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Giorgi, Bruno (1905 - 1993)
Críticas
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"(...) a monumentalidade saudável e mediterrânea, herdada de Maillol, tornou-se um dos pólos do progresso escultórico de Bruno Giorgi. Efetivamente, ainda no início dos anos 40, a linguagem do escultor brasileiro está muito perto da de seu mestre francês, embora já se manifeste a liberdade com que ele se moverá sempre em meio ao prolífero universo das formas. E também se verifica seu interesse pela temática brasileira, pelo tipo nativo, o que o conduz a audaciosas conjugações do clássico ou do arcaico com o moderno. É um período de tateamento e busca de seu próprio caminho, que se revelará, no curso dos anos, um processo não-linear de afastamento da forma humana natural e de libertação da velha tradição européia".
Ferreira Gullar
GULLAR, Ferreira. Bruno Giorgi ou o fascículo das formas. In: BRUNO Giorgi. São Paulo: Art Ed. ; Rio de Janeiro: Record, 1980. p. 14.
"O pensador alemão Max Bense identificou três momentos na obra de Giorgi. A fase figurativa, em que trabalha a forma humana idealizada e hierática. Outra, vegetativa, em que mantém a figura, usa hastes para sua construção e preocupa-se com o dinamismo do conjunto. E uma fase tectônica, em que chega à abstração e dá caráter arquitetônico à obra. Na verdade tais fases são aberturas de possibilidades novas, que não impedem a retomada de aspectos anteriores. O modo como abordou a figura humana em vários momentos trai a influência de Maillol: os volumes cilíndricos, a pose hierática e a idealização arcaizante, em certas ocasiões fixando uma adolescência atemporal. A superfície lisa da escultura de Maillol se opõe por vezes à aspereza do bronze de Giorgi. A idealização classicizante de Maillol contrasta com a mestiçagem das figuras de Giorgi - olhos de índio e contornos arredondados de mulato. O uso que faz ora de formas esguias, ora opulentas, na década de 50, condicionou um crescente encaminhamento para a abstração, sem o abandono do caráter monumental. As alterações que passou a impor à forma e à apropriação dos vazios trouxeram maior movimento à sua escultura e aproximaram suas soluções das alcançadas por Henry Moore. Porém não impediram o surgimento sincrônico de peças caracterizadas por maior convencionalismo e estaticidade. A investigação de formas abstratas que acrescentou a seu trabalho, nos anos 60, não barrou o surgimento de torsos femininos em pedra e de trabalhadores em bronze nos anos 80".
Maria Isabel Branco Ribeiro
RIBEIRO, Maria Isabel Branco. A escultura de Bruno Giorgi. Guia das Artes, São Paulo, v. 26, p. 62-66, ago. /set. 1991.
"Max Bense dividiu a escultura de Bruno Giorgi em clássico-figurativa, barroco-vegetativa e arcaico-tectônica, ou mais simplificadamente, em estática, dinâmica e tectônica. Fases que correspondem, respectivamente, às décadas de 40, 50 e 60. Na primeira fase, ainda muito marcada pelo aprendizado acadêmico, e na qual abundam bustos e retratos, os corpos femininos ora se tornam pesados e gordos, um 'renoirismo escultural', como observou Mario Schenberg, ora se alongam, quase líricos. Mas a obra maior do período continua sendo seu Monumento à Juventude. 'Repara o que há de juvenil nestas figuras, de sadio, de feliz, de alegria. E, no entanto, transpira um sentimento de dignidade, e elas são graves e nobres', anotou Mário de Andrade num bilhete que enviou ao ministro Gustavo Capanema, que encomendara a obra. Enfim, uma figuração ao mesmo tempo viril e sensual, mas principalmente saudável e otimista, como a de seus colegas do ateliê da Biblioteca Nacional".
Frederico Morais
MORAIS, Frederico. O campo tridimensional: esculturas, relevos, objetos e instalações. TRIDIMENSIONALIDADE: arte brasileira do século XX. 2. ed. São Paulo: Itaú Cultural : Cosac & Naify, 1999. p. 228-229.
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Bulcão, Athos (1918 - 2008)
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