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  Silveira, Regina (1939)        

Críticas

"Com Inflexões, Regina Silveira procura uma maneira de dialogar e de rever alguns pressupostos das gramáticas da visão e, portanto, conduz uma pesquisa eminentemente plástica. Os anúncios interativos e convencionais das lojas de móveis são o ponto de partida para a construção de uma série de objetos insólitos, que avançam no espaço em todas as direções (...). Se, pela emergência desse poder ´degenerativo´, transformador, as Inflexões parecem responder à proposta objetual do surrealismo, a intenção de Regina Silveira não é, entretanto, metafórica. (...)  Testando o poder de contenção dos contornos, Regina Silveira leva o sistema perspéctico a seu limite máximo. Multiplica os pontos de vista, de fuga, de distância, que destroem a perspectiva a partir de dentro, mas não renuncia de todo a ela. Adiciona uma nova perspectiva, geralmente curva, à frontalidade das imagens publicitárias (...).   Design pessoal ou antidesign, a tensão das Inflexões remete a um vetor de mutação, de instabilidade, de ´incerteza´, a uma ´desarmonia´ estrutural, (...) signo tangível daquela ´desordenação da ordem´ que Regina Silveira propõe desde as Anamorfas".

Annateresa Fabris

SILVEIRA, Regina. Regina Silveira: inflexões. São Paulo: Galeria Luisa Strina, 1987.


"No caso específico de Regina Silveira, a maturação de sua poética parece ter sido determinada pelo contato com a obra de dois artistas aparentemente opostos pelas posturas que assumiram em suas trajetórias: Iberê Camargo e Marcel Duchamp.
Do primeiro (de quem a artista foi aluna em Porto Alegre), Regina Silveira teria apreendido a sua angústia existencial de fundo, o que a levou a romper com sua concepção inicial de arte baseada num aprendizado extremamente rígido, conservador. Dele absorveu igualmente o encarar a técnica como um meio e não um fim, por último, Camargo parece tê-la feito duvidar pela primeira vez dos códigos de representação cristalizados pela tradição.
A partir do contato com a obra de Duchamp (ocorrido nos anos 70), Regina Silveira percebeu que o caminho para a maturação de sua poética era recuperar, em chave crítica, aqueles códigos anteriormente desprezados, reinventando-os, para deles retirar outras possibilidades de significação. Conscientizou-se de que a arte poderia ser não apenas a emanação da angústia do artista perante o mundo, mas antes um sistema organizado e repleto de regras a ser colocadas em xeque pelo artista.
Regina Silveira trouxe como resíduos saudáveis de sua experiência com Iberê Camargo o tom soturno de seus trabalhos, o gosto pela deformação expressiva dos signos, a desconfiança irrestrita em relação à eficácia, nos dias de hoje, da arte e seus códigos institucionalizados. Com Duchamp, essa desconfiança transformou-se em ironia implacável, em mordacidade voltada para a desestabilização dos conceitos cristalizados de arte".

Tadeu Chiarelli

CHIARELLI, Tadeu. Artista e orientadora.  In: MORAES, Angélica de (org.). Regina Silveira: cartografias da sombra. São Paulo: Edusp, 1996. p.215-216.


"Na obra de Regina Silveira, a sombra segue os pressupostos platônicos e indica a possibilidade de se transpor o real para o representado. O impasse é acentuado pela exploração do que Leonardo da Vinci denominou aberrações marginais da perspectiva, isto é, o universo de distorções nascidas na esteira de procedimentos geométricos aparentemente exatos. (...)
A vigorosa subjetividade da raiz expressionista, exercida de maneira explícita pela pintora e gravadora no início de carreira, é algo que imediatamente vem à mente de quem observa seu processo de criação. No momento em que a idéia é apenas o traço do lápis no papel, ela dá a rédea solta a intuição. As sombras não são obtidas a partir de cálculos. Estes só são convocados depois de a resolução de forma responder ao conteúdo pretendido e apenas para transferir essa cartografia arbitrária ao plano (desenhos, gravuras, tapeçarias e recortes) ou ao espaço (objetos e instalações). A artista destrói e reconstrói o olhar possível sobre algo antes de lançar mão da régua e dos pontos de fuga que irão objetivar para o espectador a imagem demonstrada e seu conjunto de visões corolárias. (...)
Regina Silveira escolheu essa ferramenta porque ela atende a necessidades de articulação simbólica, permitindo manipular um dos alicerces sobre o qual ainda repousa a noção de realidade representada. A perspectiva é um fulcro do ilusório. Ao explorar temas contemporâneos com deformações nascidas nas margens fantásticas do rigor perspectivista, a artista promove a união dos pressupostos formais maneiristas com a sofisticada armação das idéias enunciadas pela arte conceitual".

Angélica de Moraes

MORAES, Angélica de (org.). Regina Silveira: cartografias da sombra. São Paulo: Edusp, 1996.


"Os Simulacros (1982-1984), que sucederam Anamorfas, completam os pontos-chave de referência de sua linguagem. Trata-se de uma constelação de obras fotográficas, instalações e objetos sempre monocromáticos (preto sobre branco), reverberantes entre si, que ela considera como ´uma reflexão sobre a representação das sombras projetadas, concretizada como visualidade paródica dos códigos projetivos da perspectiva linear, da teoria das sombras, da fotografia e do desenho topográfico´. No estabelecimento de estruturas visuais baseadas na infração das leis da representação artificial criadas como buscas da exatidão dos códigos projetivos da perspectiva clássica, interessava-a, sobretudo, como atualmente, o uso de pontos de vista e os ângulos da visão.
Não obstante a homogeneidade de instauração de todo o seu trabalho voltado para as ambigüidades da perspectiva (e em que pouco importam os ´motivos´ ou objetos que lhe servem de modelo), ressaltaríamos entre os Simulacros a instalação In Absentia (MD),construída num espaço de 10 x 20 m na Bienal Internacional de São Paulo, em 1983, constituída das silhuetas monumentais de Bottlerack e Bicycle Wheel, estiradas em oposição oblíqua sobre o piso e a elevação de painéis que fechavam o ambiente. Eram sombras fictícias que ilusoriamente partiam de duas bases de escultura absolutamente vazias e se distorciam, desafiando a percepção conforme os pontos de distância do olhar".

Walter Zanini

ZANINI, Walter. Regina Silveira. In: SILVEIRA, Regina. Regina Silveira: in absentia (stretched). [Texto traduzido e revisto por Walter Zanini em 1997].


 
 
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