Biografia
José Leopoldo Pacheco (São Paulo SP 1960). Ator, cenógrafo e figurinista. Artista versátil de apurada técnica de interpretação, trabalha também com reconhecida competência como visagista (maquiagem e cabelo) e na construção de cenários.
No começo dos anos 1980, cursa dois anos de artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap. O conhecimento adquirido se soma à formação de ator na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo - EAD/USP, onde aprende técnica de maquiagem e caracterização com o professor Wenceslau Braz Valim. Sobre essa técnica, dá aulas no Teatro Escola Macunaíma, de 1985 a 1987; no Teatro-escola Célia Helena, em 1987 e 1988; e em curso do Teatro da Pontifícia Universidade Católica - PUC/SP, em 2002.
Estréia como ator em 1985, em Máscaras, com texto e direção de Augusto Francisco, interpretação que lhe dá o Prêmio Governador do Estado de melhor ator e o de revelação pela Associação Paulista de Críticos de Artes - APCA. Em 1986, atua em Medéia, o Dramatículo, dirigido por Wagner Salazar. Trabalha com o Grupo TAPA na montagem de A Megera Domada, de William Shakespeare, sob a direção de Eduardo Tolentino de Araújo, em 1990. No mesmo ano, assume pela primeira vez a direção, em Anjo, de Wagner Salazar. Revela a versatilidade de seu repertório, em 1992, ao participar de um espetáculo de teatro-dança, Koitchangaré, criação e direção de Silvia Bittencourt.
A década de 1990 é decisiva no amadurecimento e no contato com diretores de diferentes concepções estéticas: Roberto Lage em Dindinho do Coração da Mamãe, 1995; Gabriel Villela em O Mambembe, 1996, e Replay, 2000; Moacyr Góes em Toda Nudez Será Castigada, 1998. Em 1997, pela direção de O Pallácio Não Acorda, com a Companhia Cênica Nau de Ícaros, ganha o Prêmio Mambembe.
Em 2001, interpreta o poeta francês Verlaine em Pólvora e Poesia, de Alcides Nogueira, dirigido por Marcio Aurelio. O desempenho nesse papel rende-lhe o Prêmio Shell de melhor ator. Leopoldo Pacheco revela sensibilidade na construção de uma personagem que transmite ao público o profundo dilaceramento causado pela paixão pelo jovem Rimbaud, interpretado por João Vitti, com quem contracena no espetáculo. Sobre a atuação, escreve o crítico Kil Abreu: "Os dois atores conduzem muito bem seus personagens, especialmente Leopoldo Pacheco, que constrói seu Verlaine, a goles de absinto, com a força e a intensidade necessárias para resistir à promessa de caos permanente e, por vezes, ao humor corrosivo e niilista de um Rimbaud que ama na mesma medida em que submete e desafia".1
Integra os elencos de Souvenirs, de Fernando Bonassi e Victor Navas, direção de Marcio Aurelio, pelo Teatro Popular do Sesi - TPS, 2002; O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, direção de Michel Bercovitch, 2006; e Amigas, Pero no Mucho, de Célia Regina Forte, direção de José Possi Neto, 2007. Neste ano, consolida a parceria com Alcides Nogueira e Marcio Aurelio, desafiando-se no solo A Javanesa, escrito especialmente para ele, uma longa história de amor, em que interpreta um homem e uma mulher.
A realização mais constante de cenários e figurinos ocorre nas parcerias que assina com Gabriel Villela, com quem ganha o Prêmio Shell de melhor figurino por Ópera do Malandro, 2001; e Gota d'Água, 2002, ambas de Chico Buarque. Também em 2002, compõe com Marco Lima os figurinos de Mãe Coragem, de Bertolt Brecht, dirigido por Sérgio Ferrara; de Romeu e Julieta, de Shakespeare, em encenação de William Pereira; e de Interior, do Grupo Tusp, com direção de Abílio Tavares. Com outra parceria, a de Carol Badra, ganha mais um Prêmio Shell de melhor figurino, desta vez por A Mulher do Trem, de Maurice Hennequin e George Mitchell, dirigido por Fernando Neves, pelo grupo Os Fofos Encenam, em 2003.
Leopoldo Pacheco tem atuado em bons papéis no cinema e na televisão, mídia que lhe tem trazido bastante popularidade.
Notas
1. ABREU, Kil. Peça traz à luz dissonância estética de poetas franceses. Folha de S.Paulo, São Paulo, Ilustrada, 21 jul. 2001. p. Especial-3
Atualizado em 11/10/2007