Biografia
José Possi Neto (São Paulo SP 1947). Diretor. Encenador de espetáculos para os atores de teatro mais prestigiados do país. Ligado também ao teatro dança e musical, com várias realizações bem-sucedidas nesses gêneros.
Conclui sua formação em crítica e dramaturgia na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, em 1970. A seguir, torna-se diretor da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia - UFBA, dirigindo, entre 1971 e 1972, montagens experimentais e criações coletivas, tais como Momento Processo e Monte Santo. A Casa de Bernarda Alba, de Federico García Lorca, Tito Andrônico, de William Shakespeare, e Álbum de Família, de Nelson Rodrigues, ligam-se a uma fase em que cultiva a exasperação da linguagem e temas soturnos, de 1973 a 1976.
Em São Paulo cria um musical inspirado na personagem Geni, da música de Chico Buarque, projetando, mais uma vez, a atriz Marilena Ansaldi, em 1980. Em Filhos do Silêncio, de Mark Medoff, dirige Irene Ravache com grande rendimento em 1982. No mesmo ano, dirige para Paulo Autran Traições, de Harold Pinter, em realização sóbria e refinada. Em 1983 o musical jovem Band-Age vincula-o ao mundo da dança e do musical.
Em 1984, cria um espetáculo especial: De Braços Abertos, com Irene Ravache e Juca de Oliveira, realização muito premiada. Em 1985, dirige novamente Paulo Autran em Tartufo, de Molière, e, em 1986, Feliz Páscoa, um boulevard de Jean Poiret. No mesmo ano, produz um espetáculo ousado e controvertido: Santa Joana, de Bernard Shaw, com Esther Góes.
Um Dia Muito Especial, com o casal Glória Meneses e Tarcísio Meira, 1986; Ligações Perigosas, com Marieta Severo; e O Manifesto, com Beatriz Segall, ambas de 1987, são encenações apoiadas em chaves mais tradicionais e que propiciam bons resultados. Segue-se uma realização importante: Lobo de Ray-ban, texto do ator Renato Borghi, que resulta, com as interpretações de Raul Cortez e Christiane Torloni, em grande destaque. Em 1989, Lilian, texto de Willian Luce, é um veículo para Beatriz Segall brilhar; assim como M. Butterfly, de David Henry Hwang, destaca Raul Cortez, em 1990. Em 1992 é a vez de Marília Pêra, em A Baronesa, de Leilah Assumpção; e no ano seguinte a de Fernanda Montenegro, em Gilda, de Noel Coward. Essa capacidade de fazer os intérpretes alcançarem grandes interpretações torna-se uma marca do encenador.
Em Portugal, onde Christiane Torloni vive alguns anos, monta para ela Êxtasis, de Albino Firjaz de Sampaio, em 1994. Três Mulheres Altas, de Edward Albee, destaca Beatriz Segall, Nathália Timberg e Marisa Orth, um novo trunfo em sua carreira, em 1995. A realização de Salomé, de Oscar Wilde, entretanto, com Christiane Torloni e Luis Melo, soa rebuscada e sem apelo junto ao público.
Em 1997 volta a um texto de Maria Adelaide Amaral, Inseparáveis, compondo Irene Ravache e Juçara Freire num dueto de alto rendimento. Um Certo Olhar, Fernando Pessoa e Federico García Lorca, montagem de 1999, é um solo preparado para o exercício empático de Raul Cortez junto ao público.
José Possi Neto mostra-se sempre desenvolto junto aos espetáculos musicais e aos de dança-teatro, gênero ao qual dedicou-se com afinco, em realizações sempre inquietantes, como Um Sopro de Vida, em 1979, e Picasso e Eu, em 1982, ambos com Marilena Ansaldi; Tratar Com Murdok, coreografia de Victor Navarro, em 1981; A Dama das Camélias, com o Ballet da Cidade de São Paulo, ocupando todos os espaços do Teatro Municipal, em 1983; o simbólico Rito de Amor e Morte na Casa de Lilith, a Lua Negra, com Selma Egrei e Odilon Wagner, em 1987; Emoções Baratas, com a Banda Heartbreakers em 1990; O Bailado do Deus Morto, recuperação da obra de Flávio de Carvalho, com Sérgio Mamberti, Laís Corrêa e Luciano Quirino, em 1999.
Inúmeros shows musicais integram seu currículo, com ênfase em cantoras dramáticas como Maria Bethânia - 25 anos, em 1993; Summertime, em 1980, e Bilbao Cabaré, em 1989, com Cyda Moreyra; Sonho e Realidade, com Simone, em 1995; e todas as apresentações ao vivo de sua irmã, a cantora Zizi Possi. Para o cinema faz trabalhos de coreografia em Esmerald Forest, de John Boormam, em 1983, e Running out of Lucky, Julien Temple e Mike Jagger, em 1984, por ocasião das filmagens do cantor de rock no Brasil.
Atualizado em 11/10/2007