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  Almeida Júnior (1850 - 1899)        

Biografia
José Ferraz de Almeida Júnior (Itu SP 1850 - Piracicaba SP 1899). Pintor. Ingressa na Academia Imperial de Belas Artes - Aiba, em 1869, onde tem aulas de desenho com Jules Le Chevrel (ca.1810 - 1872) e de pintura com Victor Meirelles (1832 - 1903). Conclui estudos em 1874, mas não concorre ao prêmio de viagem e retorna a Itu. Abre ateliê em 1875 e atua como retratista e professor de desenho. Em visita ao interior de São Paulo, o imperador dom Pedro II (1825 - 1891) impressiona-se com seu trabalho e concede-lhe uma bolsa de estudos para a Europa. Vive em Paris entre 1876 e 1882 e estuda na École National Supérieure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas Artes], sendo aluno de Alexandre Cabanel (1823 - 1889). Durante sua estada na capital francesa, participa de quatro edições do Salon Officiel des Artistes Français. Regressa ao Brasil em 1882 e expõe na Aiba as obras produzidas em Paris. Em 1883, instala ateliê em São Paulo. Em 1886, Victor Meirelles o convida para ocupar sua vaga na Aiba como professor de pintura histórica, mas o artista prefere permanecer em São Paulo. Uma parcela da crítica de arte brasileira o vê como o "pintor do nacional", pois, em suas telas figuram os costumes, as cores e a luminosidade regional, contrários à tradição eurocêntrica vigente na pintura acadêmica. Ao montar seu ateliê em São Paulo, em 1883, traz para a cidade paulista amadurecimento artístico e contribui para a formação de novos artistas, entre eles Pedro Alexandrino (1856 - 1942).

Comentário crítico
Almeida Júnior revela desde cedo inclinação para o desenho e pintura e aos 19 anos (1869) parte de Itu, sua cidade natal, para o Rio de Janeiro, com a ajuda financeira de parentes e amigos, a fim de ingressar na Academia Imperial de Belas Artes - Aiba. Durante a permanência nessa instituição, segue o caminho tradicional de formação de todo pintor acadêmico: freqüenta os dois anos de aulas obrigatórias da disciplina desenho, considerada preliminar para o aprendizado da pintura. Posteriormente, cursa matérias específicas como desenho geométrico e figurado, modelo vivo, pintura histórica, anatomia e fisiologia das paixões, estética e matemática aplicada. Entre seus professores contam-se Jules Le Chevrel (ca.1810 - 1872) e Victor Meirelles (1832 - 1903). Termina os estudos em 1874, destacando-se pela qualidade dos trabalhos realizados, como comprovam as condecorações recebidas em sua formação nas disciplinas desenho figurado, pintura histórica e modelo vivo e a medalha de ouro com a tela Belizário Esmolando, na última participação como aluno na Exposição Geral de Belas Artes da Aiba.

Sem concorrer ao prêmio de viagem, Almeida Júnior volta a Itu, São Paulo, no início de 1875. Oferece seus serviços em ateliê próprio como professor de desenho e pintor. Realiza uma série de encomendas, principalmente retratos. Entre eles, o de Antônio Queiroz Telles, presidente da Estrada de Ferro Mogiana e de Antônio Pinheiro de Ulhoa Cintra, vice-presidente de São Paulo. São essas obras as principais responsáveis pela bolsa de estudos de aperfeiçoamento no exterior oferecida ao artista pelo imperador dom Pedro II (1825 - 1891).

Às expensas do imperador, passa o ano de 1877 freqüentando aulas de desenho em Paris, ingressando na tradicional École National Supérieure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas Artes] em 1878. Faz um curso de três anos, tendo como principal professor Alexandre Cabanel (1823 - 1889), um dos maiores inimigos dos impressionistas. Essa estada serve mais para ratificar os valores aprendidos na Aiba e para o aprimoramento técnico (domínio do desenho e da geometria da composição, por exemplo) do que para efetuar uma mudança na orientação artística de Almeida Júnior. Participa do Salon Officiel des Artistes Français de 1879 a 1882, apresentando obras avaliadas como importantes em sua produção. Por exemplo, no Salão de 1880 expõe Derrubador Brasileiro (1879), considerada precursora do conjunto de quadros de temática regionalista (entretanto, ainda bem distante do caráter realista e da luminosidade das pinturas "caipiras").

Volta ao Brasil em 1882 e realiza exposição de suas obras européias na Aiba. Ao instalar nesse ano ateliê em São Paulo, torna-se um dos responsáveis pelo amadurecimento do meio artístico paulista, pois além de estabelecer uma relação mais moderna com o mercado local, promovendo vernissages exclusivos para imprensa e potenciais compradores ou redigindo textos informativos sobre os quadros, contribui para a formação de novas gerações de artistas, tendo sido Pedro Alexandrino (1856 - 1942) o mais bem-sucedido entre eles.

Em concomitância com outros gêneros de pintura, Almeida Júnior realiza na última década de sua vida o conjunto de telas de temática regionalista pelo qual viria conquistar definitivamente seu lugar na história da arte brasileira. Em pinturas como Caipiras Negaceando (1888), Caipira Picando Fumo (1893), Amolação Interrompida (1894), Apertando o Lombilho (1895), O Violeiro (1899) revela-se a admiração por pintores não-acadêmicos, mas de grande importância na França do século XIX, com o realista Gustave Courbet (1819 - 1877) ou Jean-Baptiste-Camille Corot (1796 - 1875). Há o desejo de aproximação realista ao cotidiano do homem do interior sem o filtro das fórmulas universalistas da pintura acadêmica. Por isso, não hesita em retratar o caipira em seu ambiente pobre e simples, em sua vida calma e triste, sem nunca ridicularizá-lo ou transformá-lo em personagem pitoresco.

Contudo, é preciso lembrar que apesar das inovações introduzidas nessas telas, começando pela temática, mas contando a luminosidade solar presente no clareamento da paleta e a gestualidade mais livre, Almeida Júnior não abandona as lições de desenho e composição geométrica de sua formação acadêmica.

Seus quadros caipiras e sua pintura de gênero, em geral com cenas do cotidiano burguês (por exemplo Leitura, de 1892) são bem aceitos pela burguesia empenhada na construção de uma imagem e história para si mesma, a história do povo paulista. Mas vale dizer que quase todos os críticos de arte contemporâneos e posteriores ao artista celebram nele o que vêem ser um primeiro arroubo do caráter nacional na pintura brasileira, até mesmo intelectuais em lados tão opostos como é o caso de Monteiro Lobato (1882 - 1948) e Mário de Andrade (1893 - 1945). A exceção comparece no crítico carioca Gonzaga Duque (1863 - 1911) em texto sobre o salão de 1904, no qual lamenta o fato de Almeida Júnior ter-se transformado num pintor pastoso, amaneirado e duro, criticando a "intermitente pretensão de fundamentar uma arte nacional com a pintura de costumes".



Atualizado em 20/09/2013
 
 
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