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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
D'Aversa, Alberto (1920 - 1969)

Biografia

Alberto D'Aversa (Casarano Itália 1920 - São Paulo SP 1969). Diretor italiano que atua principalmente no Teatro Brasileiro de Comédia distinguindo-se também na atividade didática em diversas escolas de teatro e reconhecido pela crítica jornalística de espetáculos.

Em 1941, durante a Guerra, Alberto D'Aversa entra para a Regia Accademia di Arti Drammatica di Roma , ocasião em que é convocado pelo exército, trabalhando como cinegrafista. Ao voltar, integra-se à Resistência e prossegue sua formação em direção teatral, iniciando carreira no cinema e no teatro logo após o término do conflito armado. Já destacado profissional, forma-se em filosofia e excursiona pela América do Sul, em 1947, com a companhia Diana Torrieri.

Volta à Itália, mas acaba por radicar-se, a partir de 1950, na Argentina, inicialmente para fazer cinema, com a companhia de Armando Bó. Nos anos seguintes segue carreira como encenador teatral e professor, criando alguns espetáculos notáveis, como Arlequim, Servidor de Dois Amos, de Carlo Goldoni; Os Caprichos de Mariana, de Musset; Antígone, de Jean Anouilh, e Ana Christie, de Eugene O'Neill. Em 1953 alcança grande sucesso com Mãe Coragem, de Bertolt Brecht, com o Teatro Popular Judeu IFT, que dirige por quatro anos. Sucessivamente, funda o Instituto de Arte Moderna, dirige o Teatro Nacional de Comédia, o Teatro Lírico, no Colón, e em 1953 é nomeado professor de estética na Universidade de La Plata.

Encontrando resistências pelo peronismo ao seu trabalho na Argentina, D'Aversa aceita de bom grado o convite que lhe é feito por Alfredo Mesquita, em 1957, para vir ao Brasil dar aulas na Escola de Arte Dramática, EAD. Essa aproximação o leva a dirigir, para o Teatro Brasileiro de Comédia, TBC - em razão da partida de Maurice Vaneau - no mesmo ano, seu primeiro espetáculo: Rua São Luís, 27 - 8º Andar, de Abílio Pereira de Almeida, grande sucesso do repertório tebeceano.

Seguem-se Os Interesses Criados, de Jacinto Benavente, 1957; e Vestir os Nus, de Luigi Pirandello, e Muito Curiosa História da Virtuosa Matrona de Éfeso, de Guilherme Figueiredo, ambos em 1958. No mesmo ano, Um Panorama Visto da Ponte, de Arthur Miller, é apontado como uma das mais vibrantes criações do TBC e, seguramente, a mais sólida criação de D'Aversa entre nós. Ainda em 1958, coloca em cena a primeira criação de Jorge Andrade produzida no TBC: Pedreira das Almas.

Suas montagens seguintes são: Senhorita Júlia, de August Strindberg; Romanoff e Julieta, de Peter Ustinov; Patate, de Félicien Marceau, e Quando Se Morre de Amor, de Giovanni Patroni Griffi, sua última criação na casa, todos em 1959. 

Para Ruth Escobar encena Mãe Coragem, destacando Lélia Abramo no papel-título, em 1960, e Os Males da Juventude, de Ferdinand Bruckner, no ano seguinte. Gog e Magog, de McDougall, em 1964, com Sergio Cardoso, reafirma sua capacidade de prender a platéia. Nesse mesmo ano, uma nova peça italiana o ocupa, Esses Fantasmas, de Eduardo De Filippo, com Zeloni e Beatriz Segall à frente do elenco.

Inicia sua contribuição como crítico do jornal Diário de S. Paulo, onde mantém uma conceituada coluna diária, em 1965 e encena Espectros, de Henrik Ibsen, que é montado por uma companhia da qual é um dos associados, percorrendo o Brasil. O Relatório Kinsey, sátira por ele escrita e dirigida sobre o célebre relatório sexual norte-americano, estréia na boate Ela, Cravo e Canela. Para Maria Della Costa, cria Maria Entre os Leões, de Aldo de Benedetti, veículo que confirma o brilho da atriz; assim como A Próxima Vítima, de Marcos Rey, ambas em 1967.

Para um grupo amador encena Noite de Guerra no Museu do Prado, de Rafael Alberti, em 1968, mesmo ano em que co-assina com Antônio Abujamra a direção de As Criadas, de Jean Genet, com homens vivendo os papéis centrais. Para a Escola de Arte Dramática, EAD, e para a Escola de Teatro da Bahia, onde também ministra aulas, envolve-se em diversas encenações. Deixa um livro de estudos, intitulado Notas Críticas. Entre seus filmes realizados no Brasil, destaca-se Seara Vermelha, em 1963.

Apreciando sua trajetória, comenta o estudioso e pesquisador Antônio Mercado: "(...) A verdade é que jamais D'Aversa deixou de ser um crítico, mesmo quando dirigia. Não possuía a vitalidade cênica de um Celi, nem a sua 'mão' para o sucesso junto ao público, embora fosse como este, um extraordinário professor de atores (e, por outro lado, muito mais profundo na análise do texto e da estrutura dramática). Sua excelente análise de personagens aproximava-se do refinamento e da sutileza de [Luciano] Salce; mas enquanto Salce visava à interiorização através da penetração nos aspectos psicológicos indicados no texto, D'Aversa procurava extrair esta vivência interior partindo da meticulosa análise das palavras e de sua carga poética. (...) Com isso, conseguiu revelar e confirmar inúmeros talentos; e muitos foram os atores que a crítica premiou pelos espetáculos dirigidos por D'Aversa".1

Notas

1. MERCADO NETO, Antônio. CrÍtica teatral de Alberto D'Aversa no Diário de São Paulo. 1979. 2 v. Dissertação (Mestrado)-Escola de Comunicações e Artes. Universidade de São Paulo, São Paulo, 1980. p. 42.



Atualizado em 11/10/2007
 
 
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  Rey, Marcos (1925 - 1999)