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  Museu de Arte Sacra de São Paulo        

Histórico

Situado na ala esquerda térrea do Mosteiro da Luz, na avenida Tiradentes, centro de São Paulo, o Museu de Arte Sacra é inaugurado em 1970, com base em convênio firmado entre a Mitra Arquidiocesana de São Paulo e o governo do Estado. O convênio tem como objetivo assegurar uma sede para o antigo Museu da Cúria - com a coleção de imagens sacras, numismática, prataria religiosa, jóias, altares, livros litúrgicos raros, mobiliário, pinturas etc. -, criado pelo arcebispo dom Duarte Leopoldo e Silva, em 1907. Em 1979, o recém-nomeado diretor do Museu de Arte Sacra, padre Antonio de Oliveira Godinho, é responsável por integrar o edifício histórico e o acervo, eliminando paredes, liberando espaços e redistribuindo peças e obras. O Mosteiro da Luz, por sua vez, tem sua história ligada à fundação do Convento da Luz, em 1774, construído de taipa de pilão com base em projeto de frei Antonio de Sant'Ana Galvão. No ano de 1822, o arquiteto frei Lucas José da Purificação simplifica o projeto original, conferindo à edificação as feições atuais. Fruto do trabalho dos dois franciscanos, o mosteiro destaca-se como um dos mais importantes monumentos coloniais do século XVIII, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan em 1943.

O acervo do Museu de Arte Sacra de São Paulo revela a imaginária brasileira, sobretudo paulista, dos séculos XVI, XVII e XVIII com base na produção que contrasta com a arte religiosa barroca e rococó predominante nas províncias de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro pelo seu despojamento estilístico. A produção paulista, marcada de perto pelos modelos hispano-americanos trazidos das missões jesuíticas do Paraguai e da Argentina, traduz os avanços da catequese e da colonização. Artistas e artesãos seguem as trilhas abertas no interior do Estado pelas expedições bandeirantes, construindo e adornando capelas e igrejas. Obras de madeira e barro cozido são realizadas por homens de formação erudita e também por artistas populares, que fazem leituras próprias dos modelos eruditos. Em torno das confrarias religiosas reúnem-se profissionais de diferentes categorias: oleiros, ladrilheiros, telheiros, pedreiros, carpinteiros, entalhadores, serralheiros, latoeiros. Algumas ordens, especialmente a dos jesuítas e dos beneditinos, formam e mantêm seus próprios artesãos. Entre eles, observa-se a numerosa presença de mestiços, mulatos livres, indispensáveis para a arquitetura e para as artes do período colonial.

Peças destinadas às velhas igrejas da cidade de São Paulo e arredores - Araçariguama, Santana do Parnaíba, Cotia, Guarulhos etc. - compõem a maior parte do acervo do museu, que conta ainda com trabalhos de outras regiões. Pintores, ourives e escultores anônimos e célebres encontram-se aí representados; entre eles destacam-se frei Agostinho da Piedade (ca.1580 - 1661), frei Agostinho de Jesus (ca.1610 - 1661), Aleijadinho (1730 - 1814) e Mestre Valentim (ca.1745 - 1813). De forte inclinação didática, a disposição das obras no acervo acompanha a história da Igreja na região, diretamente ligada à evolução da cidade. Já na entrada, o visitante é apresentado a São Paulo no século XVIII às primeiras igrejas paulistanas e à criação do convento. Ao processo de construção do edifício e às técnicas construtivas dos primeiros séculos são dedicados espaços especiais: a taipa de pilão, comprimida em caixões de tábua; a taipa de mão, atirada de sopapo na trama do pau-a-pique; o adobe, desenvolvimento da construção de barro. No corredor, situam-se peças remanescentes das velhas igrejas.

Na sala dos mestres beneditinos - frei Agostinho de Jesus e da Piedade -, estão diversas obras representativas dos dois ceramistas, entre elas o Santo Amaro, do século XVII, de frei Agostinho da Piedade, e a Nossa Senhora dos Prazeres e a Nossa Senhora da Purificação, ambas de frei Agostinho de Jesus. Esta última, de barro cozido e policromado - a virgem é representada em feições adolescentes -, é considerada uma das obras-primas do autor. Espaços destinados à ourivesaria religiosa (jóias, cálices, adereços etc.), aos textos históricos sobre a criação da diocese de São Paulo e ao mobiliário da sacristia convivem com as salas dedicadas aos santeiros populares, às "paulistinhas" - pequenas imagens populares de barro, típicas de São Paulo - e às imagens do Divino, versão local dos modelos eruditos.

O acervo do museu, ampliado no decorrer dos anos, conta ainda com pinturas do baiano Capinam (1791 - 1874) e de Benedito Calixto (1853 - 1927). Do Aleijadinho, especificamente, célebre pelas obras de pedra-sabão, é possível conhecer trabalhos de madeira como a Nossa Senhora das Dores e Sant'Ana Mestra, ambas do século XVIII. Também de madeira, estão presentes obras do Mestre Valentim, como o Anjo, de fins do XVIII.



Atualizado em 01/03/2006
 
 
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  Museu de Arte Sacra de São Paulo - site da instituição