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  Rugendas (1802 - 1858)        

Críticas

"Humboldt e Martius são referências preliminares para uma primeira aproximação da síntese realizada por Rugendas em seu álbum pitoresco. A viagem de Humboldt e Bonpland à América Latina é de modo geral indissociável da construção da paisagem dos trópicos. Em particular, o modelo do Atlas Pittoresque. Vue des Cordillères et des Monuments du Peuple Indigène de l'America oferece uma solução de concepção científica expressa pela arte (...) Apropriando-se da visão pictórica de matriz científica, recomendada por Humboldt, Rugendas acerca-se do pitoresco, buscando as características regionais do país, que são definidas e se manifestam simultaneamente na conformação geral do solo, no recorte das montanhas com relação à planície, na geologia geográfica, na geobotânica. Seus desenhos têm a capacidade de transformar aspectos físicos em esfera cosmogônica da vida humana. (...)  Rugendas afirma nos desenhos uma concepção orgânica da vida em completa interdependência, despreocupando-se da individualização de unidades que formam a paisagem e enfatizando a maneira como se dão no conjunto. (...) Nos desenhos originais de Rugendas transparece o grande gesto que sustenta a visão de conjunto, o modo como primeiro desenha o todo e depois intensifica alguma parte".

Ana Maria de Moraes Belluzzo

BELLUZZO, Ana Maria de Moraes. O Brasil dos viajantes. São Paulo: Metalivros; Salvador: Fundação Emílio Odebrecht, 1994. v. 1, p. 77. Volume 1: imaginário do novo mundo.


"Rugendas insere-se na história da arte como um dos maiores criadores da iconografia americana, como um pintor versátil, cujo leque temático vai desde os estudos naturalistas da paisagem até as mais sofisticadas composições de tema histórico. Seu conhecimento da América está fundamentado nos vinte anos de viagens, quando percorreu desde o México até o sul do Chile, perfazendo no continente a maior rota realizada por um viajante no século XIX. Ao concluir sua grande viagem americana, Rugendas deu uma mirada retrospectiva no trabalho realizado durante essa etapa fundamental de sua carreira; essa recapitulação autobiográfica se materializou na seleção da pintura a óleo, que apresentou na Exposição Geral de Belas Artes no Rio de Janeiro em 1845. Essa mostra lhe valeu o mais alto reconhecimento público pelo seu trabalho, traduzido na condecoração de Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro oferecido pelo Império brasileiro".

Pablo Diener e Maria de Fátima Costa

DIENER, Pablo; COSTA, Maria de Fátima. A América de Rugendas:  obras e documentos. Edição Angel Bojadsen, Edilberto Fernando Verza. São Paulo: Estação Liberdade, 1999. p.13-14.