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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
O Tablado

Data/Local

1951 - Rio de Janeiro RJ (fundação)

Histórico

Fundado como uma companhia amadora, O Tablado se torna o principal centro difusor da dramaturgia de Maria Clara Machado e uma escola de teatro voltada para o aspecto artesanal da profissão.

O Tablado surge para atender aos anseios de um grupo de intelectuais e artistas cariocas de ter um lugar próprio onde ver representadas novas idéias de teatro. Ao lado de estudantes de direito interessados na discussão e na fruição estética, liderados pelo escritor Aníbal Machado, esse grupo cria as condições para que o pintor e médico Martim Gonçalves se encarregue da direção teatral e a jovem Maria Clara Machado, recém-chegada de um período de cursos em Paris, assuma a função de primeira atriz. Sua proposta é a criação de uma companhia amadora e a formação de um repertório dedicado às melhores peças internacionais. As funções no entanto não são estanques - Martim e Maria Clara pautam, dirigem, produzem e constroem os espetáculos, além de cuidar do espaço. Contam também com diretores convidados: Brutus Pedreira - Sganarello, de Molière, 1952; João Bethencourt - Nossa Cidade, de Thornton Wilder, 1954; Geraldo Queirós - Baile dos Ladrões, de Jean Anouilh, 1955, Tio Vânia, de Anton Tchekhov, 1955, O Tempo e os Conways, de J. B. Priestley, 1957.

Entre 1951 e 1959, O Tablado mantém um repertório eclético e uma qualidade de encenação que atrai o público e o torna o grupo respeitado pela crítica. Paralelamente, encena os primeiros textos de Maria Clara Machado. Em 1955, com o sucesso de Pluft, o Fantasminha, a companhia sedimenta um público cativo tanto para espetáculos destinados a adultos quanto aos dirigidos às platéias infantis. Apresenta, em sua trajetória, peças antológicas que marcam mais de uma geração de crianças, tais como: O Cavalinho Azul, 1960; Maroquinhas Fru-Fru, 1961; A Menina e o Vento, 1963; Maria Minhoca, 1968; Tribobó City, 1971, todas escritas e dirigidas por Maria Clara Machado.

A partir de 1956, o núcleo começa a editar os Cadernos de Teatro, publicando peças, textos didáticos e matérias sobre espetáculos. Com o auxílio de instituições públicas e privadas, a publicação se mantém ao longo de mais de 45 anos.

No final da década de 1950, alguns atores, insatisfeitos com a recusa de profissionalização da companhia, saem para formar seu próprio conjunto: Rubens Corrêa e Ivan de Albuquerque fundam o Teatro do Rio, Cláudio Corrêa e Castro, Kalma Murtinho, Carmem Murgel e Geraldo Queirós fundam o Teatro da Praça. Maria Clara insiste em manter o caráter amador do espaço, com receio de que o compromisso profissional e as obrigações financeiras dele decorrentes ameaçassem a continuidade da iniciativa.

No início dos anos 1960, Maria Clara Machado começa a dar aulas no teatro para encontrar novos colaboradores. Começa uma nova fase da companhia, em que a vocação didática ganha espaço. A formação de jovens, baseada na integração entre os campos técnico e artístico, valoriza o aspecto artesanal do teatro. Os cursos, voltados para a prática, mantêm uma produção regular de espetáculos. Passam por O Tablado, entre outros, Jacqueline Laurence, Wolf Maya, Cininha de Paula, Louise Cardoso, Hamilton Vaz Pereira, Carlos Wilson, Miguel Falabella, Andréa Beltrão, Sura Berditchewisky, Maria Padilha, Drica Moraes, Claudia Abreu, Malu Mader, Guilherme Fontes e Silvia Buarque.

Ao mesmo tempo que desenvolve seus cursos e seu principal filão, o teatro infantil, permitindo sucessivas remontagens dos textos de Maria Clara Machado, O Tablado não deixa de manter na pauta encenações de grandes obras dramatúrgicas. Essas montagens se mantêm fiéis ao texto e ao rigor técnico e artístico, sem nenhuma inspiração vanguardista. Durante a década de 1960, o teatro abriga, entre outras, Piquenique no Front, de Fernando Arrabal, 1966, Andócles e o Leão, de Bernard Shaw, 1966, e Hamlet, de William Shakespeare, 1967. Nos anos 1970, encena Tennessee Williams, Máximo Gorki, Dürrenmatt. Nos anos 1980, monta Anton Tchekhov, José Vicente, Georg Büchner, Sófocles e Alfred Jarry.

O crítico Yan Michalski, ex-integrante da companhia, avalia a contribuição de O Tablado para o teatro brasileiro: "Uma das façanhas do grupo de Maria Clara Machado reside justamente na flexibilidade com a qual ela soube adaptar as suas finalidades e características a essa nova situação, a fim de manter acesa, ainda que de uma maneira diferente, a chama do seu entusiasmo e a validade do seu trabalho como uma escola teatral 'sui-generis': uma escola que não somente fornece aos seus estagiários um excelente treinamento prático em todas as disciplinas da atividade dramática, mas também forma as suas mentalidades dentro de um saudável clima de trabalho de equipe, de bem-humorada seriedade e de intransigente honestidade intelectual e artística".1

Criado em uma época de reflorescimento do teatro, O Tablado, mantém-se como instituição no âmbito do amadorismo teatral e contribui para a formação de toda uma geração de atores, diretores, figurinistas, cenógrafos, iluminadores e músicos do teatro carioca.

Notas

1. MICHALSKI, Yan. Citado em Maria Clara Clareou. São Paulo: Sesc Pompéia, 1994, p. 9.



Atualizado em 01/02/2011
 
 
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  Machado, Aníbal (1894 - 1964)