lista alfabética
  busca
Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais
 
       
 
obras
biografia
histórico
textos críticos
depoimentos
fontes de pesquisa



  Exposições
individuais
coletivas



  sugestões

  Mavignier, Almir (1925)        

Biografia
Almir da Silva Mavignier (Rio de Janeiro RJ 1925). Pintor, artista gráfico. Inicia seus estudos com Arpad Szenes (1897 - 1985), Axl Leskoschek (1889 - 1975) e Henrique Boese (1897 - 1982) em 1945, no Rio de Janeiro. Entre 1946 e 1951, funda o Ateliê de Pintura e Modelagem da Seção de Terapêutica Ocupacional do Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro (atual Museu de Imagens do Inconsciente) com a psiquiatra Nise da Silveira (1905 - 1999). Acompanha os trabalhos desenvolvidos pelos internos Emygdio de Barros (1895 - 1986), Raphael (1912 - 1979) e Carlos Pertuis (1910 - 1977), entre outros. Após conhecer as teorias de Mário Pedrosa (1900 - 1981), pela tese A influência da teoria da gestalt sobre a obra de arte, inicia pesquisas na área da abstração. Em 1949, participa do primeiro grupo de arte abstrata do Rio de Janeiro, com Ivan Serpa (1923 - 1973), Abraham Palatnik (1928) e Mário Pedrosa. Organiza com Léon Dégand e Lourival Gomes Machado a exposição 9 Artistas do Engenho de Dentro, no Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP, em 1950, quando também realiza sua primeira individual, no Instituto dos Arquitetos do Brasil do Rio de Janeiro - IAB/RJ. No ano seguinte, viaja para Paris, onde freqüenta a Académie de La Grande Chaumière. Na Alemanha, entre 1953 e 1958, estuda com Max Bense e Josef Albers (1888 - 1976) na Hochschule für Gestaltung [Escola Superior da Forma] em Ulm, e mantém contato com Max Bill (1908 - 1994). Participa do Grupo Zero, entre 1958 e 1964, com Heinz Mack (1931), Otto Piene (1928), Yves Klein (1928 - 1962), Jean Tinguely (1925 - 1991). Projeta e organiza a exposição Novas Tendências, primeira mostra internacional de op art na Iugoslávia, em 1960. É professor de pintura na Hochschule für Bildende Kunste, em Hamburgo, Alemanha, entre 1965 e 1990.

Comentário Crítico
Almir Mavignier inicia aprendizado artístico nos cursos da Associação Brasileira de Desenho, em 1946. No mesmo ano, freqüenta o ateliê do artista húngaro Arpad Szenes (1897 - 1985), de quem recebe influência. Ainda nessa época, participa da fundação do Ateliê de Pintura e Modelagem da Seção de Terapêutica Ocupacional do Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro (atual Museu de Imagens do Inconsciente), criado pela psiquiatra Nise da Silveira (1905 - 1999). Lá, orienta internos como Raphael (1912 - 1979), Emygdio de Barros (1895 - 1986) e Isaac (1906 - 1966). Um ano mais tarde, Szenes volta para a Europa, e os cursos no seu ateliê passam a ser ministrados por Axl Leskoschek (1889 - 1975). Simultaneamente, Mavignier acompanha as aulas de Leskoschek e as do pintor alemão Henrique Boese (1897 - 1982). Pinta cenas de interiores e naturezas-mortas. Sua pintura é figurativa e lírica, guardando semelhanças com o trabalho de artistas franceses como Pierre Bonnard (1867 - 1947) e Édouard Vuillard (1869 - 1940).

Durante o aprendizado, aproxima-se de Ivan Serpa (1923 - 1973) e Abraham Palatnik (1928). Com eles, forma o primeiro núcleo de pintura abstrata do Rio de Janeiro. O interesse pela linguagem não-figurativa é despertado pelo contato com o crítico Mário Pedrosa (1900 - 1981). Segundo Mavignier: "A tese de Pedrosa A influência da teoria da Gestalt sobre a obra de arte me informou que o conteúdo de uma forma não se encontra na sua associação com formas da natureza. Esse conhecimento me permitiu abandonar uma pintura naturalista e iniciar uma pintura de pesquisas concretas de formas livres de associações".1 Em 1949, Mavignier faz a primeira aquarela abstrata: Estudo. Na seqüência, realiza pinturas com formas orgânicas geometrizadas, em que reduz o número de cores, mas mantém os meios-tons e a pincelada expressiva de seu trabalho figurativo.

Em 1950, viaja para São Paulo com Pedrosa, Palatnik e Mary Vieira (1927 - 2001) e visita a exposição do artista concreto suíço de Max Bill (1908 - 1994) no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Masp. Essa mostra é decisiva na formação de Mavignier. Naquele momento, entra em contato direto com a produção construtiva, que se torna sua influência central. No mesmo ano, realiza sua primeira exposição individual. Exibe pinturas abstratas e figurativas no Instituto dos Arquitetos do Brasil do Rio de Janeiro - IAB/RJ. Em 1951, monta outra individual no Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP, com trabalhos abstratos e, muda-se para Paris, com bolsa do governo francês. Freqüenta as oficinas da Académie de La Grande Chaumière. No ateliê do pintor abstrato Jean Dewasne (1921 - 1999) faz as primeiras telas concretas. Trabalha com esmalte sobre superfície de madeira. Os quadros são mostrados no Salão de Maio de 1952 e no Salão das Realités Nouvelles ambos em Paris, um ano depois.

Em 1954, começa seu curso de comunicação visual na Hochschule für Gestaltung [Escola Superior da Forma] em Ulm. Sua obra incorpora a estética e os procedimentos do concretismo de maneira sistemática. Nesse período de estudos, é influenciado pelo artista e professor Josef Albers (1888 - 1976). Como as de Albers, suas telas também se organizam por formas quadradas. Mavignier faz quadriláteros fragmentados por pontos de cor que compõem variações tonais ou de relevo. Em 1957, realiza seu primeiro cartaz, iniciando importante trajetória nas artes gráficas. Um ano depois, conclui o curso na Escola de Ulm e continua residindo na cidade, onde atua como pintor e artista gráfico.

Sua pintura, nos anos 60, aproxima-se da op art. Os trabalhos, como os da série Côncavo e Convexo, de 1962, são mostrados na Documenta de Kassel e na Bienal de Veneza em 1964. Em 1965, o artista participa da mostra Op Art, the responsive Eye, dedicada ao movimento, no Museum of Modern Art - MoMA em Nova York. No mesmo ano, muda-se para Hamburgo, onde começa sua carreira de professor na Hochschule für Bildende Künste [Escola de Artes Visuais], onde leciona até 1990. Sua primeira mostra retrospectiva é organizada em 1967, e montada em Munique e em Hanover. Em 1989, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP monta uma exposição com o trabalho gráfico de Mavignier. Cinco anos depois o artista tem parte de seu trabalho exibido na mostra Bienal Brasil Século XX. Em 2000, a pesquisadora Aracy Amaral monta uma exposição em homenagem aos 75 anos do artista, no MAM/SP. Mavignier se naturaliza alemão em 1981.

 

Notas
1 MAVIGNIER, Almir. Depoimento. In: AMARAL, Aracy (org.). Projeto construtivo brasileiro na arte: 1950-1962. Rio de Janeiro: MAM, 1977. p.177



Atualizado em 02/10/2013