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Abramo, Lívio (1903 - 1992)
Biografia
Comentário Crítico No início dos anos 1930, a obra de Lívio Abramo é bastante influenciada pelo movimento da antropofagia, apresentando formas largas e arrendondadas ao estilo de Tarsila do Amaral, com elementos paisagísticos estilizados e deformação dos personagens. No período varguista, ingressa na política e filia-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), do qual é expulso em 1932, acusado de ser trotskista. Entra para o Partido Socialista Brasileiro (PSB) no ano seguinte, torna-se amigo do crítico de arte Mário Pedrosa (1900-1981). Em 1931, começa a trabalhar no Diário da Noite como desenhista, mas suas charges, como Inundação no Canindé, ca.1932, são consideradas demasiado críticas, é então designado para o cargo de titulista da seção internacional, no qual permanece até 1962. Em paralelo, dedica-se ao sindicalismo. Em meados da década de 1930, incorpora a temática social a seus trabalhos, resultado também do engajamento político. Tanto nas obras da fase operária como nas que tiveram como tema as guerras, segue a linguagem expressionista, marcada pela dramaticidade e monumentalidade das cenas. Impressionado com a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), realiza a série Espanha, 1938, com gravuras contundentes que revelam sua oposição ao conflito. Na década de 1940, conhece o alemão Adolphe Köhler, professor de gravura, que o auxilia a dar refinamento técnico ao trabalho, tanto no tratamento da madeira utilizada nas pranchas quanto no uso de buris mais sofisticados, raiados, que em um só golpe cortam a madeira em diversos cortes paralelos, produzindo matizes diferenciados e variados. Em 1947, ilustra o livro Pelo Sertão, de Afonso Arinos de Mello Franco, publicado pela Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil, com xilogravuras em papel-arroz. Por este trabalho, viaja para a região de caatinga de Minas Gerais e Bahia e lê Mário de Andrade (1893-1945) e Euclides da Cunha (1866-1909). Afasta-se da estética expressionista e procura nova solução formal, mais despojada e sintética. O uso da madeira de topo permite mais delicadeza nos cortes, que, aliado a novos instrumentos, serve para expressar melhor seu conceito de luz, cor e forma da paisagem brasileira. Nos anos seguintes, inicia os desenhos, guaches e aquarelas da série Macumba, nos quais se nota o interesse em captar o ritmo e a dança. Realiza posteriormente xilogravuras sobre esse tema, que alcançaram mais intensidade, com a ampliação da sensualidade das linhas na alternância das áreas de luz e de densa sombra. Viaja para a Europa em 1951, com o prêmio de viagem ao exterior do Salão Nacional de Belas Artes. Freqüenta o ateliê de Stanley William Hayter e se aperfeiçoa em gravura em metal. Regressando da Europa, realiza as séries de gravuras Rio, ca.1953, Festa, ca.1954 e Mandala, ca.1955, de tendência abstratizante, nas quais cristaliza melhor sua linguagem gráfica, valorizada pela diversidade de tons e de texturas que articulam figuras e planos. Com a série Rio é premiado como o melhor gravador nacional na 2ª Bienal Internacional de São Paulo. Dá aulas de xilogravura na Escola de Artesanato do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), e, em 1960, funda com Maria Bonomi o Estúdio Gravura. Em 1962, radica-se no Paraguai e trabalha na Missão Cultural Brasil-Paraguai, posteriormente Centro de Estudos Brasileiros. Nas gravuras da fase paraguaia, recria a paisagem do país, trabalhando com pontilhados e linhas que se aproximam da renda local, nhanduti, muito delicada. Intensifica-se a simplificação da forma, predominam os elementos horizontais e verticais, que dão um ritmo intenso, lírico e por vezes dramático a composições quase abstratas, em que o artista não perde o referencial visual, buscando traduzir a geometria das fachadas das casas e dos povoados. A produção de Lívio Abramo situa-se entre a figuração e a abstração. Seu engajamento ao programa modernista gradualmente é alterado pela abertura às vertentes não figurativas que começam a chegar ao Brasil após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O artista consegue conciliar, de maneira peculiar, esses dois conceitos opostos e, com refinamento técnico, apresenta em seu trabalho soluções formais de grande interesse estético. Atualizado em 13/06/2011 |
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