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  Pinheiro, Chaves (1822 - 1884)  

Biografia
Francisco Manuel Chaves Pinheiro (Rio de Janeiro RJ 1822 - idem 1884). Escultor, professor. Começa a estudar escultura na Academia Imperial de Belas Artes - Aiba, Rio de Janeiro, com Marc Ferrez em 1833. Participa diversas vezes das Exposições Gerais de Belas Artes, entre 1845 e 1879. Recebe medalha de ouro com o trabalho de gesso Alegoria à Libertação do Brasil, em 1845. Em 1850, ingressa como professor na Aiba, sendo nomeado substituto da cadeira de escultura, da qual se torna titular dois anos mais tarde, assumindo a vaga aberta com a morte de Francisco Elídio Pânfiro m 1851. Na Aiba, onde leciona até dois meses antes de morrer, são seus alunos Almeida ReisRodolfo Bernardelli, entre outros. É condecorado pelo imperador dom Pedro II com as insígnias da Ordem da Rosa, em 1859. Participa da Exposição Internacional de Paris em 1867, e exibe a escultura equestre de gesso de dom Pedro II na rendição de Uruguaiana, seu mais importante trabalho de estatuária. Em 1872, realiza a escultura Índio Simbolizando a Nação Brasileira, um dos mais característicos exemplos do indigenismo nas artes visuais brasileiras. É também autor de dois alto-relevos de madeira sobre a vida de São Francisco de Paula e dos 12 apóstolos, feitos para a Igreja de São Francisco de Paula, além de outros trabalhos decorativos, realizados por encomenda, para a Igreja de Nossa Senhora da Glória, no Largo do Machado, as matrizes do Engenho Novo e de São Cristóvão e para o Hospital da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro.

Comentário crítico
A obra escultórica de Chaves Pinheiro, executada ao longo das décadas de 1840 a 1880, compõe-se basicamente de bustos, esculturas pedestres e eqüestres, alegorias e relevos arquitetônicos decorativos.  Boa parte de sua produção é executada por encomenda do governo imperial. É este o caso de um de seus mais conhecidos trabalhos, a escultura eqüestre em gesso de dom Pedro II (1825 - 1891). O modelo em gesso foi apresentado na Exposição Geral de Belas Artes da Academia Imperial de Belas Artes - Aiba em 1866. A obra merece destaque no discurso do então diretor da Aiba durante a solenidade de distribuição dos prêmios, por suas proporções grandiosas e pela semelhança ao modelo original. Em 1867, é exibida na Exposição Internacional de Paris. Entretanto, a escultura nunca chega a ser fundida em bronze. Por perturbar o cotidiano da Aiba, devido a suas grandes dimensões, com 2,80 metros de altura e 3 metros de comprimento, foi transferida em 1882 para o Asilo dos Inválidos da Pátria. Em 1922, quando da fundação do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, Taunay a manda buscar e colocar na sala referente à Guerra do Paraguai.

Chaves Pinheiro também realiza duas esculturas pedestres de dom Pedro II, para a Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e para a Casa da Moeda, além de uma diversidade de bustos e esculturas em mármore e bronze, de que são exemplos os bustos de Maximiano Mafra (1823 - 1908), Antonio Nicolau Tolentino e Tomás Gomes dos Santos, todos diretores da Aiba. É ainda de sua autoria a escultura em bronze do ator João Caetano. A obra, que participa da Exposição da Filadélfia em 1867, hoje se encontra em frente ao teatro do mesmo nome, no Rio de Janeiro.

Tal como na escultura eqüestre do imperador Pedro II, em que a figura imponente do monarca montado em seu cavalo, vitorioso, simboliza a glória e a grandeza do regime, a vinculação com a governo imperial é evidente também em outros trabalhos alegóricos.  O mais célebre deles é a escultura em terracota, pertencente ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes - MNBA, Índio Simbolizando a Nação Brasileira, de 1872, considerado pela antropóloga Lilia Schwarcz "o documento mais emblemático de sua geração ao embutir no título da obra a intenção do projeto indigenista".1 Nesta obra, o índio, símbolo nobre de nossa origem e distintivo da singularidade brasileira, é representado com a postura corporal de um imperador. Em vez de suas armas, de seu arco e flecha, carrega nas mãos o cetro da monarquia e um escudo com o brasão imperial. Veste, além da tanga e do cocar, o manto imperial que lhe cobre a nudez.

Além da clara influência do indianismo, corrente artística e literária marcante durante o século XIX brasileiro, a alegoria do Império de Chaves Pinheiro, viril e imponente como uma escultura grega, guarda afinidades estilísticas com a estatuária européia neoclássica como foi processada no país a partir da vinda da Missão Artística Francesa. É importante ressaltar que o principal mestre do artista é o escultor francês Marc Ferrez integrante da Missão. Nota-se também uma certa falta de movimentação da figura, talvez pelo empenho em fazê-la parecer solene, que lhe confere um aspecto demasiadamente posado e artificial.

As alegorias eram bastante comuns na arte do período, quando o mecenato do Estado apresentava-se como praticamente a única alternativa para o desenvolvimento de uma carreira artística. A trajetória de Chaves Pinheiro é um exemplo característico da vinculação das artes acadêmicas ao projeto político imperial pelo fato de a escultura ter uma nítida função de celebração dos fatos históricos e de valorização da nação brasileira, que então se constituía, por meio da criação de monumentos oficiais.

Os aspectos temáticos de sua obra também permitem perceber uma inclinação romântica, pela tendência em explorar motivos heróicos, alegorias, e certa dose de ufanismo, ainda que as características formais tornem mais adequada sua classificação dentro do convencionalismo acadêmico. Possuem obras do artista as coleções do MNBA, do Museu Histórico Nacional - MHN e da Escola de Belas Artes da  Universidade Federal do Rio do Janeiro - EBA/UFRJ.

 

Nota
1 SCHWARCZ, Lilia. As barbas do imperador - D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras: 1998. p.147.



Atualizado em 09/10/2013