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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Andreato, Elias (1955)

Biografia
Elias Vicente Andreato (Rolândia PR 1955). Ator e diretor. Como intérprete, transita com desenvoltura nos variados estilos da cena contemporânea, destacando-se nas atuações em personagens densas e angustiadas, comprometidas com o ato de viver. Como diretor, distingue-se sobretudo nas comédias, buscando efeitos de leveza e entretenimento.

Após ter passado pelo amadorismo, Elias estréia profissionalmente em Pequenos Burgueses, de Máximo Gorki, numa montagem de Renato Borghi, em 1977. Vive Oswald de Andrade em Tietê, Tietê... ou Toda Rotina Se Manteve Não Obstante o que Aconteceu, de Alcides Nogueira com o grupo Os Farsantes, em 1979, enfrentando, logo a seguir, um monólogo intempestivo: Diário de um Louco, de Nikolai Gogol, dirigido por Marcio Aurelio, em 1980. No mesmo ano, está em Calabar, texto de Chico Buarque e Ruy Guerra proibido desde 1974, encenado por Othon Bastos, Martha Overbeck e Renato Borghi, com direção de Fernando Peixoto.

Lua de Cetim, novamente de Alcides Nogueira, com direção de Marcio Aurelio, reafirma seu prestígio, em 1981. Seguem-se alguns trabalhos desenvolvidos com Edith Siqueira, Trágico à Força, de Anton Tchekhov, em 1982; Édipo Rei, de Sófocles, em 1983; Senhorita Júlia, de August Strindberg, em 1984. No mesmo ano, protagoniza um espetáculo criativo e inquietante: Artaud, O Espírito do Teatro, texto de José Rubens Siqueira, dirigido por Francisco Medeiros e enfrenta um desafio, ao fazer o velho de Escola de Mulheres, de Molière, direção de Roberto Lage.

Em 1985, com O Gosto da Própria Carne, de Albert Innaurato, novamente ao lado de Edith Siqueira e Roberto Lage, explora largamente a composição de uma personagem out-sider. Um travesti, em Hello! Boy!, de Roberto Gil Camargo, permite-lhe o trânsito pela comédia, em 1986. No mesmo ano, participa de O Corpo Estrangeiro, de Marguerite Duras, montagem experimental de Marcia Abujamra. Em 1988 surge em Lago 21, ao lado de Walderez de Barros e Mariana Muniz, realização poética sobre textos de William Shakespeare e Anton Tchekhov.

Em 1989, novamente com Roberto Lage, participa de Decifra-me ou Devoro-te, de José Rubens Siqueira e Renato Borghi. Está em Sexo dos Anjos, de Flávio de Souza, peça que lhe garante prêmios Shell, Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA), e Apetesp de melhor ator em 1990. Solo Mio é uma criação sobre textos de Caio Fernando Abreu, Murilo Rubião e Renato Borghi, em 1992, com direção de Eliana Fonseca. Repetindo a parceria com Marcia Abujamra, em 1993, enfrenta novo solo com grande repercussão: Van Gogh, a partir de cartas deixadas pelo angustiado artista plástico. Sua interpretação recebe do crítico Armindo Blanco o comentário: "Como seu modelo, Andreato é um arco-íris de sensibilidade, um poderoso supridor de emoções empenhando-se até o limite da exaustão. Tem a técnica vocal e gestual de um ator consumado. Seu trabalho, premiado com o Shell em São Paulo, é arrebatador. Vai além de um discurso sobre a infinidade solar das possibilidades cromáticas para mergulhar a fundo na alma desse genial artista, que preferia pintar os olhos de um homem às catedrais e no qual a sociedade de seu tempo viu apenas um paciente mental".1

Em 1994 está em Repetition, de Flávio de Souza, ao lado de Xuxa Lopes, e em Esta Noite Choveu Prata, novo solo buscado num texto típico dos anos 40, escrito por Pedro Bloch. Em A Gaivota, de Anton Tchekhov, bem-sucedida encenação de Francisco Medeiros de 1996, obtém nova oportunidade de reconhecimento. Oscar Wilde, espetáculo que retrata os últimos dias do escritor inglês, é uma criação de 1997, com direção de Vivien Buckup.

