Iberê Camargo |
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Sem título,
1987
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| Inicia seus estudos de pintura
na Escola de Artes e Ofícios, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, com Frederico Lobe e
Salvador Parlagreco. Entre 1936 e 1939, em Porto Alegre, faz o curso técnico de
arquitetura do Instituto de Belas-Artes e estuda pintura com João Fahrion. Muda-se para o
Rio de Janeiro e em 1942 começa a estudar na Escola Nacional de Belas-Artes. Em 1948, em
Roma, estuda com importantes artistas, como De Chirico e Petrucci e, em Paris, com André
Lothe. Ao retornar ao Rio de Janeiro, em 1953, funda o curso de gravura do Instituto
Nacional de Belas-Artes. Em 1965, leciona na Escola de Belas-Artes da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul. De concepção figurativa, exprime em seus quadros emoções
trágicas da vida. Entre as exposições de que participa destacam-se Salão Nacional de
Belas-Artes, Rio de Janeiro, 1945/1951; Bienal de São Paulo, várias edições de 1951 a
1994; Bienal de Veneza, 1962; Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, 1990; Retrospectiva,
no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, 1994. "No ato da pintura, você faz um esforço de reconstrução? Não, nada disso. Eu como pintor sou apenas um operário. Eu procuro fazer meu objeto da melhor forma possível, como se fosse uma mesa, uma cadeira. Atendo a sua necessidade de ser, de seu existir. Eu sei que uma mesa tem tantos pés, não pode ficar solta no espaço. Tenho de me submeter a essa necessidade construtiva do objeto comum para fazer minha pintura da melhor maneira que posso fazer, com meus conhecimentos de pintor, de artesão, de brochador de parede, não mais que isso. Agora se eu tenho essas ansiedades, isso é que é a pergunta. Por que procuras tanto essa imagem? Por que desmanchas tantas vezes, por que tu refazes, me dizem. Um pintor em São Paulo assistiu ao vídeo e disse ter visto desfilar uma humanidade, porque são tantas figuras que surgem, e que eu rejeito. Por que eu rejeito? Gostaria de saber. Para mim, é porque aquela formalmente é mais plástica, tem mais verdade como imagem. Mas eu posso estar dando a definição de um esteta, de um artista. Pode ser que eu esteja até sendo enganado por mim mesmo. Talvez eu esteja procurando, sem saber, a primeira imagem, a imagem da mãe. Aí, quando a coisa se apresenta, aí satisfaz. Não sei dizer de antemão como ela é, mas sou capaz de reconhecê-la. É ela, eu sei." Lisette Lagnado e Iberê Camargo LAGNADO, Lisette. Conversações com Iberê Camargo. São Paulo: Iluminuras, 1994. p.33. |
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