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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
O Mambembe
12/ 11/ 1959 - Rio de Janeiro/RJ
Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Histórico
Marco na trajetória do Teatro dos Sete e na história do teatro brasileiro, o espetáculo dirigido por Gianni Ratto, com texto de Artur Azevedo e elenco de mais de sessenta atores, alcança sucesso de público e de crítica baseado em três alicerces: a comicidade, a plasticidade e a comunicação com o público.

O Mambembe, burleta escrita e estreada em 1904, põe em cena uma companhia teatral que viaja pelo interior do Estado do Rio de Janeiro, enfrentando todo tipo de dificuldade para realizar seus espetáculos e atrair o público. A peça, uma espécie de hino de amor ao teatro, apresenta com muita graça o enredo centrado nas personagens Laudelina, mocinha que deseja ser atriz, e Frazão, o empresário do grupo mambembe. Paródia de melodramas, crítica ao descaso dos governantes para com a arte dramática, sátira dos costumes interioranos, tipos cômicos irresistíveis, belos números musicais, tudo faz de O Mambembe uma das melhores comédias do teatro brasileiro.

A teatralidade e a temática do texto de Artur Azevedo, são tomadas como guia no processo de criação do diretor. Gianni Ratto adota no espetáculo uma linha que enfatiza o aspecto teatral, incluindo o contato direto dos atores com o público, por meio de apartes ao texto, levando-o a participar dos acontecimentos da cena, conivente com as intenções particulares de cada personagem. O crítico Sábato Magaldi comenta: "Não há dúvida de que o espetáculo deu à burleta o pleno rendimento, na alegria feérica do desempenho e na perfeição da montagem. O texto, como se podia precipitadamente julgar, não foi, porém, meio roteiro para a pirotécnica do elenco. Sem a graça das situações e das falas, não se manteria de pé a frequente mutação dos cenários".1 Nos cenários são usadas diversas aquarelas que criam os vários ambientes proposto pelo texto e imprimem leveza à cena. Na estreia, cada mudança de cenário é recebida pela plateia com efusivos aplausos. Para a música, o diretor se utiliza da partitura original de Assis Pacheco, executada ao vivo. Em entrevista, Gianni Ratto fala sobre a escolha da peça: "[...] Foi a Fernanda [Montenegro] quem me deu O Mambembe para ler. Pouco antes, o Sadi Cabral tinha montado a peça e tinha sido um fracasso. Então, quando comunicamos à pobre mídia que a gente tinha na época que faríamos O Mambembe, ninguém acreditou: - 'Acabou de fracassar e vocês vão montar isso com uma companhia nova?' Digo: - 'Vamos'. E montamos com o espírito de Artur Azevedo, um homem maravilhoso que dedicou parte importante de sua vida ao teatro. Ele identificou uma espécie de comédia musical brasileira, a burleta, que discutia problemas do próprio país sempre em tom alegre, contando, dançando. Fizemos com a cara e a coragem, setenta atores... E tivemos êxito. Quando o espetáculo acabou, o Theatro Municipal em peso levantou e aplaudiu longamente, não acabava nunca, os atores voltaram cinquenta vezes ao palco. Não estou dizendo isso para me gabar, mas foi uma coisa embriagadora [...]".2

O depoimento de Gianni Ratto é corroborado pela crítica Barbara Heliodora: "[...] todos se dedicaram a seu trabalho com o mesmo entusiasmo e em todos sentimos o mesmo orgulho de estar prestando sua colaboração para que o Theatro Municipal honrasse devidamente aquele que tanto lutou por sua construção. [a crítica aqui faz uma referência a Artur Azevedo, que se empenhou durante anos na construção do teatro onde a companhia estreou sua versão de O Mambembe]. [...] todos trabalharam, desde o diretor até o figurante que não pisou no palco mais de trinta segundos, com o mesmo e enorme amor que Artur Azevedo teve pelo teatro".3

A apreciação apaixonada da crítica do Jornal do Brasil é partilhada unanimemente pelos demais críticos do Rio de Janeiro. Segundo a historiadora Maria Inez Barros de Almeida, trata-se de uma obra que se insere em uma categoria rara e disputada do teatro - a dos inesquecíveis.

Notas

1. MAGALDI, Sábato. Panorama do teatro brasileiro. 3ª Ed. São Paulo, Global, 1997. p. I62.

2. RATTO, Gianni. O teatro é um filho da mãe que não morre nunca. Entrevista a Folhetim n. 5. Rio de Janeiro: Teatro do Pequeno Gesto, set-dez 1999. p. 81.

3. HELIODORA, Barbara. De como se deve amar o teatro: 'O Mambembe' pelo Teatro dos Sete. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 nov. 1959. Suplemento Dominical, p. 6.



Atualizado em 16/09/2009
 
 
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  Azevedo, Artur (1855 - 1908)