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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Borges, Antônio Pedro (1940)

Biografia
Antônio Pedro Borges de Oliveira (Rio de Janeiro RJ 1940). Ator e diretor. Sua fisionomia expressiva e seu espírito irreverente e brincalhão definem um estilo que encontra nos papéis de comicidade expansiva seu campo mais propício. Aberto a propostas novas e disposto a subverter toda a ordem que não conduza à criação, Antônio Pedro atua em várias áreas da profissão - de ator e diretor a cargos políticos e de administração pública.

Em 1960 estréia como ator e contra-regra em Um Elefante no Caos, de Millôr Fernandes, com direção de João Bethencourt, e como assistente de direção em As Cadeiras e A Lição, de Eugène Ionesco, dirigidos por Luís de Lima. Sua formação em teatro acontece em Paris, entre 1961 e 1965, quando participa de vários cursos e workshops de interpretação, mímica, dança, impostação vocal, improvisação. Paralelamente trabalha com Yves Robert, Antoine Bourseiller, Jean Marie Serreau e Jorge Lavelli em diferentes funções, tais como maquinista, contra-regra, aderecista, iluminador, assistente de direção e diretor de produção. Freqüenta as aulas de Jacques Lecoq em cursos do Théâtre des Nations. Em 1963 faz estágio em Villeurbaine, com Roger Planchon. Faz a produção executiva e a direção técnica em tournée pela França e Suíça, com O Mágico Prodigioso, de Calderón de la Barca, direção de Jorge Lavelli. Trabalha como diretor de cena do espetáculo Estival, direção de Jean Marie Serreau, com textos de vários autores, no Pavillon de Marsan, no Museu do Louvre. Neste espetáculo é criada a versão em francês da peça Commedie, de Samuel Beckett, que freqüentava os ensaios e discutia o processo de criação dramatúrgica. Funda e dirige o Teatro Português de Paris, para emigrantes.

De volta ao Brasil em 1965, trabalha em duas encenações de Paulo Afonso Grisolli - A Vida Impressa em Dólar, de Clifford Odetts e, no ano seguinte, Onde Canta o Sabiá, de Gastão Tojeiro. Trabalha como ator na TV Tupi. Em 1966, produz, dirige e atua em O Bravo Soldado Schweik, de Jaroslav Hasec. Em 1968 trabalha como ator e assistente de direção em Roda Viva, de Chico Buarque, e Galileu Galilei, de Bertolt Brecht, montagens de José Celso Martinez Corrêa

Em 1970 dirige O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues. Atua em A Resistível Ascensão de Arturo Ui, de Bertolt Brecht, com direção de Augusto Boal, no Teatro de Arena. Viaja como ator em Arena Conta Zumbi e faz temporada com o Teatro Jornal, de Boal, na França. Em 1972, atua em Tambores da Noite, de Bertolt Brecht, sob o comando de Fernando Peixoto. Começa a integrar os elencos das telenovelas da TV Globo. Em 1973 dirige Botequim, de Gianfrancesco Guarnieri; e As Desgraças de uma Criança, de Martins Pena. Em 1975 dirige Pano de Boca, de Fauzi Arap. Dirige uma série de comédias e defende, em artigos e palestras, as chanchadas como forma popular de comédia brasileira.

Durante os anos 1970, atua em uma série de filmes, geralmente em papéis cômicos, como Se Segura Malandro, de Hugo Carvana, em 1976. Dirige Os Saltimbancos, de Chico Buarque, 1977. No ano seguinte, participa de Ópera do Malandro, também de Chico, com encenação de Luís Antônio Martinez Corrêa. Em 1979, dirige quatro espetáculos de teatro, uma ópera e assina, com Chico Buarque, o roteiro do filme Os Saltimbancos Trapalhões. Em 1980 recebe os prêmios Molière e Mambembe de melhor ator por Transaminases, de Carlos Vereza. Em 1981, dirige, produz e roteiriza Cabaré S/A, Prêmio Mambembe entre os cinco melhores espetáculos do ano.

Em 1982 atua nos filmes Bar Esperança, O Homem do Pau Brasil e Gabriela. Em 1983, como militante do PDT, é nomeado diretor de teatros da Funarj. Em 1985 dirige o divertido Cabra Marcado para Correr, uma livre adaptação de Judas em Sábado de Aleluia, de Martins Pena, uma realização premiada do hilário grupo Tem Folga na Direção. No mesmo ano, roteiriza e dirige Falabella e Karam Finalmente Juntos e Ao Vivo, um dos primeiros espetáculos do besteirol. Retorna, ainda em 1985, com os atores do Tem Folga na Direção, agora com Tá Ruço no Açougue, adaptação de Santa Joana dos Matadouros, de Bertolt Brecht, com Camilla Amado no papel título.

Em 1986 é nomeado o primeiro Secretário Municipal de Cultura do Rio de Janeiro. Em 1989 é nomeado Secretário Municipal de Cultura de Volta Redonda. Em 1990 é candidato a deputado estadual pelo PDT. Em 1993, coordenador do projeto Teatro na Uerj, cria, produz e encena 17 espetáculos, vídeos, palestras, e levanta recursos para as obras do Teatro Odylo Costa Filho. Em 1999 atua em As Três Irmãs, de Anton Tchekhov, com direção de Enrique Diaz.

Em artigo para o jornal O Globo, Nelson Motta o define como "o diretor de teatro que mais liberdade criativa oferece a seus elencos", que "só aceita fazer aquilo em que acredita", e como um artista que "adora o risco e a surpresa".1

O próprio Antônio Pedro, em entrevista ao jornal Última Hora, em 1973, afirma que o caminho do artista é criar e não obedecer - e decreta a morte do diretor que pretende ser o autor maior da cena pois, segundo ele: "O bom do teatro são as pessoas em cena - e é em cima delas que o teatro deve ser jogado. Se não contar com a criatividade de cada um, ficando só no nível da interpretação, então não há nada a se ver. É melhor ficar em casa olhando a televisão, pois [...] a tevê tem ótimos atores".2

Notas
1.  MOTA, Nelson. O teatro vivo de Antônio Pedro, ator e navegante de emoções. O Globo, Rio de Janeiro, 18 mar. 1976.

2. CASTRO, Tarso de. Antônio Pedro: prefiro a opinião de minha mãe. Última Hora, Rio de Janeiro, 20 jul. 1973. UH Revista.



Atualizado em 20/09/2010