Histórico
Aberto ao público em 10 de agosto de 1961, o Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado - MAB/Faap, no bairro do Pacaembu, em São Paulo, vem somar-se aos museus de arte existentes na cidade, com a particularidade de voltar-se para a produção artística nacional. Da proposta inicial fazem parte a organização e a conservação de um acervo dedicado a obras de artistas brasileiros ou estrangeiros radicados no Brasil, além da preparação de exposições consagradas à arte nacional e internacional. A origem da instituição liga-se à família Álvares Penteado, há muito envolvida com as artes e a educação em São Paulo. É Armando Álvares Penteado, em fins do século XIX, o responsável pela criação da Escola de Comércio e do Teatro Santana (rua Boa Vista) e pela construção de sua residência, na rua Maranhão, Higienópolis, a conhecida Vila Penteado, representante maior da art nouveau no país. Em testamento, Armando deixa clara a intenção de organizar um museu de arte, tarefa que sua esposa, D. Annie, inicia em janeiro de 1947, com a criação de uma fundação. Ergue-se a Faap, cujo presidente é seu filho Sílvio. Está no contexto do pós-guerra, que assiste ao nascimento de vários museus e instituições de arte no Rio de Janeiro e em São Paulo (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ, Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Masp, Fundação Bienal de São Paulo) no bojo de um processo de atualização cultural das elites ilustradas.
Em São Paulo, sobretudo, a existência de um mecenato é papel decisivo na criação de diversas instituições culturais na época. Ciccillo Matarazzo e Assis Chateaubriand estão à frente de diversas iniciativas no campo das artes e da cultura, e sinalizam, cada qual a seu modo, tentativas de aproximação às linguagens artísticas modernas, que têm lugar na Europa e nos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Em julho de 1960, uma sessão solene dá início às atividades do MAB, dirigido por Lúcia Pinto de Souza e coordenado por Wolfgang Pfeiffer. O conselho reúne nomes célebres no panorama artístico e intelectual nacional, como Rodrigo Mello Franco de Andrade, Sérgio Buarque de Holanda, Sérgio Milliet, Yan de Almeida Prado e outros. A exposição de abertura - O Barroco no Brasil - com mais de 300 obras e cursos paralelos (como o de Antonio Candido e Sérgio Buarque sobre o barroco literário), conhece grande sucesso. As moldagens de gesso dos profetas do Aleijadinho e de obras barrocas de Minas Gerais e Bahia, feitas pelo Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - DPHAN e expostas na ocasião, se incorporam ao edifício do MAB e decoram o saguão de entrada.
Nos primeiros anos de existência, o museu dá destaque aos artistas ligados ao movimento moderno na arte brasileira, como Bonadei, em 1963; Oswaldo Goeldi, em 1964 e 1966; Di Cavalcanti, em 1965; Flávio de Carvalho, em 1968 e Victor Brecheret, em 1969. Além disso, o espaço para jovens artistas se amplia a partir de 1965, em função no novo perfil universitário assumido pela Faap - sob a presidência de Lúcia Pinto de Souza - com a criação do curso de artes plásticas e, em seguida, de engenharia, comunicações, economia e administração. Nesse ano, passa a fazer parte da programação fixa do museu a Anual de Artes - que se mantém até hoje -, organizada em conjunto com a Faculdade de Artes Plásticas e aberta aos estudantes. Data de 1965 a coletiva Propostas 65 - exposição e debates sobre aspectos do realismo atual do Brasil -, que reúne Flávio Império, Carlos Vergara, Geraldo de Barros, Mira Schendel, Nelson Leirner, Wesley Duke Lee, entre muitos outros. O impacto da mostra resulta duas outras edições, Propostas 66 e 67. Em 1966, o museu inaugura dois outros setores: o Instituto Battioli de Restauro (a cargo dos artistas italianos Luciana, Enrico e Elisabeta Battioli) e o I Museu do Traje Brasileiro, coordenado por Lourdes Milliet e Darcy Penteado (1926 - 1987). Em 1977, é criado um setor especializado em pesquisa e documentação de arte brasileira, anexo ao museu e à faculdade, dirigido por Daisy Peccinini. Dois projetos realizados por esse setor resultam as exposições O Grupo Seibi e o Grupo Santa Helena - décadas de 1935/1945, em 1977, e O Objeto na Arte: Brasil Anos 60, em 1978.
Ao lado de retrospectivas nacionais - além das mencionadas, sem esquecer de citar as de Carlos Scliar, em 1983; Arcangelo Ianelli; em 1995; Ismael Nery, em 2000 e José Pancetti, em 2001 -, o museu realiza mostras internacionais de artes plásticas (Jean Cocteau, 1997, de arte russa, 1999, e Vlaminck, 2001, entre outras) e coletivas dedicadas ao vídeo, à fotografia, à moda e à arquitetura. Grandes exposições históricas têm lugar no MAB, por exemplo, A Arte no Egito no Tempo dos Faraós, 2001, e A Herança dos Czares, 2005. Outras, dedicadas à cultura popular e às questões nacionais, conhecem grande popularidade, por exemplo, Brasileiros que nem Eu, que nem Quem?, organizada por Bia Lessa, em 1999.
O acervo do museu inicia-se com a coleção de D. Annie, à qual são acrescentadas aquisições por meio de doações e compras, e hoje mantém em torno de 2.500 obras de artistas brasileiros. A coleção tem caráter variado, com obras de artistas acadêmicos como Pedro Alexandrino e Eliseu Visconti -; acervos importantes de artistas modernistas como Anita Malfatti, Oswaldo Goeldi, Victor Brecheret, Flávio de Carvalho e Lívio Abramo; obras representativas de artistas como Cicero Dias, Alfredo Volpi, Francisco Rebolo, Antonio Gomide, entre outros; representantes da abstração lírica dos anos 1950 - Flavio-Shiró e Arcangelo Ianelli - e das tendências construtivas - Geraldo de Barros, Mary Vieira e Franz Weissmann -; artistas que têm destaque na década de 1960 - Wesley Duke Lee, José Roberto Aguilar e Newton Mesquita -, além de contemporâneos: Fábio Miguez, Paulo Whitaker e Marco Paulo Rolla.
Atualizado em
28/05/2010