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  Michalany, Cássio (1949)        

Biografia
Cássio Michalany (São Paulo SP 1949). Pintor, desenhista e professor. Estuda desenho com Luiz Paulo Baravelli (1942) e Frederico Nasser (1945) entre 1967 e 1968, em São Paulo. Exerce a atividade de professor entre 1969 e 1985, lecionando desenho no Curso Universitário, na Faculdade Farias Brito, no Instituto de Arte e Decoração - Iade e no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP). Em 1973, forma-se arquiteto pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP). Em sua produção, o artista parte da crítica à pintura como representação do mundo e volta-se às questões relativas ao espaço, cor, brilho e matéria. Suas primeiras obras mais significativas, realizadas entre 1979 e 1980, são pintadas sobre lona crua, apresentando áreas regulares e autônomas. Em 1983, realiza quadros monocromáticos. Durante a década de 1990, passa a apresentar, em suas séries, a permutação de faixas de cor. Em 2001, a editora Cosac & Naify publica o livro Cássio Michalany: pinturas, com texto do crítico de arte Rodrigo Naves.

Comentário Crítico
Em sua produção, Cássio Michalany parte da crítica à pintura como representação do mundo e volta-se às questões relativas a espaço, cor, brilho e matéria. As superfícies de seus quadros definem-se pela justaposição de telas. Para o estudioso Marco Antonio Amaral Rezende, Michalany constrói a forma pela cor, pelo recobrimento por igual de toda a superfície. Os limites das cores correspondem aos limites das telas.

O historiador da arte Rodrigo Naves diz que a pintura de Michalany procura encontrar cores e relações de cores que correspondam à sociabilidade contemporânea. Há em suas telas a tentativa de reverter a serialização que comanda o dia-a-dia, um mundo impessoal e delimitado. Suas primeiras pinturas mais significativas, realizadas entre 1979 e 1980, são feitas sobre lona crua, com áreas regulares e autônomas. O uso de valores tonais gera certo equilíbrio nas telas, certa convergência. Os quadros monocromáticos de 1983, com áreas pintadas em chassis e dimensões diferentes, prenunciam outros, com cores diversas e mais intensas, pintados no ano seguinte. Esses já não têm a harmonia dos anteriores. Na década de 1990, o artista começa a apresentar a permutação de faixas de cor, polemizando com a tradição artística e o uso simbólico das cores. Apresenta arranjos soltos e descompromissados, que se tornam visíveis pela existência de uma faixa branca que muda de posição em todas as séries. As telas parecem recusar uma determinação estabelecida, que as envolva em vínculos óticos.

O trabalho de Michalany parte de algumas propostas do minimalismo, como, por exemplo, na renúncia a formas complexas e diferenciadas. Entretanto, para Naves, com a repetição formal, o artista não quer encontrar um modo de representar pictoricamente as séries. Procura antes entender seu modo de funcionamento, ao revelar como a mudança de posição de uma cor altera toda a estrutura de um quadro. Segundo o historiador, pode-se considerar sua obra em âmbito mais amplo, que supõe o reconhecimento do lugar do outro e a consideração de que a posição que ocupamos no mundo só pode ser compreendida se são supostas também as outras posições.



Atualizado em 02/10/2013