Biografia
José Antônio Van Acker (São Paulo SP 1931 - idem 2000). Pintor, desenhista, gravador, escultor e professor. Cursa a Escola de Belas Artes de São Paulo entre 1951 e 1954. A partir deste ano, estuda escultura em madeira com Laslo Zinner, até 1956. Entre 1964 e 1967, faz conferências sobre o barroco brasileiro nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, ministra cursos livres de apreciação artística, história da arte, escultura: modelagem em argila e talha em madeira e pedra, pintura e desenho em seu ateliê, a partir de 1969. Na década de 1970, torna-se professor de escultura na Faculdade Santa Marcelina (FSM) e de desenho, pintura, escultura e apreciação artística no Ateliê Arte Viva. Em 1980, passa a integrar o grupo Anacrônicos da Madrugada, realizando várias exposições pelo interior do Estado de São Paulo.
Comentário crítico
José Antônio Van Acker foi um dos membros do grupo Anacrônicos da Madrugada. Este grupo, criado na década de 1980 pelo crítico e historiador da arte Pedro Manoel Gismondi - também docente da Escola de Artes Plásticas de Ribeirão Preto -, contava com outros artistas ativos no interior de São Paulo, como Mário Bueno, Maria Helena Motta Paes, Raul Porto e Bernardo Caro. Juntos, foram responsáveis por mostras que itineraram por inúmeros municípios paulistas: Campinas, Ribeirão Preto, São Carlos, Catanduva, entre outras. Desse modo, o Anacrônicos da Madrugada alinhava-se ao duplo projeto de levar ao interior paulista uma arte de tendêncas modernas e, ao mesmo tempo, fomentar o diálogo estético com a capital. Esse duplo projeto fora iniciado e levado ao ápice primeiro pela Escola de Belas Artes de Araraquara e, em seguida, pela Escola de Artes Plásticas de Ribeirão Preto. Tendo em vista a origem paulistana de Van Acker, sua filiação a um grupo com atuação preponderantemente interiorana pode ser vista como mais uma das tentativas de entrelaçamento cultural do interior com a capital.
A pintura de van Acker tem um viés expressionista. Em seus trabalhos observa-se um cromatismo forte e vibrante, por vezes até mesmo estridente, que recusa a verossimilhança. As formas distorcidas e a gestualidade vigorosa unem-se à intenção de projetar na cena uma expressão individual.