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  Exposição Nacional de Arte Concreta        

Histórico

"Esse foi o primeiro encontro nacional das artes de vanguarda realizado no país, tanto no que se refere às artes visuais quanto à poesia concreta", afirma, em 1957, o poeta Décio Pignatari (1927), explicitando o espírito que comandou a Exposição Nacional de Arte Concreta. Realizada por iniciativa do grupo concreto paulista, a mostra tem lugar em São Paulo (Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP, dezembro de 1956) e no Rio de Janeiro (Ministério da Educação e Saúde, janeiro e fevereiro de 1957), com artistas das duas cidades. A exposição é composta de cartazes-poemas, obras pictóricas, esculturas e desenhos, além de palestras e conferências. A revista Ad-arquitetura e decoração inclui em seu n. 20 o material exposto, funcionando como uma espécie de catálogo da mostra. Nos dois eventos, são exibidas obras de diversos artistas plásticos:  Geraldo de Barros (1923 - 1998), Aluísio Carvão (1920 - 2001), Geraldo de Barros (1923 - 1998), Waldemar Cordeiro (1925 - 1973), João José da Silva Costa (1931), Judith Lauand (1922), Maurício Nogueira Lima (1930 - 1999), Hélio Oiticica (1937 - 1980), Luiz Sacilotto (1924 - 2003), Alfredo Volpi (1896 - 1988), Alexandre Wollner (1928), Lothar Charoux (1912 - 1987), Amilcar de Castro (1920 - 2002), Ivan Serpa (1923 - 1973), entre outros. Além disso, participam como convidados especiais do evento os poetas Décio Pignatari (1927), os irmãos Haroldo de Campos (1929 - 2003) e Augusto de Campos (1931), Ferreira Gullar (1930) e Ronaldo Azeredo (1937 - 2006).

A Exposição Nacional de Arte Concreta dá expressão nacional ampliada às tendências concretas que se manifestam nas artes visuais desde as décadas iniciais do século XX, e que remontam às experiências do grupo De Stijl [O Estilo], de Piet Mondrian (1872 - 1944) e Theo van Doesburg (1883 - 1931), popularizando-se com Max Bill (1908 - 1994), ex-aluno da Bauhaus.

É importante lembrar, nessa direção, a 1ª Exposição Nacional de Arte Abstrata (Petrópolis, Rio de Janeiro, 1953), que reúne artistas ligados às mais diversas tendências do Abstracionismo no país, e as seguintes mostras realizadas na cidade de São Paulo: 19 Pintores, na Galeria Prestes Maia, semente do grupo concreto paulista; Do Figurativismo ao Abstracionismo (MAM/SP,1949); Alexander Calder (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Masp, 1949); e Fotoformas, de Geraldo de Barros (Masp, 1950). Mas é o ano de 1952 e a exposição do Grupo Ruptura no MAM/SP que assinalam o início oficial do movimento concreto na capital paulista.

A Exposição Nacional de Arte Concreta reúne a arte concreta praticada no Brasil e explicita também divergências entre grupos e tendências. À investigação do grupo paulista, centrada no conceito de pura visualidade da forma, o grupo carioca opõe progressivamente uma articulação forte entre arte e vida - que afasta a consideração da obra como "máquina" ou "objeto" - e uma maior ênfase na intuição como requisito fundamental do trabalho artístico. A Exposição Nacional de Arte Concreta marca, desse modo, o início da ruptura neoconcreta, efetivada em 1959. O Manifesto de 1959, assinado por Amilcar de Castro, Ferreira Gullar, Franz Keller - Leuzinger (1835 - 1890), Lygia Clark, Lygia Pape (1927 - 2004), Reynaldo Jardim (1926) e Theon Spanudis (1915), denuncia, já nas linhas iniciais, que a "tomada de posição neoconcreta" se faz "particularmente em face da arte concreta levada a uma perigosa exacerbação racionalista". Contra as ortodoxias construtivas e o dogmatismo geométrico, os neoconcretos defendem a liberdade de experimentação, o retorno às intenções expressivas e o resgate da subjetividade.



Atualizado em 17/06/2010
 
 
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  literatura - nomes
  Azeredo, Ronaldo (1937 - 2006)
Campos, Augusto de (1931)
Campos, Haroldo de (1929 - 2003)
Gullar, Ferreira (1930)
Pignatari, Décio (1927 - 2012)