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Américo, Pedro (1843 - 1905)
Críticas
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"Afirmam os entendidos que até hoje não apareceu no Brasil um desenhista tão perfeito como Pedro Américo. Seu quadro Batalha do Avaí é considerado modelo de técnica. Outras maravilhas: O Grito do Ipiranga, David e Abisag e A Carioca. Este último quadro foi pintado na Europa e mandado de presente para o Imperador Pedro II. Trata-se de bela morena carioca, nua, banhando-se na Cascatinha da Tijuca. Verdadeira obra de arte e bom gosto. No entanto, o mordomo da Casa Imperial considerou o motivo licencioso para figurar na Galeria de Sua Majestade. O quadro foi devolvido e o grande pintor, ferido em seus brios, ofertou-o a Guilherme I, Imperador da Alemanha. Pelo gesto foi condecorado com medalha de ouro".
José Claudino da Nóbrega
NÓBREGA, José Claudino da. Paraíba pequena mas gloriosa. In: ______. Memórias de um viajante antiquário. São Paulo: Raízes, 1984. p. 84.
"O artista abandonou as cediças linhas da composição acadêmica, e compôs o sujeito como melhor entendeu, para transmitir mais diretamente a impressão recebida. Para alguns constitui esse modo de proceder um imperdoável erro, porque é desprezar os mais austeros princípios da arte. Se, entretanto, indagarmos bem da causa que provoca a impersonalidade em artistas de cuidados estudos e de inteligências assinaladas, acharemos como causa fundamental esses austeros princípios da arte, que tanto preocupam os críticos convencionalistas. Limitar o artista a copiar a linha da composição desse ou daquele mestre antigo, de Rafael ou de Rubens, de Leonardo ou de Rembrandt, é negar o direito do estilo, que é a afirmação da individualidade. Copiar dos mestres as obras-primas é procurar imitá-los, e a imitação não faz mais do que realçar o mérito do original. De resto, quem imita é porque não pode inventar. A composição do Episódio Militar de Campo Grande, um pouco tímida em certos pontos, é, contudo, a primeira fase desse estilo largo e vigoroso que vemos na Batalha do Avaí. Precisamos atender bem a um ponto de máxima importância. O estilo não é unicamente o toque. Uma mediocridade, como afirma E. Véron, pode ter o toque habilíssimo, e por esse fato jamais deixará de ser uma mediocridade. O estilo é o próprio artista visto através da sua obra, é o conjunto da sua obra: a expressão, o assunto, o toque, a linha e, sobretudo, a cor, é enfim o je ne sais quoi de que fala Fromentin na sua obra Les Maîtres d'Autrofois: N'y a-t-il pas dans tout artiste digne de ce nom un je ne sais quoi qui se charge de ce soin naturellement et sans effort?'".
Gonzaga Duque
DUQUE, Gonzaga. Progresso. In: ___. A arte brasileira. Campinas: Mercado de Letras, 1995. p. 151-152. (Arte: ensaios e documentos).
"Como bem enxergou Gonzaga Duque em seu romance Mocidade Morta, Pedro Américo era o protótipo do pintor oficial que sabe promover a própria arte, servindo-se de modo desinibido das instituições públicas e dos meios de comunicação. Com Independência ou Morte, apresentado em Florença em 1887, na presença do imperador e da mais alta aristocracia européia, Américo candidatava-se a vate do império; nem por isso a Academia abriu-lhe as portas. O nascimento da República ofereceu-lhe a moldura ideal para uma nova tentativa, com Paz e Concórdia, por exemplo, hoje no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro. Com o pano de fundo desse mesmo quadro, Pedro Américo pintou um grande edifício monumental, um templo-museu em cujo interior pode-se ver representado seu Independência ou Morte, a grande pintura histórica que representa o monumento fundador da independência brasileira. Para Pedro Américo, ser o pintor-sacerdote da nação era uma vocação. Tratava-se de um pintor digno de monumento nacional, de um Altar da Pátria todo mármore e lobas capitolinas. (...) A desmedida dimensão de suas ambições e a falta de reconhecimento público inconteste faziam dele o protótipo do gênio incompreendido representado em seu infeliz romance Holocausto, em grande parte autobiográfico. Com indubitável habilidade, que tem paralelos no desinibido historicismo de Gervez, Pedro Américo registrará seu pessimismo e sua frustração no extraordinário Tiradentes Esquartejado, do Museu Mariano Procópio de Juiz de Fora, no qual os cânones da representação heróica são sarcasticamente distorcidos, adquirindo um clima alucinante de grand-guignol".
Luciano Migliaccio
MIGLIACCIO, Luciano. A segunda metade do século. In: MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO. Arte do século XIX. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo: Associação Brasil 500 Anos Artes Visuais, 2000. p. 113.
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