Comentário Crítico
Angeli desenha desde criança. Na adolescência, conhece o periódico O Pasquim e se interessa pelos cartuns de Millôr Fernandes (1923), Jaguar (1932) e Ziraldo (1932). Ele confessa que começou copiando o trabalho desses desenhistas. Na mesma época conhece quadrinistas como Robert Crumb (1943), Wolinski (1934) e Jean Marc Reiser (1941-1983), que o influenciam profundamente. Com 14 anos de idade, publica seu primeiro desenho, na revista Senhor. Em 1973, inaugura o espaço de charge política no jornal Folha de S. Paulo, em que permanece até 1982. Nesse intervalo colabora também com os periódicos Movimento, Versus e O Pasquim. Em 1975, fica em segundo lugar no 2º Salão Internacional de Humor de Piracicaba.
Em 1983, abandona a charge para se dedicar às histórias em quadrinhos. Na Folha de S. Paulo, deixa o caderno de política e passa para a Ilustrada, caderno de cultura, em que publica tiras de seus personagens ao lado de quadrinistas estrangeiros. Pouco depois, com o editor Toninho Mendes, funda a Editora Circo, destinada a quadrinhos adultos, sobretudo de autores brasileiros. Em 1984, a Circo lança o livro, Chiclete com Banana, reunindo as tiras de Angeli com alguns tipos urbanos criados para o jornal. O sucesso da publicação leva a editora a criar uma revista bimestral homônima, e, o primeiro exemplar vai para as bancas em 1985.
Angeli cria tiras e histórias em quadrinhos, com narrativas de situações tipicamente paulistanas, da boêmia e da vida cotidiana. Surgem aí personagens como Tudoblue e Moçamba, Mara Tara, Wood & Stock, Rê Bordosa, Bob Cuspe, Meia-Oito, Bibelô e Skrotinhos. Sua produção se afasta do tom politizado de suas charges e reencontra as influências do underground das décadas de 1960 e 1970, com abordagem ácida à crítica de costumes. Seu traço se torna mais sujo, aproximando-o de quadrinistas como o francês Vuilleimin (1958).
Na década de 1990, Angeli retorna à charge política na Folha de S. Paulo. Em 1995, a Editora Ensaio reúne algumas de suas tiras no volume FHC: Biografia Não Autorizada. O cartunista publica tiras diárias na Folha de S. Paulo e em mais 15 jornais brasileiros, e no Diário de Notícias, de Lisboa. Seu trabalho ganha cor. Além de charges e tiras, publica ilustrações, menos narrativas que os desenhos anteriores. Algumas das tiras desse período são reunidas nas coletâneas Wood & Stock, Sexo É uma Coisa Suja, Luke e Tantra e Os Skrotinhos, lançadas pela Editora Devir.