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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Thomas, Daniela (1959)

Biografia

Daniela Gontijo Alves Pinto (Rio de Janeiro RJ 1959). Cenógrafa e diretora. A mais destacada cenógrafa dos anos 80, parceira de grande parte das criações do diretor Gerald Thomas, articulada com o minimalismo e as soluções pós-modernas.

Casada com o diretor Gerald Thomas, inicia-se no profissionalismo assinando a cenografia de All Strange Away, de Samuel Beckett, no Teatro La MaMa, Nova York, em 1983. No ano seguinte está em Beckett Trilogy, outra incursão pelo universo minimalista do autor irlandês. No Brasil desde 1985, cria a visualidade de algumas realizações de impacto na cena nacional, tais como Quatro Vezes Beckett, em 1985; Quartett e Carmem com Filtro, em 1986, e Eletra Com Creta, em 1987, todos cenários grandiosos e simbólicos, espaços inóspitos construídos com poucos elementos. Para a encenação da ópera O Navio Fantasma, de Wagner, cria um monumental cenário que evoca a Segunda Guerra, em 1987. A Trilogia Kafka é criada em 1988, primeiro trabalho da Companhia de Ópera Seca, na qual uma grande biblioteca aloja as personagens e em que os efeitos de luz de Thomas surpreendem pela estranheza da forma de iluminar a cena. Segue-se Carmem com Filtro 2, e uma nova ópera é criada no Rio de Janeiro, em 1989: Mattogrosso, de Gerald Thomas e Phillip Glass, um de seus mais criativos e surpreendentes trabalhos na década de 1980, em que corredores cobertos por caixas de terra são separados por telas translúcidas. Em 1990 está em Sturmspiel, criado na Alemanha, e em Fim de Jogo, nova criação de Gerald Thomas inspirada em Samuel Beckett, com Giulia Gam no elenco. No mesmo ano produz a cenografia de M.O.R.T.E., outra obsessão em torno do universo da criação artística. Uma segunda versão da montagem apresenta-se em Taormina, Itália. Em 1991 cria Perseu e Andrômeda, no Staatstheater de Stuttgart; The Said Eyes of Karlheinz Öhl, em Volterra; e The Flash and Crash Days - Tempestade e Fúria, no Brasil, destacando Fernanda Montenegro e Fernanda Torres nos papéis centrais, numa espacialização em que um vulcão está prestes a entrar em erupção. Saints and Clowns, nova criação junto à Companhia de Ópera Seca, estréia em Hamburgo, em 1992.

Em 1994 está numa realização inteiramente feminina, Pentesiléias, texto que ela adapta de Kleist para direção de Bete Coelho e faz cenografia para Bonita Lampião, de Renata Melo. Em 1998 cria o espaço cênico para Domésticas, nova parceria com Renata Melo, enquanto cria um novo espetáculo autoral - Da Gaivota - baseada em Anton Tchekhov, novo destaque para Fernanda Montenegro. Em 2000, volta à cenografia com Pai, de Cristina Mutarelli, direção de Paulo Autran. Para o diretor curitibano Felipe Hirsch, cenografa Nostalgia, do próprio Felipe, 2001; Os Solitários, dois textos de Nicky Silver, 2002; e A Morte de um Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, 2003. No mesmo ano é a diretora de arte de todos os seis espetáculos da 2ª Mostra de Dramaturgia Contemporânea do Teatro Popular do Sesi - TPS, e de Tio Vânia, de Anton Tchekhov, direção de Aderbal Freire-Filho

Na área cinematográfica Daniela realiza algumas incursões. Em 1994 co-dirige com Walter Salles Jr. Terra Estrangeira; colaborando com o mesmo diretor em Central do Brasil, no ano seguinte. Ambos estão novamente reunidos, em 1997, em A Primeira Noite, uma obra de vários autores flagrando a passagem do réveillon de 2000 em diversos países. No ano seguinte co-assina com seu pai, o cartunista Ziraldo Alves Pinto, o roteiro de O Menino Maluquinho 2.

Daniela Thomas acumula uma série de prêmios ao longo de sua carreira como cenógrafa, estando sempre presente nas fichas técnicas dos espetáculos mais prestigiados da temporada teatral no eixo Rio-São Paulo.

Para o crítico Yan Michalski, "Daniela Thomas é uma extraordinária artista plástica do palco, que parte sempre de um choque visual básico, em vários casos constituído de paredes cuja altura desmedida e cuja textura insólita configuram uma ruptura violenta com os padrões realistas, e um ponto de partida para a criação de um universo fantasioso e simbólico, que fornece uma complexa soma de sugestões metafóricas sobre a situação dramática em que as personagens se encontram. Significativos, a este respeito, foram: a monumental biblioteca na qual ela ambientou magistralmente as três peças da Trilogia Kafka; o inesperado cenário para O Navio Fantasma, sem o qual a polêmica sugestão entre a ópera wagneriana e a mentalidade nazista empreendida pelo encenador nunca teria levantado vôo; ou, ainda, a cortina de tule por trás da qual ela esfumava toda a ação de Eletra Com Creta. Do mesmo modo, seus figurinos tendem a transformar as personagens em sugestões deturpadas de seres humanos reais, mas essa própria deformação se torna uma generosa fonte de informações poéticas sobre a maneira de esses personagens estarem no mundo. E cada superfície que ela cria na sua cenografia ou seus figurinos é um incomparável espaço preparado para receber e projetar com o máximo rendimento a personalíssima linguagem de iluminação que constitui o cartão de visita mais espetacular da gramática cênica de Gerald Thomas".1

Notas

1. MICHALSKI, Yan. Antunes Filho. In: ______. Pequena enciclopédia do teatro brasileiro contemporâneo. Rio de Janeiro, 1989. Material inédito elaborado em projeto para o CNPq.



Atualizado em 18/03/2009
 
 
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