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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Os Dezequilibrados

Histórico

A companhia se caracteriza, inicialmente, pela criação de espetáculos em espaços não convencionais e por pesquisas sobre novas relações entre o público e a cena. Cria uma dramaturgia própria, com linguagem pop, em montagens dirigidas por Ivan Sugahara.

Os Dezequilibrados, em 1998, com a criação coletiva Uma Noite de Sade, inspirada no teatro de Grand Guignol. Depois da temporada, o grupo ganha nova configuração na qual se mantém apenas o diretor que, em Um Quarto de Crime e Castigo, 1999, assina a adaptação do romance de  Fédor Dostoïevski em parceria com a atriz Cristina Flores. O espetáculo, apresentado para cinco espectadores, tem lugar em um quarto do apartamento da atriz Ângela Câmara.

Em 2001, apresenta Bonitinha, mas Ordinária, de Nelson Rodrigues, na Casa da Matriz, casa noturna de três andares e diversos cômodos onde a ação da peça se desenrola de forma itinerante. O espetáculo agrega novos atores, entre eles, José Karini, Saulo Rodrigues e Letícia Isnard, que passam a integrar o grupo. Nesse ano, Cristina Flores assina a dramaturgia de 1, peça-instalação baseada no capítulo 'O Grande Inquisidor', de Os Irmãos Karamazov, de Dostoïevski. O espetáculo, que tem duração de quinze minutos, é apresentado para um único espectador, com oito sessões por noite.

Em 2002, com Vida, o Filme, inicia-se uma parceria com a dramaturga Daniela Pereira de Carvalho, que prossegue por mais seis espetáculos, que são geralmente escritos ao longo do processo de ensaios. No saguão de um cinema, Vida, o Filme trata das relações entre realidade e ficção, um de seus temas favoritos, que retorna em vários trabalhos.

O crítico Sérgio Coelho, da Folha de S.Paulo, escreve: "Com Vida, o Filme, o jovem diretor e dramaturgista Ivan Sugahara promove verdadeira cura de desintoxicação dos 'reality shows', alinhavando happenings (o impagável homem-bomba que recita o monólogo de Hamlet) com panfletos inflamados pelo teatro vivo, misturando realidade e ficção no mítico saguão do Espaço Unibanco".1

O crítico Macksen Luiz do Jornal do Brasil observa: "De maneira fracionada, as cenas se sucedem, rápidas, desconcertantes (variam do cotidiano ao dramático), mas mantêm crescente movimento de tensão (...). O elenco - Bruce Gomlevsky, José Karini, Ângela Câmara, Saulo Rodrigues e Letícia Isnard - se integra ao espírito da montagem com uma espontânea disponibilidade cênica (...). Cristina Flores tem pequeno destaque pela carga que empresta em cada uma das suas intervenções".2

Em 2003, o grupo investe em uma trilogia, Assassinato em Série, baseada na literatura policial, nos filmes noir e em jogos de detetive, composta dos espetáculos Combinado, Cena do Crime e Outro Combinado. O crítico Lionel Fischer da Tribuna da Imprensa comenta: "Exibindo seguras atuações do elenco e esmerado trabalho de toda a equipe técnica - Ângela Câmara assina criativos figurinos, sendo de ótimo nível a trilha sonora de Sugahara e a luz de Tomás Ribas - o espetáculo revela-se um ótimo entretenimento, capaz de agradar tanto aos afeitos ao teatro experimental quanto àqueles que supõem possuir predicados detetivescos".3

Em Dilacerado, que estréia em 2004, o grupo realiza um longo processo de criação baseado em vivências pessoais dos atores, em torno do tema da perda. A companhia assume durante aquele ano a direção do Teatro Café Pequeno, com o projeto Cena Pop Carioca, que apresenta trabalhos de jovens autores e diretores. No ano seguinte, Cristina Flores protagoniza Lady Lázaro, de Daniela Pereira de Carvalho, inspirado na vida e na obra da poetisa Sylvia Plath, que se suicidou em 1963, aos 30 anos.

Em 2006, apresenta três espetáculos de seu repertório no Festival de São José do Rio Preto, São Paulo; e estréia no riocenacontemporânea Quero Ser Romeu e Julieta, misturando cinema e teatro para tratar do amor impossível. Em três telões colocados no palco, são exibidos trechos de Romeu + Julieta, de Baz Lhurmann, Shakespeare Apaixonado, de John Madden, West Side Story, de Robert Wise e Jerome Robbins, e Romeu e Julieta, de Franco Zefirelli, além das versões operísticas de Gounod, Bellini, Berlioz, Vaccaj e Dusapin, os balés de Prokofiev, Tchaikovsky e Svendsen. Valmir Santos, jornalista da Folha de S.Paulo, escreve: "(...) o glamour do gênero noir estará presente, com suas mulheres fatais, a chuva, a fumaça e o néon. O visual ao mesmo tempo oriental e retrô-futurista de filmes noir contemporâneos como 2046 (Wong Kar Wai) e Blade Runner - Caçador de Andróides (Ridley Scott) também são inspiração para o espetáculo".4

Em 2007, a companhia encena Últimos Remorsos Antes do Esquecimento, de Jean-Luc Lagarce. Além de espetáculos, cria performances, que apresenta em eventos. Entre elas, Renúncia, que recebe o prêmio de melhor esquete no 1° Circuito Carioca de Esquetes, em 2002, trata dos efeitos da indústria do entretenimento sobre uma jovem que, durante uma tentativa de suicídio, evidencia a descoberta de que a vida não é um conto de fadas. A performance Bala Perdida, apresentada por ocasião do riocenacontemporânea de 2005, utiliza os vagões, cadeiras, janelas, plataformas, trilhos e escadas da Estação Ferroviária Barão de Mauá.

Notas

1. COELHO, Sérgio. Festival encena Rio além do Tragicômico - Os Dezequilibrados, Folha de S.Paulo, Ilustrada, São Paulo, 21 nov. 2002.

2. LUIZ, Macksen. Provocadora Ebulição - Identidade e Banalização. Jornal do Brasil, Caderno B, Rio de Janeiro, 19 nov. 2002.

3. FISCHER, Lionel. Palco do Sesc abriga crime regado a sushi, Tribuna da Imprensa, Tribuna Bis, Rio de Janeiro, 10 abr. 2003.

4. SANTOS, Valmir. Cia. 'desequilibra' teatro com cinema, Folha de S.Paulo, São Paulo, 22 jul. 2006.



Atualizado em 16/10/2007
 
 
Veja na Web
 
  Os Dezequilibrados - site do grupo