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Medeiros, José Maria de (1849 - 1925)
Comentário crítico Dois quadros apresentados na Exposição de 1884, ambos hoje no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), são emblemáticos dessa trajetória que vai do neoclassicismo ao romantismo. A Morte de Sócrates figura um tema neoclássico por excelência, de louvor às virtudes antigas. Na composição, o pintor segue preceitos acadêmicos na representação das paixões: uma figura à esquerda está de costas e esconde o rosto para não ver a morte do filósofo, à direita, uma outra dobra o corpo e esconde o rosto entre as mãos, outro cruza os braços, demonstrando um misto de preocupação e tristeza. Ao centro, iluminado, o sábio conversa, com gestos comedidos, mostrando serenidade. Iracema, ao contrário, é explicitamente de vertente romântica, a começar pelo tema. A heroína do romance de José de Alencar encontra-se em pé, do lado esquerdo da composição, ao lado da flecha fincada na areia, transpassando um guaiamum e um ramo de maracujá, que divide a tela em duas. À esquerda, uma praia próxima, com bordas de floresta. À direita, uma praia longínqua, o mar e a linha do horizonte. O desenho e a composição são mais bem acabados aqui. As cores são mais claras e exuberantes, para corresponder à nossa natureza e às paixões românticas que o tema exige. O quadro resultou numa distinção ao pintor, mas foi criticado por alguns comentadores contemporâneos, como Gonzaga-Duque. José Maria de Medeiros cultiva o gênero histórico, os retratos e as pinturas de gênero. Entretanto, mesmo aqueles que o admiram, como Laudelino Freire e Quirino Campofiorito (1902-1993), consideram-no não um grande pintor, mas um artista "modesto, tímido, honesto e de merecimento." Notas 2ZANINI, Walter (Coord.). História Geral da Arte no Brasil. V - I. São Paulo: Instituto Moreira Salles: Fundação Djalma Guimarães, 1983, p. 420 e seg. 3ZANINI, Op. cit., p. 403, sobre as aulas de anatomia e fisiologia das paixões. 4GONZAGA-DUQUE, A arte brasileira. Introdução e notas Tadeu Chiarelli. Campinas: Mercado de Letras, 1995, p. 205. 5CAMPOFIORITO, Quirino, Op. cit., p. 24-25. 6FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: 1816 - 1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983, p. 151. Atualizado em 02/09/2010 |
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