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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Tango
18/ 4/ 1972 - Rio de Janeiro/RJ
Teatro Tereza Raquel

Histórico
A peça de Slawomir Mrozek é, em aparência, uma farsa familiar grotesca, mas na realidade, propõe um exame crítico da luta pelo poder. Três gerações entram em conflito: o pai, artista de vanguarda, se contrapõe ao conservadorismo do filho, que defende a ordem, enquanto o tio-avô se associa ao vencedor do momento.

No palco, também três gerações de atores se encontram: Elza Gomes e Sadi Cabral interpretam os idosos; Tereza Raquel e Sergio Britto representam o casal; Renata Sorrah e Ary Coslov fazem os jovens, e Roberto Bonfim, o criado.

O diretor Amir Haddad sobe o tom da linguagem proposta pelo autor, ultrapassando a farsa e concebendo o espetáculo como uma ópera bufa, que sublinha o nonsense e apresenta um gestual exacerbado.

O crítico Yan Michalski, faz restrições à inserção de gírias e referências nacionais que, segundo ele, descaracterizam o original e fazem uma concessão de efeito duvidoso para se aproximar da plateia; elogia, entretanto, a direção e os atores. No Jornal do Brasil, escreve: "Tango é peça dificílima para o diretor e os intérpretes. [...] a forma do espetáculo não pode afastar-se de um à primeira vista amalucado vaudeville, cujo angustiado debate de idéias só pode aparecer como um pano de fundo, a servir de contraste a uma ação desenfreadamente engraçada. [...] Amir - decisivamente ajudado por um expressivo e lindo cenário e divertidíssimos figurinos de Joel de Carvalho - fez um espetáculo de uma grandeza de sopro, riqueza de detalhes e força de apelo visual [...]. A magnífica soltura do elenco, e a minúcia do trabalho dos atores, em cujos detalhes está sempre presente o dedo de Haddad, superam entretanto as deficiências parciais da realização.[...] Tango é até agora o mais expressivo ato de coragem da temporada teatral, é a sua primeira manifestação dotada de personalidade criativa indiscutível".1

Anos depois, ao fazer um balanço dos espetáculos dos anos de repressão política, Yan Michalski ratifica essa opinião: "Apenas um espetáculo de grandes méritos e força de personalidade salva a honra da temporada: Tango, fascinante fábula moral e política do polonês Slawomir Mrozek, que Amir Haddad dirigiu com alegre soltura [...]".2

Tango rende Prêmio Governador do Estado do Rio de Janeiro de melhor atriz para Elza Gomes, de melhor direção para Amir Haddad e Prêmio Molière de melhor ator para Sergio Britto.

Notas
1. MICHALSKI, Yan. Tango dançado em cima de uma muralha. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 27 abr. 1972.

2. MICHALSKI, Yan. O teatro sob pressão. Rio de Janeiro: Zahar, 1989, 2ª edição. p. 53.



Atualizado em 06/06/2011