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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Revolução na América do Sul
11/ 5/ 1960 - São Paulo/SP
Teatro de Arena

Texto de Augusto Boal, integra a fase nacionalista do Teatro de Arena, que emprega procedimentos brechtianos.

Estreando em 1960, num momento de acirramento dos movimentos nacionalistas em função das eleições presidenciais, Revolução na América do Sul constitui-se numa dramatização de um pequeno folheto que circulava então, denominado José da Silva. Ampliando horizontes, Augusto Boal cria um percurso para o alegórico protagonista, um operário cujo caminho é interceptado por um sem-número de figuras e situações. Tomado como um símbolo do povo brasileiro, José da Silva sucumbe de fome em meio às falcatruas dos políticos, às negociatas mais diversas para espoliar a indústria nacional, aos efeitos nefastos da propaganda eleitoreira, à ação dos grandes trustes internacionais. Formulada em quadros, a peça pretende ser um painel sintético da contraditória realidade nacional.

Diferentemente do teor realista dos demais textos originados no Seminário de Dramaturgia, Revolução na América do Sul se utiliza de efeitos de distanciamento na construção dramatúrgica, tais como a inserção de canções, cartazes, frases de ligação entre cenas, abrindo espaço para a encenação de José Renato manipular as técnicas brechtianas nas interpretações e nas soluções cênicas.

As músicas, compostas por Geni Marcondes e Chico de Assis, ajudam o fluxo do espetáculo, bem como os inúmeros adereços e cenários de Ded Bourbonnais. Flávio Migliaccio, vivendo o dócil e alienado personagem central, alcança ótimo rendimento, comparável às criações aristofanescas onde esta sátira foi buscar inspiração e substrato.

Na análise do crítico Sábato Magaldi: "(...) a peça é contra tudo e contra todos, e, realmente, só a favor do operário José da Silva, que está morrendo de fome. (...) Muitas vezes grosseira, mal-educada, sem sutileza, Revolução guarda, no entanto, toda a vitalidade alegre e contagiante da farsa primitiva. Pelo trabalho consciente do dramaturgo, ela significa mais ainda: assimila, pelos seus vários aproveitamentos, as lições tradicionais do teatro, e mistura-as com os estímulos imediatos da experiência nacional - a revista e o circo".1

Notas

1. MAGALDI, Sábato. Um palco brasileiro: o Arena em São Paulo. São Paulo: Brasiliense, 1984. p. 41.



Atualizado em 29/12/2005