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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Cavalli, Leona (1970)

Biografia

Alleyona Canedo da Silva (Rosário do Sul RS 1970). Atriz. Intérprete de destaque nos anos 1990, estabelece uma parceria de trabalho com o diretor José Celso Martinez Corrêa e, posteriormente, com a diretora Cibele Forjaz.

Estréia, em São Paulo, como a Ofélia de Ham-let, de William Shakespeare, na versão do diretor José Celso Martinez Corrêa, pelo Teatro Oficina, em 1993. No mesmo ano, trabalha em Valsa nº 6, de Nelson Rodrigues. Em 1995, integra o elenco de Mistérios Gozozos, de Oswald de Andrade (1890 - 1954), com o mesmo encenador, assim como em Bacantes, de Eurípides, igualmente com o Oficina, em 1996.

Em 1997, participa de Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente e, no ano seguinte, interpreta a Sônia de Tio Vânia, texto de Anton Tchekhov, dirigido por Élcio Nogueira. Com Bibi Ferreira, ainda em 1998, integra a comédia Viva o Demiurgo, de Paulo Pélico, despretensiosa realização de entressafra. Volta, no ano seguinte, às realizações artisticamente mais preocupadas integrando a produção Disk Ofensa, texto de Pedro Vicente encenado por Nilton Bicudo.

Novamente no Oficina, em 1999, é uma das criadoras de Cacilda!, texto e encenação de José Celso Martinez Corrêa, destinada a homenagear a grande atriz brasileira. No mesmo ano, cria uma companhia de teatro infantil, dirigindo A Vizinha do Noé; Cascando o Bico e O Disco Solar. Com Cibele Forjaz, em 2000, enfrenta o desafio de interpretar a Geni de Toda Nudez Será Castigada, de Nelson Rodrigues, reconhecida como uma das mais vibrantes jovens atrizes contemporâneas e ganhando o Prêmio Shell de melhor atriz. Seu talento é novamente explorado pela encenadora na criação da Blanche Du Bois de Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams, montado em 2001.

Com a cineasta Tata Amaral faz os filmes Um Céu de Estrelas, em 1995, e Através da Janela, em 1998.

Num depoimento apaixonado, o ator e diretor Vadim Nikitin descreve a emoção de compartilhar a cena com a atriz: "O primeiro olhar que recebi de Leona foi numa noite de primavera de 1993, durante um ensaio de Ham-let, no Teatro Oficina. Ela flutuava seminua na fonte da sua Ophélia, e flertava com um grupo de meninos que a espiavam excitados da galeria, entre os quais eu. Eu nem sonhava em fazer teatro, mas Leona mandava lá da fonte psius que apaixonaram todo um coro grego de atores brasileiros. De fato, já em 2000, dirigido pela Grande Mãe Cibele Forjaz em Toda Nudez Será Castigada, era eu que mergulhava numa outra fonte: a banheira ensangüentada de Serginho, da qual Geni-Leona vinha me levar para a cama. [...] Durante os densos segundos dessa cena, um dos meus subtextos, confesso, é aquele primeiro olhar de Leona, que agora, aliás, está mais na lembrança do que nela. Pois Geni é radicalmente uma nova atriz: para construir personagens diferentes, Leona tem a rara coragem de revolucionar a própria vida, custe o que custar. Como as ondas, em cena ela não tem idade. [...] Quem contracena com Leona Cavalli pode bebê-la ou se afogar nela. Essa mulher é uma atriz literalmente molhada".1

Notas

1. NIKTIN, Vadin. Uma atriz molhada. Jornal da Tarde, São Paulo, 16 mar. 2002.



Atualizado em 25/05/2010
 
 
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  Andrade, Oswald de (1890 - 1954)