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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
O Pagador de Promessas
26/ 7/ 1960 - São Paulo/SP
Teatro Brasileiro de Comédia

Histórico

Espetáculo de impacto, realizado pelo Teatro Brasileiro de Comédia - TBC, sob a direção de Flávio Rangel, que consolida a adesão da companhia à dramaturgia nacional. Traduzida para 10 línguas e montada em 15 países estrangeiros, é uma das peças nacionais mais bem-sucedidas internacionalmente.

O texto de Dias Gomes gira em torno da figura de Zé do Burro, pequeno lavrador que, querendo curar seu burro, faz uma promessa a Santa Bárbara: carregar uma cruz, de sua cidade até Salvador. Na capital, enfrenta a oposição do pároco e se torna, apesar da simplicidade de seus propósitos, centro de todas as atenções de uma população urbana que o acolhe como figura exótica. O enredo presta-se à exploração dos tipos populares, das cenas de cantoria e capoeira, introduzindo a cor local.

O autor envereda por um tema embebido de misticismo, abrindo espaço para confrontar os valores do mundo rural com os do mundo urbano, explorando suas contraposições e delas fazendo o motivo para a evolução dos conflitos. Sua ambição é traçar um painel geral da intolerância, retratada sob diversos aspectos no enredo. Flávio Rangel, em sua primeira encenação no TBC, dá substrato à nova fase da empresa, que depois de anos privilegiando textos da dramaturgia internacional, passa a acolher textos nacionais com maior freqüência. Leonardo Villar alcança um enorme sucesso vivendo o protagonista, o que o levará a reproduzir sua interpretação na versão cinematográfica da obra, que recebeu a Palma de Ouro do Festival de Cannes, em 1960, com direção de Anselmo Duarte. Nathália Timberg realiza comovente criação como Rosa, merecendo destaque ainda Cleyde Yáconis, como a prostituta, Maurício Nabuco, como o cafetão, e Elísio de Albuquerque, como o padre Olavo; o numeroso elenco não dispensa nem capoeiristas nem cantadores de samba de roda.

Flávio Rangel, usando um dos recursos do encenador francês Jean Vilar no Théâtre National Populaire - TNP, faz com que alguns dos atores desçam à platéia e, enfrentando o público, lhe falem diretamente, rompendo a quarta parede e as convenções de um realismo estrito. A cenografia de Cyro Del Nero mostra-se eloqüente e minuciosa, ao reconstituir a perspectiva do casario de Salvador, ao mesmo tempo que colore o ambiente com os alegres tons populares.

No comentário que faz, o crítico Décio de Almeida Prado não poupa elogios à montagem: "A sua primeira virtude [de Flávio Rangel] é enxergar o espetáculo como um todo. Ele não vê a palavra impressa mas a representação, incluindo-se nela os elementos mímicos e musicais, [...] daí o prazer sensorial, por assim dizer físico, que este seu espetáculo nos proporciona. [...] Leonardo Villar não nos dá a impressão de virtuosismo, de técnica, e sim de profunda interiorização [...] não só retrata com tocante veracidade a inocência, como o faz sem emprestar-lhe nada de edulcorado ou de piegas. É um homem comum, rude, bronco, impulsivo - mas integralmente justo".1


Nota

1 PRADO, Décio de Almeida. Teatro em progresso. São Paulo: Martins: 1964. p. 171-176.



Atualizado em 16/06/2010
 
 
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  Rangel, Flávio (1934 - 1988)