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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Teatro Popular de Arte - TPA (Teatro Maria Della Costa - TMDC)

Data/Local

1948 - Rio de Janeiro RJ - Teatro Popular de Arte - TPA

1949/1954 - São Paulo SP - Teatro Popular de Arte - TPA

1955/1974 - São Paulo SP - Teatro Maria Della Costa - TMDC

Histórico

Fundado pela atriz Maria Della Costa e pelo empresário Sandro Polloni - com a participação da veterana Itália Fausta - o Teatro Popular de Arte desenha sua trajetória de 26 anos com espetáculos bem-acabados, que em vários momentos apontam para a concepção moderna de teatro.

O espetáculo de estréia, Anjo Negro, de Nelson Rodrigues, em 1948, anuncia uma companhia que prioriza a linguagem cênica e os espetáculos inquietantes em detrimento do teatro de estrelas que caracteriza seu tempo. Em grandiosa encenação de Ziembinski, o texto de Nelson Rodrigues provoca polêmicas e exacerbada rejeição. No mesmo ano, em seu segundo espetáculo, Estrada do Tabaco, a companhia procura - e consegue - o sucesso de público por meio de um texto naturalista que coloca em cena as relações familiares no contexto da miséria; é a primeira encenação de Ruggero Jacobbi para o conjunto. Em ambos os espetáculos, a atriz Itália Fausta merece elogios pela firmeza de suas composições.

Ainda em 1948, o Teatro Popular de Arte, TPA, monta Woyzeck, de Georg Büchner, mudando o título para Lua de Sangue. Para concretizar no palco a ousadia do texto (considerado por muitos precursor do expressionismo), Ziembinski se lança a uma série de experiências cênicas para a criação do espetáculo. A impossibilidade de dar continuidade, no Rio de Janeiro, às propostas artísticas defendidas pela equipe faz a companhia abandonar a cidade e sair em excursão. A partir de 1949, seus espetáculos passam a estrear em São Paulo. Em 1950, a companhia inaugura o Teatro de Cultura Artística, com a estréia de O Fundo do Poço, de Helena Silveira, texto-reportagem baseado em um fato verídico, com direção de Graça Mello.

O primeiro grande êxito vem com O Canto da Cotovia, de Jean Anouilh, em 1954, quando a companhia inaugura, em São Paulo, o Teatro Maria Della Costa - TMDC, que passa a sediar suas atividades. Depois da estréia, o crítico Décio de Almeida Prado faz uma análise do papel da nova empresa no panorama da cidade, dominado até então pelo Teatro Brasileiro de Comédia - TBC, dizendo que "Sandro Polloni é o primeiro empresário a aceitar o desafio do TBC" e que o Teatro Maria Della Costa "não fica nada a dever a nenhum outro, como edifício e como organização artística"; elogia tanto o palco, a visibilidade e a acústica da sala de 420 lugares, quanto a produção rica e cuidadosa, que lança mão de cenários e roupas históricas em profusão e de quase duas dezenas de atores, o que considera um milagre para uma empresa particular sem subvenção. E a respeito do espetáculo, aponta "uma unidade perfeita, englobando tudo, desde a disposição da cena até os movimentos dos atores", e considera que "cada personagem define-se pela roupa, pela maneira de gesticular e pelo lugar que ocupa no palco, formando, em conjunto, um desenho único".1 Na concepção cenográfica de Gianni Ratto, também diretor do espetáculo, várias plataformas se ligam por escadas, dando à peça mobilidade plástica e cênica.

Em 1955, o Teatro Maria Della Costa - TMDC, nome que substitui o TPA após o estabelecimento da sede própria, lança A Moratória, de Jorge Andrade, que, embora sem Maria Della Costa no elenco, dá a Sergio Britto e Fernanda Montenegro ocasião para desempenhos notáveis, sob a direção de Gianni Ratto.

Em 1958, o TMDC realiza um outro marco do teatro brasileiro, ao encenar profissionalmente, pela primeira vez no Brasil, o autor Bertolt Brecht em A Alma Boa de Set-Suan. Embora recebendo críticas a algumas de suas opções - como a de recitar as músicas ao invés de cantá-las - a direção de Flaminio Bollini revela ao público um novo teatro. Maria Della Costa é vivamente aplaudida pela interpretação da dupla Chen-Tê e Chuí-Tá. O espetáculo, a direção e a cenografia de Tulio Costa são premiados duas vezes - com o Saci e com o Prêmio Governador do Estado de São Paulo. Eugênio Kusnet e Sadi Cabral são laureados como coadjuvantes. Oswaldo Louzada é notado pela poesia e pela nobre humildade que imprime ao aguadeiro.

Acompanhando as novas tendências do teatro brasileiro a partir de Eles Não Usam Black-Tie, encenado pelo Teatro de Arena, em 1958, o TMDC lança no ano seguinte, Gimba, o segundo texto de Gianfrancesco Guarnieri, montagem que projeta o jovem Flávio Rangel para o primeiro time de encenadores do período.

Outra montagem histórica vem com Depois da Queda, de Arthur Miller, 1964. Flávio Rangel concebe um desenho de movimentação dos atores em diversos patamares geométricos, estabelecidos pela cenografia moderna e arrojada de Flávio Império e com 360 movimentos de luz que decupam a ação. O espetáculo surpreende pela força da concepção visual e da plasticidade, que esclarecem as idéias da peça e lhe confere dinamismo dramático.

Em 1968, o TMDC acompanha as renovações da nova geração de dramaturgos, produzindo Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã, de Antônio Bivar, com direção de Fauzi Arap.

A pesquisadora Tania Brandão considera que o TPA é a primeira companhia teatral moderna estável do Brasil, uma vez que estréia antes do início da carreira profissional do TBC. Segundo ela, a companhia é o conjunto que "galvanizou a fórmula, o modelo básico para a profissionalização do teatro brasileiro moderno, através do recurso ao diretor estrangeiro, à alternância de peças 'de bilheteria' e 'culturais' - este mesmo procedimento que tem sido atribuído ao TBC sob o nome de oscilação pendular de repertório".2

Notas

1. PRADO, Décio de Almeida. O Canto da Cotovia. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 7 nov. 1954.

2. SILVA, Tania Brandão da. Peripécias modernas: companhia Maria Della Costa. 1998. 204 p. Tese (Doutorado em História da Arte)-Instituto de Filosofia e Ciências Sociais. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1998.



Atualizado em 24/09/2008
 
 
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  literatura - nomes
  Rangel, Flávio (1934 - 1988)