No planeta e fora dele, há elementos vários que motivam Anelis Assumpção: da natureza ao grande mistério de existir; da fenda abissal do mar ao leite materno; das gerações mais velhas aos filhos novos; da memória à crença em um plano invisível ao humano; das batalhas políticas às lutas de amor; da canção ao pé do ouvido ao conhecimento. O gosto pela vida é o sumo que impulsiona os passos da artista, inclusive aqueles que a levaram ao espetáculo Taurina, sequência que abarca o repertório do álbum homônimo.

Além da fusão harmônica entre som e domínio simbólico, os números do dia 25 de agosto trazem uma convidada: Tulipa Ruiz. Filhas de pais amigos, Itamar Assumpção e Luiz Chagas, as duas cresceram juntas. “Tulipa é uma pessoa muito importante para mim. Assim como eu, ela carrega a raiz de uma obra mais intelectual talvez, menos óbvia. Ela rompeu uma bolha da marginália e aí está com sua capacidade vocal que me assombra”, comenta a anfitriã.

Respiração própria

A origem familiar de Anelis deu a ela, desde pequenina, tal intimidade com a música que as melodias eram sincronizadas ao respirar. Lá pelos 9 anos, a menina começou a prestar atenção nos timbres que a envolviam. Aos 17, foi levada ao palco por seu pai. “Mas demorei bastante para reconhecer e aceitar que seguiria pela música”, relembra a intérprete. Trabalhou na televisão, integrou a banda DonaZica – mas só quando migrou para a carreira solo se sentiu, de fato, imersa em sua musicalidade, na certeza de que seria impossível caminhar por outra trilha. Nesse processo de descobrimento, percebeu também que o seu corpo lhe oferece um leque imaginativo: entoar, escrever, refletir sobre mil conteúdos de mil maneiras distintas. “Mantenho esse estímulo aquecido, esse estímulo chamado criatividade”, pontua.

É certo que as escavações por um eu criador independente não foram fáceis assim: “Há privilégios e pesos em ser filha de um nome forte da cultura brasileira”, confessa Anelis. Entre chances abertas e algumas oclusas, às voltas com utilizar ou não o sobrenome famoso e de associação ligeira, do orgulho do clã à assertiva do mérito pessoal, do desejo de colaborações femininas e encontros com gente querida: “Estou tentando entender meu lugar no Brasil e nesta indústria fonográfica falida de hoje”, afirma. E completa esse universo de busca e alcance, identificação: “Como mulher, como mãe, como negra, vejo o que é o justo e o que não é. Alinho-me ao pensar, à abertura de reconhecimentos que, até há pouco, não existiam, aos direitos”.

Eis uma aliança de propósitos que se encontram arraigados em tudo o que Anelis faz, em tudo o que Anelis é: no disco Taurina (2018), nos shows, nos laços… No próprio respirar.

Anelis Assumpção [com interpretação em Libras] | INGRESSOS ESGOTADOS
sábado 25 de agosto de 2018
às 21h
[duração aproximada: 90 minutos]

[classificação indicativa: 12 anos]

ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)
 

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