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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Leme, Bellá Paes (1910)

Biografia
Isabel Betim Paes Leme (São Paulo SP 1910). Cenógrafa e figurinista. A artista plástica encontra no teatro o campo para uma criação que une o rigor da pesquisa e da fidelidade ao texto à moderna concepção visual, baseando-se nos conhecimentos de pintura e na sua rica formação cultural.

Forma-se pela Escola Nacional de Belas Artes, em 1927, e faz curso de pintura, em 1930, com Pedro Correia de Araújo, no Rio de Janeiro, a quem credita o melhor de seu aprendizado artístico, e freqüenta o ateliê de André Lhote, em Mirmand, na França, em 1936.

Inicia no teatro profissional no grupo Os Comediantes, em 1940, criando o cenário de A Verdade de Cada Um, de Luigi Pirandello, com direção de Adacto Filho. Assina o cenário de Nossa Querida Gilda, de Noel Coward, direção de Dulcina de Moraes, numa produção da Companhia Dulcina-Odilon, em 1949. Em 1955, é a cenógrafa de O Baile dos Ladrões, de Jean Anouilh, dirigido por Geraldo Queirós, pelo O Tablado. No ano seguinte, faz cenário e figurinos para Electra no Circo, de Hermilo Borba Filho, mais uma direção de Geraldo Queirós. Em 1957, cenografa O Embarque de Noé, texto e direção de Maria Clara Machado. No mesmo ano, recebe a menção honrosa na 1ª Bienal de Teatro de São Paulo e, em 1958, seus cenários para Antes da Missa, de Machado de Assis, A Jóia, de Artur Azevedo, ambas com direção de José Maria Monteiro, no Teatro Nacional de Comédia (TNC), e Chapéu de Palha da Itália, de Labiche, com direção de Geraldo Queirós, lhe valem o Prêmio Padre Ventura do Círculo Independente dos Críticos Teatrais (CICT), e o Prêmio da Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT). Em 1959, recebe a medalha de ouro na 2ª Bienal de Teatro de São Paulo.

A ABCT lhe confere, em 1960, o prêmio duplo de melhor figurinista de ópera e de teatro, pelo trabalho em Dona Rosita, a Solteira, de Federico García Lorca, com direção de Sérgio Viotti; O Anjo de Pedra, de Tennessee Williams, dirigido por Benedito Corsi, para o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC); Concerto Mendelson, coreografia de William Dollar, numa produção do Ballet do Rio de Janeiro, e Menina das Nuvens, ópera de Lucia Benedetti, músicas de Villa-Lobos, com direção de Gianni Ratto.

O trabalho para o balé Descobrimento do Brasil, de Villa-Lobos, e o "drama eletrônico" Apague Meu Spotlight, de Jocy de Oliveira, para o Teatro dos Sete, ambos em 1961, evidencia um levantamento histórico de estilos e um temperamento criativo que não busca o impacto, mas a correção e a limpeza visuais para compor a plasticidade da cena. Em A Gata Borralheira, de Maria Clara Machado, 1962, como já havia feito em A Jóia e Chapeú de Palha da Itália, ambos em 1958, utiliza painéis que sugerem objetos. Em A Escada, de Jorge Andrade, encenada pelo Teatro do Rio em 1963, Bellá consegue prodígios no aproveitamento do exíguo palco e, assim como em Os Físicos, de Dürrenmatt, 1966, mostra uma densidade de concepção que valoriza as montagens. No TNC, realiza também os figurinos de Rasto Atrás, de Jorge Andrade, novamente sob a direção de Gianni Ratto, ainda em 1966. Seu último trabalho, em 1975, é para A Cantada Infalível, de Georges Feydeau, com direção de João Bethencourt.

Ao longo da carreira de 35 anos, a cenógrafa e figurinista constrói, segundo o crítico Macksen Luiz, uma "obra visual fundamentada na pesquisa e no criterioso levantamento das questões do espaço cênico".1 Para Walmir Ayala, Bellá Paes Leme está entre os mais renovadores cenógrafos brasileiros: "... pela notável arquitetura de suas ambientações, tangidas pela sensibilidade e pela madura aproximação dos textos que a motivaram, bem como de seus diretores de cena. [...] De um Tennessee Williams a um Garcia Lorca, de um Artur Azevedo a um Pirandello ou Ariano Suassuna, pode-se perceber a propriedade com que imprimiu já à cena vazia o clima psicológico de cada um, as nuanças geográficas e temporais e, mais que tudo, a generalizada disponibilidade do espaço pronto a ser completado pela presença humana e a voz. Bellá compreendeu bem a responsabilidade da reflexão sobre a essência literária do texto, e as intenções do diretor, e foi perfeita quando harmonizou tudo isso na unidade figurino/cenografia, dedicando-se diuturnamente à descoberta de cada textura de tecido, de cada aproximação cromática, da criação de efeitos que faziam do mais banal o mais luxuoso, do mais prosaico a mais alta poesia".2

Notas
1. LUIZ, Macksen. Um traço que faz falta ao palco. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 maio 1985.

2. AYALA, Walmir. As críticas: cenários de Bellá Paes Leme. Ultima Hora, Rio de Janeiro, 16 maio 1985.



Atualizado em 08/04/2011
 
 
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  Assis, Machado de (1839 - 1908)

 

 
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  Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais - Leme, Bellá Paes (1910)