"A intenção nem era essa, somente eu mostrava o que estava fazendo, minha ?imaginária? pessoal, fruto do meu aprendizado e vivência.
Mas, muita gente não entendeu, pensou que era vale-tudo, deu uma tremenda agitação. Eu não pretendia provocar reação tão violenta, porque, inclusive, tinha um efeito negativo sobre minha pessoa. Estava a fim de me unir aos outros e assim era mais marginalizado.
Posso dizer, com grande conhecimento, que não é fácil ser marginal. No entanto, o que faz ser um artista, isto é, o acesso que você tem a certos estados, marginaliza automaticamente e não há saída.
É uma posição difícil, que causa imensa confusão, até que, com a idade, isso começa a não ter importância.
Contudo, eu nunca fiquei de fora e sou um profundo participante; só que não pertenço ao grupo (e nem adiantaria nada entrar para ele, seria mera formalidade).
O meu objetivo, como de qualquer artista, é o grupo dos 'colegas': dos Van Gogh, Cézanne, Picasso e Matisse e isso nem é um grupo, é uma subjetividade.
Com o tempo compreendi que a segregação, a impossibilidade de assimilação fazem parte do processo e que é preciso aceitá-las. Quando mais jovem, resistia à marginalidade (hoje até brinco com a coisa).
Naquela época, além de tudo, era fase da Série das Ligas, considerada altamente pornográfica. Achavam que eu era um tarado sexual, que tinha fixação em liga e acabou.
Fui cortado do Salão, da Bienal, ninguém mais queria expor meus trabalhos. Não entendiam, eu me permitia romper, ser livre, e isso era uma barreira incrível.
O que fazia não era 'parecido', você entende?
Só me restava, portanto, a ação individual. Foi quando aconteceram os happenings. Fiz a exposição no João Sebastião Bar, porque não tinha onde expor, e então 'cometi' lá minhas invenções, coloquei lanternas na entrada e as pessoas vinham, de lanterna, ver os quadros um por um porque o bar era muito escuro. Veio até choque da polícia, pois a exposição era erótica e não sei mais o quê".
Wesley Duke Lee
COSTA, Cacilda Teixeira da. Wesley Duke Lee. Rio de Janeiro: Funarte, 1980. (Coleção Arte Brasileira Contemporânea). p.20-21.