Diversas encenações levam sua assinatura, com destaque para Levadas da Breca, de Flávio de Souza, com Mira Haar e Patrícia Gaspar, 1988; Não Tenha Medo Virgínia Woolf, a partir da obra da autora, com roteitro de Elias e Esther Góes, 1990; Áulis, em adaptação de Celso Frateschi para Ifigênia em Áulis, de Eurípides, 1993; no mesmo ano, Rimbaud, roteiro de Elias Andreato e Ariel Borghi; Tantã, de Rafael Camargo, com Cristina Pereira, numa evidente preferência pela comédia e os gêneros leves. Em 1996 dirige Do Amor de Dante por Beatriz, um roteiro de sua autoria, com fragmentos da Divina Comédia e dos poemas da juventude de Dante Alighiere, interpretado por Celso Frateschi, sensível homenagem à recém falecida amiga e atriz Edith Siqueira. No mesmo ano, ganha o Prêmio IBEU de melhor direção com Os Fantástikos, de Tom Jones e Harvey Schmidt, um musical Off- Broadway. Em 1997, dirige Arte Oculta, escrito e interpretado por Cristina Mutarelli, ao lado de Carlos Moreno. Em 2000, dirige Paulo Autran em Visitando o Sr. Green, de Jeff Baron, espetáculo que marca os 50 anos de carreira do ator. No ano seguinte, é a vez de um texto de Mário Bortolotto, Gravidade Zero, para o ator circense Rodrigo Matheus, e Futilidades Públicas, um monólogo de Patrícia Gaspar. Remoto Controle, de Leonardo Alckmin, é dirigido por ele para a Mostra de Dramaturgia Contemporânea do Sesi, em 2002. No mesmo ano, encena Só Mais um Instante, de Marta Góes, na Mostra Oficial do 11º Festival de Teatro de Curitiba e dirige Marília Pêra em A Filha da ... , de Eduardo Silva. 3 Versões da Vida, de Yasmina Reza, com Denise Fraga e Marco Ricca é o espetáculo de 2003.

Retorna como ator, em 2003, em Artaud, Atleta do Coração, uma análise de Artaud pelas pinturas de Van Gogh, sob a direção de Marcia Abujamra, e em Senhor das Flores, de Vinícius Márquez, dirigido por Marco Ricca. E, em 2004, está em A Cabeça, de Alcides Nogueira, ao lado de Débora Duboc, novamente direção de Marcia Abujamra.

No cinema participa de algumas produções, com destaque para Sábado, Os Boleiros e O Príncipe, todos de Ugo Giorgetti.

Parceira de Elias em diversos trabalhos, a diretora Marcia Abujamra traça um perfil da trajetória do artista: "Ator de teatro, televisão e cinema, diretor e muitas vezes roteirista de seus próprios trabalhos, Elias Andreato é um artista de rara sensibilidade e talento na arte de compor suas personagens. Sua busca é pela humanidade das personagens que interpreta e seus espetáculos freqüentemente questionam o papel do artista na sociedade e a relação com o seu tempo. Construiu uma carreira sólida feita, acima de tudo, pela escolha por personagens/personalidades que pudessem traduzir esse pensamento - Van Gogh, Oscar Wilde, Artaud, são exemplos dessa escolha e resultaram em interpretações marcantes que garantiram a ele um lugar especial no teatro brasileiro. Andreato já foi considerado o maior ator de teatro da geração pós-Arena e Oficina, um ator que se supera a cada espetáculo e é hoje referência para as gerações mais jovens que vêem nele uma inspiração e uma possibilidade de vida e de um caminho pessoal no teatro".2  

Notas
1. BLANCO, Armindo. Uma viagem na tempestade. Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro, 19 maio 1994.

2. ABUJAMRA, Marcia. Depoimento sobre Elias Andreato cedido à Enciclopédia Teatro do Itaú Cultural. São Paulo, out. 2002.



Atualizado em 20/09/2010
 
 
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  Abreu, Caio Fernando (1948 - 1996)
Andrade, Oswald de (1890 - 1954)
Rubião, Murilo (1916 - 1991)