Comentário Crítico
A produção inicial de Carlito Carvalhosa já revela uma preocupação construtiva, buscando vínculos entre a dimensão expressiva da matéria e a forma. Em quadros realizados com cera, no fim dos anos 1980, o artista explora a maleabilidade e o caráter translúcido da matéria. O olhar do espectador se perde, não encontrando um ponto de apoio definitivo. Essa ambigüidade também se revela nas esculturas, cuja colocação no espaço sugere sempre uma posição precária, gerando um desconforto para o olhar. O artista utiliza predominantemente materiais maleáveis, miméticos e de cores branca ou translúcida. Como nota o crítico Lorenzo Mammì, o resultado final revela o processo de construção da obra, mas também o falsifica, alterando dados sobre as propriedades dos materiais.
Como nota o crítico Rodrigo Naves, nas "ceras perdidas", realizadas entre 1994 e 1995, a plasticidade da cera assegura a evidenciação do processo construtivo, por meio da lembrança dos cilindros que as moldaram. Nas esculturas de porcelana, criadas em 1996 e 1997, associa o aspecto orgânico à rigidez e à aparência asséptica do material. Como aponta ainda Naves, nessas esculturas a percepção do espectador se alterna entre as várias propriedades das peças, sem chegar a uma unidade harmônica. Na opinião do crítico, na produção do artista ocorre uma espécie de convívio cindido entre aspectos formais que deveriam se apresentar unificados, e nisto reside o incômodo, mas também o interessante de sua obra.