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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Cardoso, Pedro (1961)

Biografia
Pedro Cardoso Martins Moreira (Rio de Janeiro RJ 1961). Ator, autor, diretor. Criador de espetáculos que, como Bar Doce Bar, 1982, se baseiam na comicidade de ações curtas e cotidianas, o intérprete Pedro Cardoso cria um estilo calcado em sua própria timidez e fragilidade física, tornando-se um dos expoentes do teatro besteirol dos anos 80.

Sua iniciação como ator acontece em espetáculos infantis. Estréia em Sonhe com os Ratinhos, de Ricardo Maurício, 1980. No ano seguinte, ingressa no grupo Manhas e Manias, e atua em Manhas e Manias e em Brincando com Fogo, ambos criações coletivas de 1981. Em 1982, atua no grupo Pessoal do Cabaré, onde já trabalhara como operador de luz em dois espetáculos.

A estréia como ator cômico acontece no mesmo ano com Bar Doce Bar, criado e dirigido em parceria com Felipe Pinheiro, que lhe vale o Troféu Mambembe como ator revelação. A dupla de atores faz uma seqüência de espetáculos entre 1982 e 1992 em que ambos preenchem as funções de autores, diretores e atores. Tanto Bar Doce Bar quanto A Porta, 1983; C de Canastra, 1985; A Besta, 1987; Nada, 1988; e A Macaca, 1990, retiram humor de flagrantes do cotidiano levados ao absurdo. A continuidade dessa linha de teatro e o tipo de atuação de Pedro Cardoso fazem com que seja atribuída a ele a criação do besteirol, um novo filão cômico que durante os anos 1980 é explorado por diversos autores - principalmente Mauro Rasi, Vicente Pereira e Miguel Falabella. O besteirol é baseado em uma seqüência de quadros que têm em comum apenas a atualidade e cotidianidade temática, em uma linguagem sustentada pelo potencial cômico do ator, que não precisa de nenhum outro recurso e nem mesmo de outros atores para contar sua história. O crítico Macksen Luiz considera que o principal elemento de comicidade no trabalho da dupla é o trabalho dos atores, em especial o de Pedro Cardoso, "com sua máscara algo patética, de desamparo, uma figura ligada à melhor tradição dos grandes atores-cômicos (de Chaplin a Oscarito). Com um perfeito domínio do tempo cômico, dosando os silêncios".1

A associação de Pedro Cardoso à tradição cômica se mostra também quando o ator realiza outros tipos de espetáculo. Ao criticar Parentes Entre Parênteses, de Flávio de Souza, 1984, Flávio Marinho observa que "explorando sua chapliniana máscara patética, Pedro Cardoso cria cinco tipos distintos, vivos e independentes, absolutamente delineados desde sua entrada em cena - um talento que poucos comediantes possuem".2 Em Do Amor, de Domingos Oliveira, 1985, Pedro Cardoso amplia o espectro de seus recursos técnicos e mostra um depuramento do estilo que vai da brincadeira à ironia. Em 1988, protagoniza Noel Rosa - um Musical, de Joaquim Assis, com direção de Domingos Oliveira.

Com a morte de Felipe Pinheiro, Pedro Cardoso passa a atuar sozinho em espetáculos em que assina também o texto e a direção. O primeiro monólogo que escreve é O Dono da Festa, 1992. Revê o mesmo texto e o condensa para estrear, dois anos depois, O Autofalante. A direção de Amir Haddad retira do palco os recursos utilizados no primeiro espetáculo e coloca o ator como veículo único de sua linguagem. Em 1998, o autor e ator volta, com Os Ignorantes, baseado no cordel de José de Oliveira, assinando também a direção. A história de um menino que é atingido por bala perdida, e em torno da qual gravitam os outros personagens, construídos como retratos falados, ganha humor através dos comentários do autor sobre os comportamentos desses tipos comuns. Enquanto o crítico Macksen Luiz considera que o espetáculo é um "veículo para o temperamento do ator",3 o diretor Gerald Thomas afirma que Pedro Cardoso "é um autor trágico que se apresenta na forma de um comediante inocente".4 Em 2001, em nova parceria com o diretor Amir Haddad, com quem desde O Autofalante trabalha sistematicamente, atua em Mão na Luva, de Oduvaldo Vianna Filho.

Pedro Cardoso torna-se um ator também prestigiado na televisão, tendo realizado alguns trabalhos em novelas, seriados e minisséries, tais como Anos Rebeldes, Pátria Minha, AEIOUrca, Comédia da Vida Privada e A Grande Família. No cinema projeta-se em O que É Isso Companheiro?, romance de Fernando Gabeira, dirigido por Bruno Barreto, em 1996. Atua em mais dois filmes desse diretor: Quatro Dias em Setembro, 1997, e Bossa Nova, 1999; como também em Por Trás do Pano, de Luiz Villaça, 1999, e O Homem que Copiava, direção de Jorge Furtado, 2002.

Notas
1. LUIZ, Macksen. Passatempo divertido. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 19 out. 1983.

2. MARINHO, Flávio. Laços de ternura e humor entre parentes. O Globo, Rio de Janeiro, 31 mar. 1984.

3. LUIZ, Macksen. Sem afetividade. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 14 set. 1985.

4. THOMAS, Gerald. Ator é simplesmente impressionante. Folha de S.Paulo, São Paulo, 12 mar. 1999.



Atualizado em 11/08/2011
 
 
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  Gabeira, Fernando (1941)