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Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro
Segall, Beatriz (1933)

Biografia
Beatriz de Toledo Segall (Rio de Janeiro RJ 1933). Atriz. Intérprete detentora de notável diapasão cênico, expressiva quer nas criações dramáticas como nas cômicas, firma-se profissionalmente nos anos 1960 e 1970, tornando-se uma das grandes damas dos palcos brasileiros.

Professora de francês, Beatriz freqüenta a escola de formação de atores do Serviço Nacional de Teatro, SNT, onde grava uma cena com Jean-Louis Barrault quando este se encontra no Brasil. No fim do curso interpreta Le Bel Indifférent, de Jean Cocteau, abrindo as portas para sua carreira teatral, em 1950. No mesmo ano, faz o filme Beleza do Diabo, de Romain Lesage, com o qual é premiada.

Estréia profissionalmente em Manequim, de Henrique Pongetti, sob a direção de Willy Keller, ao lado de Jardel Filho, pelo Teatro Popular de Arte (TPA), alcançando ressonância junto da crítica. Integra a companhia Os Artistas Unidos, de Henriette Morineau, participando de Um Cravo na Lapela, de Pedro Bloch; e de Jezebel, de Jean Anouilh, em 1953, um novo sucesso. Recebe, na ocasião, uma bolsa do governo francês para cursar língua e teatro, formando-se na Sorbonne, em Paris.

De volta para o Brasil casa-se com Maurício Segall e muda-se para São Paulo, interrompendo por alguns anos a carreira artística. Posteriormente, participa de atividades discretas junto do Teatro Paulista de Estudantes e da TV Tupi, seja em elencos, seja dirigindo programas. Em 1964, substituindo Henriette Morineau em Andorra, montagem do Teatro Oficina, dirigida por José Celso Martinez Corrêa, assinala sua volta aos palcos.

Em 1965 está na equipe de Os Inimigos, de Máximo Gorki, mais uma direção de José Celso, também com o Oficina. Retorna, em 1968, com Marta Saré, texto de Gianfrancesco Guarnieri produzido pela companhia de Fernanda Montenegro, com ela dividindo o palco. No mesmo teatro e com direção de Fernando Torres interpreta a sra. Stockman, de O Inimigo do Povo, de Henrik Ibsen, em 1969. Nesse mesmo ano, dá vida à rainha Gertrudes, de Hamlet, espetáculo de Flávio Rangel produzido no Teatro Anchieta.

Com Maurício Segall, capitaneia um processo de reerguimento artístico do Theatro São Pedro, em São Paulo, à frente de diversas iniciativas e produções do agora intitulado Teatro Studio São Pedro. Desta fase resultam as montagens A Longa Noite de Cristal, de Oduvaldo Vianna Filho, com direção de Celso Nunes, 1970; e O Interrogatório, texto de Peter Weiss sobre os processos anti-nazistas, com o mesmo encenador, em 1971.

À frente de A Grande Imprecação Diante dos Muros da Cidade, de Tankred Dorst, numa encenação de Gianni Ratto, brilha no ano de 1972; mesmo ano em que estréia Casamento de Fígaro, de Beaumarchais, com o mesmo diretor. Em 1973 canta e representa na montagem da premiada Frank V, de Dürrenmatt, direção de Fernando Peixoto; assim como em O Prodígio do Mundo Ocidental, de John Millington Synge, direção de José Antônio de Souza, encerrando as atividades deste centro de produção.

Após nova pausa, retorna aos palcos em 1976 para viver a Amanda Wigfield em À Margem da Vida, texto de Tennessee Williams dirigido com delicadeza poética por Flávio Rangel.

Além de participações no cinema neste período, Beatriz volta a brilhar em Maflor, de Sérgio Viotti, em 1977, lançando-se, a partir do ano seguinte, em carreira na TV, desempenhando papéis marcantes.

Com Emily, de William Luce, em 1985, monólogo dirigido por Miguel Falabella, centrado na vida da poetisa norte-americana Emily Dickson, Beatriz assegura definitivamente seu status de grande dama dos palcos, em inesquecível criação que arrebata diversos prêmios. Com o Grupo TAPA, em 1986, participa da montagem de O Tempo e os Conways, de J. B. Priestley, outra vez cantando e representando, desta vez sob o comando de Eduardo Tolentino de Araújo. Em 1988, com O Manifesto, de Brian Clark, encenado por José Possi Neto, conhece outro sucesso. No mesmo ano, na TV Globo, é Odete Roitman, em Vale Tudo, de Gilberto Braga, uma das grandes antagonistas da estória da novela brasileira.

Aproxima-se novamente do teatro experimental em 1993, na encenação de Gabriel Villela para A Guerra Santa, de Luís Alberto de Abreu. E também no polêmico texto de Edward Albee, Três Mulheres Altas, vivendo uma octogenária, novamente sob a direção de José Possi Neto, é premiada com o Mambembe de melhor atriz de 1995.

Em O Lado Fatal, de Lya Luft, segue a última direção do destacado diretor carioca Márcio Vianna, em realização cheia de lirismo, centrada na perda do objeto da paixão, no ano de 1996. Quatro anos após, em Estórias Roubadas, de Donald Margulies, com direção de Marcos Caruso, evidencia novamente toda a sua expressividade dramática.

Em cinema, atua em Cleo e Daniel, de Roberto Freire; À Flor da Pele e O Cortiço, ambos de Francisco Ramalho Jr.; Diário da Província, de Roberto Palmari; Os Amantes da Chuva, de Roberto Santos; Pixote, a Lei do Mais Fraco, de Hector Babenco, e Romance, de Sérgio Bianchi.



Atualizado em 12/08/2011
 
 
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  Freire, Roberto (1927 - 2008)
Luft, Lya (1938)
Rangel, Flávio (1934 - 1988)