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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Freire, Wagner (1959)

Biografia

Wagner Rocha Freire (São Paulo SP 1959). Iluminador. Light designer de sensibilidade, presente em significativas montagens a partir dos anos 90.

Freire deixa inconclusa uma formação como engenheiro eletrônico na Universidade Oswaldo Cruz para dedicar-se ao teatro. Inicia-se, em 1989, operando a luz de O Senhor de Porqueiral, de Molière, encenado pelo Grupo TAPA. Integrado à equipe, desenha a luz das realizações seguintes: Nossa Cidade, de Thornton Wilder, em 1989, As Raposas do Café, de Antônio Bivar e Celso Luiz Paulini, em 1990, e Querô - Uma Reportagem Maldita, de Plínio Marcos, em 1992, todos direção de Eduardo Tolentino de Araújo.

Dedicado ao ofício e possuindo agudo senso de equilíbrio na composição dos meios-tons, seus trabalhos seguintes são: Almanaque Brasil, de Noemi Marinho, para o grupo Circo Grafitti, Van Gogh, texto e encenação de Marcia Abujamra, protagonizado por Elias Andreato; Áulis, de Eurípides, direção de Elias Andreato e Celso Frateschi, e A Guerra Santa, de Luís Alberto de Abreu, direção de Gabriel Villela, este último rendendo-lhe seu primeiro Prêmio Shell de iluminação. 

Para Francisco Medeiros desenha a luz de A Gaivota, de Anton Tchekhov, realizada no Centro Cultural São Paulo, em 1994. Mesmo ano em que ilumina as óperas Madame Butterfly, de Giacomo Puccini, direção de Jorge Takla, e Os Pescadores de Pérolas, de Georges Bizet, direção de Naum Alves de Souza.

Retorna em 1996 para colaborar em Cenas de Um Casamento, de Ingmar Bergman, encenação de Vivien Buckup, com Regina Braga e Tony Ramos. No ano seguinte, ilumina Flor de Obsessão, baseado em Nelson Rodrigues, criação do grupo Pia Fraus Teatro; Salomé, de Oscar Wilde, realização de José Possi Neto  para a atriz Christiane Torloni, e Inseparáveis, de Maria Adelaide Amaral, novamente José Possi Neto, ganhando o Prêmio Apetesp pelo conjunto da obra. Ainda em 1997, acumula mais um prêmio, agora o Shell, por Oscar Wilde, roteiro de Elias Andreato, dirigido por Vivien Buckup. Em 1998, está em O Avarento, de Molière, direção de Cacá Rosset para o Teatro do Ornitorrinco.

Em 1999, ilumina o dispositivo cênico criado para Moby Dicky, de Herman Melville, espetáculo de Rodrigo Matheus, com direção de Cristiane Paoli-Quito. Em 2001, novamente ao lado de José Possi Neto, cria a luz para O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago.

O acabamento da produção de Salomé, um dos exemplos da intervenção do artista, ganha relevo nos comentários do crítico Alberto Guzik: "A produção da montagem de Possi é primorosa. O cenário de Felipe Crescente, os figurinos de Jacqueline Terpins, a luz de Possi/Freire e a música de Jether Garotti Jr. formam moldura estética perfeita para a narrativa. Há sofisticação e requinte para esta fábula mórbida. Um espelho de água, que ocupa quase a metade do espaço, reflete misteriosamente a luz dos refletores e a silhueta dos artistas. Os tons do espetáculo são sombrios, como a história. Marrom, sépia e ocre são suas cores dominantes".1

Notas

1. GUZIK, Alberto. Trama de Salomé soa datada, mesmo com boa montagem. Jornal da Tarde, São Paulo, p. 3C, 5 mar. 1997.



Atualizado em 15/10/2007