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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Rito do Amor Selvagem
28/ 11/ 1969 - São Paulo/SP
Theatro São Pedro

Histórico
Espetáculo criado por José Agrippino de Paula e Maria Esther Stockler com o grupo Sonda. Fecha a trilogia que inclui Tarzan, 3° Mundo - O Mustang Hibernado e O Planeta dos Mutantes. A montagem emprega processos de criação coletiva embasados pela dança e pelo happening, conferindo à luz, à cenografia e à música a mesma importância que aos intérpretes. Evidencia relações com a contracultura, a performance e o teatro de vanguarda dos anos 1960.

A montagem é dotada de forte apelo ritual. A figura-chave é Stênio Garcia, que contracena com um grupo de dançarinos, além da presença de uma banda musical ao fundo. Os espectadores são recebidos no foyer do Theatro São Pedro com dezenas de caixas de papelão vazias que rolam pelas escadas. Um enfermeiro cruza o saguão arrastando um cadáver. Entre as figuras cênicas podem ou não estar Marlon Brando, Mussolini, Hitler, Eva Braun, um super-herói, já que não há texto definido. Se alguém tiver um sonho, um pesadelo ou insight, esse material poderá ir para o palco e a equipe improvisará sobre isso a cada noite. O cenário consiste de uma cortina, formada de páginas de histórias em quadrinhos, desenhadas por Jô Soares. Durante a realização - ninguém sabe exatamente quando - uma bola gigante de plástico cai sobre a platéia. A seqüência das ações é imprevisível. Ela pode voltar rápido para o palco ou ficar pulando, com Stênio Garcia se equilibrando sobre ela, por entre os espectadores.

Declara Agrippino no programa: "Nosso processo de trabalho no Rito poderia ser chamado de mixagem. Mixagem é um termo usado em cinema que significa a mistura de várias faixas de som, os diálogos, os ruídos e a música. As três faixas de som se reúnem e completam a imagem do filme. No nosso laboratório de dança e teatro o processo é o mesmo.[...] Os elementos de cena e figurinos abandonam a função narrativa da personagem e da cena e ganham uma atividade própria e se tornam objetos significantes em si independentes do texto, cenário e personagem. [...] No teatro atual uma pilha de latas de óleo ou um monte de bonecas de plástico, dependendo do seu uso cênico, poderá substituir qualquer discurso".1

Na época, Rito do Amor Selvagem causou estranheza e houve certa dificuldade crítica na análise do espetáculo. Segundo Anatol Rosenfeld: "[...] pode-se criticar um espetáculo, objeto em face do qual se situa, como sujeito, o crítico [...] O Rito, em vários momentos, bem ao contrário, tenta precisamente anular a relação sujeito/objeto, público/espetáculo. Diante disso o crítico vê-se num dilema: ou entrou na coisa, e nesse caso, não pode criticar, por lhe faltar a distância crítica (ninguém pensaria em criticar um ritual ou um happening) ou não entrou, também nesse caso não pode criticar, por não ter participado ao nível das intenções mais profundas do experimento".2

Notas
1. PAULA, José Agrippino de. Texto do diretor no Programa do espetáculo. São Paulo, 1969.

2. ROSENFELD, Anatol. Prismas do teatro. São Paulo: Perspectiva, 1993, p. 234.



Atualizado em 30/05/2011
 
 
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  Paula, José Agrippino de (1937 - 2007)
Rosenfeld, Anatol (1912 - 1973)