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  Agostini, Angelina (1888 - 1973)  

Biografia
Angelina Agostini (Rio de Janeiro RJ 1888 - Idem 1973). Pintora. Inicia seus estudos de arte com o pai, o ilustrador e caricaturista Angelo Agostini (1843-1910). Entre 1906 e 1911, é aluna de Zeferino da Costa (1840-1915), Baptista da Costa (1865-1926) e Eliseu Visconti (1866-1944), na Escola Nacional de Belas Artes (Enba). A partir de 1911, estuda no ateliê de Henrique Bernardelli (1858-1936). No mesmo ano, recebe menção honrosa na 18ª Exposição Geral de Belas Artes. Nos dois anos seguintes, participa da 19ª e 20ª edições da mostra e ganha, respectivamente, a pequena medalha de prata e o prêmio de viagem à Europa, com a tela Vaidade. Viaja para a Europa em 1914, estabelecendo-se em Londres. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), presta serviços assistenciais como voluntária da Cruz Vermelha, o que lhe vale o reconhecimento do governo britânico. Expõe na Royal Academy of Arts [Real Academia de Artes], na Society of Women Artists [Sociedade de Mulheres Artistas], no Imperial War Museum [Museu Imperial de Guerra] e na Huddersfield Gallery, todos em Londres. Também apresenta trabalhos no salão da Société Nationale des Beaux Arts [Sociedade Nacional das Belas Artes], no Salon des Tuileries e no Salon de l'Amérique Latine [Salão da América Latina], em Paris. De volta ao Brasil, ganha a medalha de ouro no Salão Nacional de Belas Artes (SNBA) de 1953 e é membro do júri da mostra em 1957. Nesse mesmo ano, figura na exposição O Nu na Arte, do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), Rio de Janeiro.

Comentário Crítico
Há três quadros de Angelina Agostini na coleção do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA). Um retrato, um auto-retrato e a tela Vaidade, de 1913. Esta, que lhe vale o prêmio de viagem à Europa e é tida como sua obra mais importante, mostra uma mulher sentada de costas, diante do espelho, de camisola, com a alça esquerda caída sobre o braço. O penteado ainda está feito, com um laço vermelho. À sua esquerda, no primeiro plano, um espartilho jogado é o ponto mais luminoso da tela. O olhar expressa o que poderia ser uma melancolia sorridente, ou cansaço depois de uma noite agradável. A tela é bastante escura, mas o desenho e a fatura são corretos.

O auto-retrato é igualmente escuro. O desenho continua sem defeitos, embora a pincelada não seja uniforme. A pintora usa um chapéu preto de aba larga e redonda. Seu rosto está inclinado e só metade dele está na luz. Ela não olha diretamente para frente, mas seu olhar é vivo e seu rosto expressa um vago sorriso.

Como diz o crítico José Roberto Teixeira Leite, na obra da artista, em geral o desenho é exato e o colorido sóbrio, mas suas composições pecam pelo conservadorismo.1  No entanto, se não recebe muita atenção da crítica, é porque seus contemporâneos estão pouco acostumados à presença feminina na arte. Quando a mencionam, se atêm ao fato de ser mulher pintora.

Assim faz o crítico Carlos Rubens, que trata da premiação da pintora sem abordar objetivamente os quadros. Em seguida, explica que com o desenvolvimento da sociedade e a diminuição dos preconceitos, a mulher pôde evoluir na arte, tornando-se mais atual e mais humana, saindo para pintar e não mais se restringindo à cópia de outros quadros.2

Esta última observação realmente se aplica ao caso de Angelina, que produz retratos e, segundo consta, também composições inspiradas na Primeira Guerra Mundial, o que resulta em comentários simpáticos da crítica londrina e parisiense.3

No entanto, hoje, e apesar da presença no MNBA, a artista continua a ser lembrada pelo fato de ser mulher e pela temática feminina. Na exposição de 2004, O preço da sedução: do espartilho ao silicone, a tela Vaidade é ressaltada por retratar um momento de intimidade, em que a mulher aparece confortável, sem as vestes impostas pelas convenções sociais.

Notas
1 LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário Crítico da Pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988, p. 14

2 RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Nacional, 1941, p. 238.

3 AYALA, Walmir; CAVALCANTI, Carlos. Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Apresentação de Maria Alice Barroso. Brasília: MDC/INL, 1973-1980, p. 38.



Atualizado em 19/07/2011