1933

Nº 22, 1982
mista (serigrafia e outras), 29/60 75 x 103 cm

 

No início da década de 50, inicia seus estudos de pintura, desenho e gravura com Fayga Ostrower no Rio de Janeiro. De 1960 a 1965 participa do ateliê de gravura em metal do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Neste museu, em 1971, colabora na coordenação dos Domingos de Criação. Em 1983 recebe, em Nova York, bolsa da Fundação Guggenheim. Experimenta em seu trabalho diversas linguagens, do desenho à intermídia. Entre as exposições de que participa destacam-se Bienal de São Paulo, várias edições de 1961 a 1989; Video Art, no Institute of Contemporary Art, Chicago, 1975; Projection XXI, no MoMA, Nova York, 1978; I Bienal de Artes Visuais do Mercosul, Porto Alegre, 1997. Evento no Itaú Cultural: Fronteiras, 1998.

"O sentido da obra de Anna Bella Geiger emerge precisamente da clara dispersão de seu estilo individual, dos meios e linguagens que aciona e, sobretudo, da deliberada fragmentação de forma e imagem, quase sempre tematizada nos títulos ou conceitos associados aos trabalhos, perpassando todos os níveis da sua produção. (...)
Transmutada ao longo dos últimos 22 anos pela repetição, variação cromática ou pela ampliação e redução, a imagem das nuvens tornou-se uma camuflagem de sua própria origem; uma pele estampada que suporta e vela diferenças, aprisionando os cacos icônicos. A camuflagem, porém, não é o único elemento de mobilização da superfície usado na gravura de Geiger. Suscitada pela presença dos mapas, a grade, ou rede de meridianos, desempenha função análoga. Ambas, camuflagem e rede, constituem a imagem da unidade de um campo, que junta na superfície da obra os fragmentos que a compõem. A camuflagem paira sobre o plano expandindo-o virtualmente para além de seus limites; a grade delimita e esquadrinha um território, contendo-o. Cada estampa dessa artista pode, então, ser tomada como fração do campo contínuo e ilimitado da nuvem-camuflagem.

O campo produzido pela gravura de Anna Bella nasce da tensão entre métodos artesanais de impressão (manipulação das telas, chapas e clichês-matrizes, entintamento, entradas do papel na prensa) e a gênese fotográfica da imagem."


Fernando Cocchiarale

COCCHIARALE, Fernando. O sentido constelar na obra de Anna Bella Geiger. In: GEIGER, Anna Bella. Anna Bella Geiger: constelações. Apres. Marcus de Lontra Costa. Textos de Fernando Cocchiarale et al. Rio de Janeiro: MAM; Salvador: MAM/Bahia; São Paulo: MAM; Brasília: Ministério das Relações Exteriores - Palácio do Itamaraty, 1996/1997. p.9-10, p.14.