Franz Weissmann

Knittefeld (Áustria) 1914

Portal, 1991
ferro, aço e concreto armado pintado 1.500 x 995 x 1.040 cm

 

Entre 1939 e 1941, estuda na Escola Nacional de Belas-Artes do Rio de Janeiro, aperfeiçoando-se depois em desenho e escultura com August Zamoyski. Transfere-se para Belo Horizonte e a convite de Guignard participa da constituição da primeira escola de arte moderna da cidade, formando uma geração de artistas, como Amilcar de Castro, Farnese de Andrade e Mary Vieira. De volta ao Rio de Janeiro, em 1956, participa do Grupo Frente, dos movimentos Concreto e Neoconcreto. Em 1959, inicia série de viagens e temporadas na Europa e Extremo Oriente, só retornando ao Brasil definitivamente em 1965. Sua produção é composta basicamente de estruturas de madeira e de metal, que linearmente abrem espaços criando uma multiplicidade de formas e composições precisas e extremamente sensíveis. Entre as exposições de que participa destacam-se Bienal de São Paulo, várias edições de 1951 a 1987; I Exposição Nacional de Arte Concreta, no Museu de Arte Moderna, São Paulo, 1956; Exposição Internacional de Arte Concreta, Zurique, 1960; Bienal de Veneza, 1972; Panorama de Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte Moderna, São Paulo, 1975/1985 (Prêmio Escultura, 1975); I Bienal de Artes Visuais do Mercosul, Porto Alegre, 1997. Evento no Itaú Cultural: Tridimensionalidade na Arte Brasileira do Século XX, 1997.
"(...) Vê-se imediatamente uma escultura de Weissmann: é limpa, de uma limpeza estética e também moral. Além de outros propósitos, penso que o uso que ele faz da cor tem a intenção de evitar qualquer processo que venha a perturbar ou contaminar a obra e de manter sua integridade. (...)
As cores de Weissmann, por sinal, nem sempre são as primárias. Nelas se encontra até certa acidez expressionista, que sugere a agressividade cromática de um Van Gogh: um tom mais elevado, discrepante da ortodoxia, uma cor mais sensibilizada e ativa que potencialize integralmente a escultura. Imediatamente, a escultura se destaca como elemento expressivo do espaço urbano.
O interesse do escultor se volta, sobretudo, para a dialética do cheio e do vazio, a pulsação virtual do volume. O espaço da escultura postula uma presença que se refere ao volume, sem que o volume esteja lá. A escultura opera então uma comunicação espacial, uma continuidade entre obra e espaço. Em outras palavras, aspira a uma transparência. Torna-se aquilo que já não pode ser retirado, o que sobrou do vazio: a própria tensão entre o cheio e o vazio.

A precisão geométrica é um fator de clareza: assim a escultura se auto-explica e se demonstra. Seu desdobrar propõe quase uma narrativa plástica, uma série de peripécias do plano, como se ele experimentasse seu vocabulário e suas possibilidades elementares. Que isso tenha partido de uma experiência com o cubo, uma estrutura de compreensibilidade universal, é coisa que não surpreende."


Paulo Venancio Filho

VENANCIO FILHO, Paulo. Franz Weissmann: peripécias do plano. Veredas, Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, ano 3, n.34,
p.7-8, out. 1998.