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Niemeyer, Oscar (1907 - 2012)
Biografia Comentário Crítico Oscar Niemeyer é o arquiteto moderno brasileiro de maior renome internacional. Em 1929, matricula-se no curso de arquitetura da Enba. Considera a formação insatisfatória. Ao se formar, em 1934, procura Lucio Costa e Carlos Leão (1906-1983), com quem faz estágio. Naquele escritório, aprende os fundamentos da arquitetura moderna e toma gosto pelas construções coloniais luso-brasileiras. Para Niemeyer, Costa é seu principal mestre. Diz ser "devedor de sua orientação arquitetônica, de suas relações com a técnica e a tradição brasileiras e, principalmente, do exemplo de correção e ideal que oferece, a todos que dele se acercam".1 Em 1935, o estúdio de Costa e Leão é fechado. Niemeyer passa a trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN). Em 1936, por indicação de Lucio Costa, é chamado para acompanhar, como desenhista, Le Corbusier no Rio de Janeiro. O mestre europeu vem ao país para realizar a primeira Cidade Universitária do Brasil, a pedido do Ministério da Educação. Na época, suas idéias já têm considerável influência sobre os arquitetos modernos do Rio de Janeiro. Segundo Lucio Costa, os escritos de Corbusier são "o livro sagrado da arquitetura moderna brasileira".2 Niemeyer convive intensamente com Le Corbusier. Absorve o seu rigor formal e a liberdade do seu desenho. Interessa-se por sua concisão arquitetônica e pela idéia do edifício como uma unidade escultural. Apesar do empenho, o projeto para a Cidade Universitária é rejeitado. Le Corbusier, no entanto, também esboça um edifício para o futuro Ministério da Educação e Saúde, que é aprovado como modelo do prédio a ser construído no centro do Rio de Janeiro a partir de 1936. O grupo de arquitetos, composto por Affonso Eduardo Reidy (1909-1964), Carlos Leão, Ernani Vasconcelos (1912-1989), Jorge Moreira (1904-1992), Lucio Costa e Oscar Niemeyer, é chamado para a construção e adaptação do projeto. Niemeyer propõe mudanças importantes para a obra. Sugere o prolongamento dos pilotis, a substituição das janelas por brise soleil e a troca do teto por um terraço-jardim. As modificações são acatadas, compondo um dos primeiros marcos da arquitetura moderna no país. Durante a construção do prédio do Ministério, Niemeyer realiza seus primeiros trabalhos. Em 1937, faz a primeira obra individual: a creche Obra do Berço, Rio de Janeiro. Dois anos depois é convidado por Lucio Costa para auxiliá-lo no projeto do Pavilhão Brasileiro na Feira Internacional de Nova York. Na obra, o ondulado do mezanino, entre as colunas, já insinua a predominância da curva na arquitetura de Niemeyer. Em 1940, a convite do prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitscheck, projeta um conjunto de construções sofisticadas para o bairro da Pampulha. Faz a Casa do Baile, o Iate Clube, a Igreja de São Francisco e o Cassino. Para ele, a Pampulha é o "começo de sua vida de arquiteto".3 É onde rompe com a ortodoxia do funcionalismo e a monotonia das estruturas retilíneas, em nome de formas livres, curvas e sensuais. Assim, "se o prédio do Ministério, projetado por Le Corbusier, constituiu a base do movimento moderno no Brasil, é à Pampulha que devemos o início de nossa arquitetura voltada para a forma livre e criadora (...)".4 Na realização da Pampulha, Niemeyer conta com a importante colaboração do engenheiro Joaquim Cardozo (1897-1978) e do paisagista Burle Marx (1909-1994). Em 1945, a militância de Niemeyer no Partido Comunista Brasileiro (PCB) toma boa parte de seu tempo. Dois anos mais tarde, é convidado para participar da comissão, dirigida pelo arquiteto Wallace Harrison, que desenha a futura sede da ONU. O projeto, junto com o de seu mestre Le Corbusier, é escolhido como base do conjunto.5 Apesar da perseguição política, Niemeyer consolida seu prestígio. Em 1949, é nomeado membro da American Academy