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  Prazeres, Heitor dos (1898 - 1966)      

Críticas

"Se há um homem que não precisava ser pintor era esse, cuja vida e amores já conta de maneira tão boa em outra arte, mas sua riqueza interna veio ganhar na pintura uma expressão irmã do samba, e seria fácil reconhecer o ritmista na composição dos quadros, o 'envernizador técnico' no seu acabamento caprichado, o boêmio nos motivos malandros que o inspiram. Ele não faz pintura 'do Partido Alto', para deleite dos ricos, nem traz para a tela as cenas das macumbas e candomblés que freqüentou, apenas conta essa vida solta e heróica de cavaquinho na mão e cachaça e mulata, sua vida de seresteiro e trovador de muitas conquistas 'não pela cara que tenho, mas pela conversa que eu sei fazer'".

Rubem Braga

BRAGA, Rubem. Três Primitivos. Rio de Janeiro, Ministério da Educação/Serviço de Documentação, série Os Cadernos de Cultura nº 63, 1953, p. 14.


"Sua arte consiste numa visão clara e ingênua de um mundo ideal; até o contorno das figuras parece representar visualmente a distância que existe entre elas e a realidade. Tais figuras, com raríssimas exceções, são retratadas com o rosto de perfil, mesmo quando o corpo aparece de frente ou de três quartos, e, pelo fato de estarem sempre na ponta dos pés, sugerem movimento. São gente de toda cor, participando fraternalmente da mesma atividade: um ensaio, uma serenata, uma ciranda, uma cena campestre. Raras vezes Heitor focaliza aspectos tristes do cotidiano, ou alude a preconceitos. A minúcia microscópica, estendendo-se a todos os elementos do quadro, é uma característica constante, que confirma a irrealidade simplória da obra. As cores, vivas e chapadas em tonalidades únicas, sublinham a simplicidade desse mundo ideal. Fina camada de verniz arremata a obra, denunciando a profissão de 'envernizador técnico' exercida pelo pintor".

Pedro Manuel

E no Brasil. Apresentação de Pietro Maria Bardi e Pedro Manuel. São Paulo: Abril Cultural, 1979.


"A tônica dominante na pintura de Heitor está na vida e no samba carioca da Praça Onze e dos Arcos da Lapa. (...)  Será que esse pintor, igualmente conhecido no cenário musical, teria sido mais compositor que artista plástico? Não há dúvida da importância que tem a música para esse artista: na sua pintura, o samba carioca faz ecoar os sons da África. Mas não se pode negar a força plástica desses personagens do povo, que cantam e dançam com o corpo virado para a frente e a cabeça para o lado. Essas figuras humanas bipolares de Heitor, bem como as cores contrastantes, particularmente na série das rodas de samba, fazem lembrar Di Cavalcanti. Sua declaração de que 'eu sou um ovo e o povo é a chocadeira' ilustra o espírito modernista de Heitor dos Prazeres".

Marta Heloísa Leuba Salum

MOSTRA do Redescobrimento: arte afro-brasileira. Nelson Aguilar, organizador/Fundação Bienal de São Paulo. São Paulo, Associação Brasil 500 Anos Artes Visuais, 2000, p. 116.