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  Soares, Genilson (1940)  

Críticas

"A obra de Genilson Soares sempre se caracterizou pela utilização de linguagens não convencionais. Suas instalações partem da correção de perspectivas num ambiente dado, provocando a ruptura das percepções visuais. (...) Procurando registrar a luz enquanto linha, feixe, trajetória, brilho, transparência, refração, decomposição, esta preocupação resultou também em aquarelas e obras gráficas, onde a imagem simbólica do real está vinculada à suavidade da passagem das cores e à construção rigorosa. Concentrando seus experimentos na observação e registro da cor e na policromia resultante da variação de incidência da luz, Genilson Soares coloca para o observador a dualidade da luz absorvida e a refletida. Esta instalação foi enriquecida com a utilização de objetos onde, aproveitando-se das relações em três dimensões, a perspectiva se submete a ritmos sempre oscilantes. A disposição desses objetos no espaço cria uma visualização de rotação indicada pela orientação e projeção das peças tridimensionais. A questão do movimento está implícita em todas as obras anteriores de Genilson (série MOVIMENTOS DA LUZ, iniciada em 1979) (...). O trabalho de Genilson Soares sofre da particularidade de ser "instável" enquanto projeto. Dependendo das condições locais e das próprias relações que se estabelecem no ato da montagem, pode-se ter um outro resultado. Esta consciência está presente na receptividade do artista para as várias interferências que porventura os objetos, cores, planos, linhas, venham a oferecer".

Rosita Gouveia

GOUVEIA, Rosita. Genilson Soares. Arte em São Paulo, n. 19, out. 1983.


"Genilson, há quase 20 anos residindo em São Paulo, onde o ambiente industrialista da cidade é não apenas o elemento motivador como condicionador, há dez anos trabalhava como projetista de espaços ilusórios/reais, em experiência profissional que dividia também com Lidia Okumura e Francisco Inarra. Manipulador de espaços, que se convertiam em ilusórios, em particular quando fotografados em dubiedade intrigante, Genilson atua em articulação muito próxima com a de projetos arquitetônicos, em valorização do desenho como traço definidor de áreas especiais, a cor comparecendo como complemento pálido em relevos que hoje realiza tendo o muro como suporte, ou em objetos aos quais já incorpora materiais diversos como a madeira, o eucatex e o cobre. E nessa apresentação sobre o muro mantém-se coerente na relação de suas criações com o meio ambiente".

Aracy Amaral

A mão afro-brasileira: significado da contribuição artística e histórica. Joel Rufino dos Santos. Tenenge. Emanoel Araújo. ARAÚJO, Emanoel. São Paulo, Tenenge, 1988.