of Arts and Sciences. No início da década de 1950, o debate crítico em torno da obra de Niemeyer se intensifica. O arquiteto greco-americano Stamo Papadaki publica a primeira monografia sobre a obra do arquiteto carioca, em 1950.6 Três anos mais tarde, importantes arquitetos analisam seus projetos: Walter Gropius (1883-1969) e Max Bill (1908-1994). O último o ataca violentamente; critica, sobretudo, a dissociação entre forma e função.7 No mesmo ano, Niemeyer é convidado por Ciccillo Matarazzo (1898-1977) para construir o complexo do Ibirapuera, em São Paulo. O concreto armado já é o mais importante material que utiliza, por aceitar as formas leves e ousadas do arquiteto. Os vãos desses prédios tornam-se ainda mais largos e as colunas, mais estreitas; os pontos de apoio são delicados; o conjunto tem um aspecto leve e curvilíneo. No entanto, durante a construção, o projeto é bastante modificado, incomodando o arquiteto. Em 1956, Juscelino Kubitscheck, já presidente da República, convida Niemeyer para projetar os prédios públicos de Brasília, futura capital do Brasil. Inicia o projeto um ano depois. De acordo com o arquiteto, os edifícios de Brasília são uma tomada de posição contra os limites do funcionalismo e o envelhecimento de algumas fórmulas da arquitetura moderna. Sua "preocupação fundamental consiste em conceber um elemento novo e diferente, que não copiasse os modelos habituais nos quais a arquitetura moderna se atola, mas que suscitasse um sentimento de surpresa e emoção (...) Só a sua beleza plástica nos comove, verdadeira mensagem permanente de graça e poesia".8 Em 1958, Niemeyer é nomeado arquiteto-chefe da construção de Brasília. Fecha seu escritório e parte para o Planalto Central. A cidade é inaugurada em 1960. Os prédios causam admiração. O escritor André Malraux diz que as colunas do Palácio da Alvorada "são o evento arquitetônico mais importante desde as colunas gregas".9 Le Corbusier acha Brasília "magnífica de invenções, de coragem e de otimismo".10 A partir dos anos 1960, realiza projetos em Beirute, Paris, Tel Aviv e Argel. Está em Portugal quando fica sabendo do golpe militar de 1964. Ao voltar ao país, sofre perseguições constantes da ditadura militar. Muitos de seus projetos são interrompidos. A violência faz o arquiteto voltar a sua carreira para o exterior, onde obtém muito êxito. Em 1965, o Museu de Artes Decorativas do Louvre expõe seus projetos. Dois anos depois, é convidado para projetar a nova sede da Editora Arnaldo Mondadori nos arredores de Milão. Niemeyer atende ao pedido do proprietário, Giorgio Mondadori, e cria um conjunto monumental. A obra é centrada em um longo edifício de vidro e aço "envolvido por um sistema de grandiosos arcos de concreto com vãos de larguras diversas que dão ritmo à fachada".11 Em 1968 realiza ambicioso projeto para a Universidade Constantine, na Argélia, que custa a ser terminado. Trabalha muito na Europa. Seu prestígio é tanto, que, em 1974, o filósofo e sociólogo francês Raymond Aron (1905-1983) propõe sua entrada no Collège de France. No início dos anos 1980 realiza importantes obras públicas. A Casa da Cultura de Le Havre é inaugurada em 1982, na França. O conjunto é uma das obras mais escultóricas de Niemeyer. Sobre um amplo terreno, o arquiteto relaciona plasticamente grandes edifícios. No ano seguinte, o governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, o convida para criar a Passarela do Samba. A obra integra o sambódromo a um centro cultural, educacional e esportivo. Um de seus últimos trabalhos, o Memorial da América Latina, feito entre 1988 e 1989, em São Paulo, já não tem a mesma força dos projetos anteriores. Em 1991, desenha o Museu de Arte Contemporânea (MAC-Niterói), construído às margens da baía de Guanabara. Em 1997, ao completar 90 anos, recebe homenagens em todo país. Notas Atualizado em 11/12/2012 |
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