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  Stockinger, Francisco (1919 - 2009)        

Críticas

"Podemos dividir a trajetória de Stockinger em duas etapas: na primeira, lança-se numa linha expressionista, embora com características próprias. Recebe a lição dos mestres da Alemanha, à qual acrescenta influências hauridas em diferentes fontes. Aos poucos, abandona a linha sensual de Maillol, que seu mestre lhe transmitira (Bruno Giorgi). Envereda por um caminho áspero, marcado por uma espécie de rebeldia, inconformismo e denúncia. Para tornar mais patética sua agressividade, e também mais comunicativa e universal, encarna-se em mitos, que vai buscar em duas matrizes: na dos arquétipos coletivos, presentes na humanidade desde a Pré-História, e na regional, que lhe fornece uma sorte de impressão digital, permitindo-lhe, por um lado, perenizar aspectos de uma tradição assinalada por mais de cem anos de resistência a violações de fronteira e, por outro, recriá-la à altura das novas exigências sociais. Que resulta de tudo isso? Uma iconografia, isto é, um sistema de imagens à semelhança da terra, gente e lendas do Sul, e uma expressão que, por vezes, se eleva à grandiosidade da criação épica e, outras, se tinge de um lirismo que mesmo suas mais veementes realizações não logram elidir".

Armindo Trevisan

TREVISAN, Armindo. Escultura. In: STOCKINGER. São Paulo: Prêmio, 1987. p. 67.


"Na década de 70, aproximadamente, Xico cria os drapeados. E retoma com eles os volumes compactos. Então, interfere de modo mais intenso na matéria e também alcança aí maior inventividade. Ora ele cria ritmos verticais desdobrados de um bloco principal liso, ora cinzela planos horizontais articulados em panejamentos ou em leque de seções que parecem deslizar sobre si próprias. Por vezes, inventa um jogo que brinca com a rigidez e o peso da pedra, trabalhando algumas zonas para expressar solidez e outras que parecem ceder e se enrugar à ação dessa força. Ou, ainda, obtém eficientes armadilhas de captar luz e sombras ao ´amassar´ o mármore como folha de papel, inserindo nele o contraponto de compactos cubos.
Essas obras são as mais radicalmente abstratas de Xico. É nesse momento de sua produção em mármore que ele vai mais longe na aventura de buscar essencialidade. A redução extrema de elementos resulta na potencialização do impacto visual. Algumas dessas peças tangenciam ou mesmo mergulham no neoconcreto. É o instante mais cerebral. Logo o escultor irá refluir para os sentidos, para o erótico, e criar as colunas.
Com elas, por fim, Xico faz uma síntese de elementos que percorrem sua obra em pedra e, mesmo, se apropria de algo do ferro. As figuras hieráticas dos guerreiros têm aqui sua tradução abstrata. Há as pequenas crateras e bolhas lunares, os panejamentos. Tudo para criar outra coisa: essa dúbia natureza de arquitetura clássica greco-romana e insinuação fálica".

Angélica de Moraes

STOCKINGER. São Paulo: Prêmio, 1987.  p.117.


"Quando Stockinger decide trabalhar a escultura em metal, tarefa que o seduz entre os anos 60 e início de 70, trata-se de adequação às imagens que transpõe da xilogravura. Antes, recorria à argila. São obras que beiram a cosmovisão da figuração expressionista. Figuração despojada, com deformações e simplificações destinadas a enfatizar massas e volumes. São criaturas hirsutas (...), dominadas por um sentido de verticalidade, com forte dose de monumentalidade. Seus touros, guerreiros ou sobreviventes são entes carregados de tensão introvertida, com músculos e nervos à mostra, texturados através de intrusões de tecidos ásperos, de madeiras, de peças de máquinas. São as adições ou os contrastes de matérias retemperadas com o elemento fogo. O resultado são deformações, alongamentos, crueza desconcertante. Apesar da conotação de agressão, de dor com que são propositadamente criadas, essas silhuetas retorcidas, torturadas, feridas - apesar disso - solicitam o tato. É um impulso que extrapola o próprio metal que o artista conhece e domina na intimidade, por meio do ´trabalho contínuo, diário, do aperfeiçoamento artesanal e do desenvolvimento da sensibilidade´".

Elvira Vernaschi

AMARAL, Aracy (Org. ). Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo: perfil de um acervo. São Paulo: Techint Engenharia, 1988. p. 273.


 
 
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